Logística

Pedágio volta às BRs 324 e 116 após leilão marcado para dezembro

A ANTT marcou para 18 de dezembro o leilão da Rota 2 de Julho, com tarifa de referência de R$ 0,08396 por km no primeiro ano.

Vista aérea do trevo da BR-324 em Feira de Santana, na Bahia, com caminhões e carros na rodovia
Trecho da BR-324 em Feira de Santana (BA), uma das rodovias do lote da Rota 2 de Julho, que será leiloado pela ANTT.Foto: Sitenl / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O leilão da Rota 2 de Julho está marcado para 18 de dezembro de 2026, às 10h, na B3, a bolsa de valores de São Paulo. A data consta da notícia da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre a aprovação do edital, em 3 de setembro. Com o novo contrato, a cobrança de pedágio volta a valer em 653,3 quilômetros de rodovias federais na Bahia.

A Rota 2 de Julho junta trechos das BRs 324 e 116, entre Salvador, Feira de Santana e a divisa da Bahia com Minas Gerais. Até maio de 2025, a concessionária ViaBahia administrava a estrada. Em 15 de maio daquele ano, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) assumiu a gestão, e a cobrança parou, segundo o Movimento Econômico.

Em 26 de agosto, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o projeto, com ajustes. Um deles tira do edital a regra que, na prática, impediria a ViaBahia de disputar o leilão. A empresa havia contestado essa cláusula, segundo a Agência iNFRA.

Quanto custa rodar

Segundo a ANTT, a tarifa de referência é de R$ 0,08396 por quilômetro no primeiro ano. Três reajustes, de 13%, 13% e 14,244%, levam o valor a R$ 0,12248 por quilômetro a partir do quarto ano. O preço final depende do deságio, o desconto que a vencedora oferecer sobre essa tarifa.

Pedágio de referência sobe cerca de 46% em três anos

Valores em reais, antes do deságio, sem correção pela inflação; trecho de 653,3 km

Período Por 100 km Trecho inteiro
1º ano R$ 8,40 R$ 54,85
A partir do 4º ano R$ 12,25 R$ 80,02

Fonte: ANTT. Cálculo da redação com a tarifa de referência por quilômetro. Elaboração: redação.

A ANTT projeta sete novos pórticos de cobrança, sem praças físicas, segundo o Bahia Notícias. Os pórticos já existentes devem ter reajuste de cerca de 13%. As tarifas projetadas para os novos pontos vão de R$ 4,78 a R$ 10,18 no primeiro ano.

O que muda para o frete

A rodovia liga Salvador a Feira de Santana e segue até Minas Gerais. Segundo o jornal A Tarde, a produção agrícola do oeste baiano e a fruticultura do norte passam pela cidade de Feira de Santana. As fontes consultadas não trazem volume de carga agrícola nem contagem de caminhões nesses trechos.

Para quem paga frete, o pedágio entra no custo de cada quilômetro rodado. Na tarifa de referência, cruzar o trecho inteiro custaria cerca de R$ 55 no primeiro ano e R$ 80 a partir do quarto, antes do deságio. O cálculo não considera a tabela por tipo de veículo, que não localizamos nas fontes consultadas.

O que diz a ANTT: Em notícia publicada no site gov.br em 3 de setembro, a agência informa que aprovou o edital e marcou o leilão para 18 de dezembro, na B3. A notícia não traz declarações de dirigentes.

O que fica em aberto

O leilão acontece depois do segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro. A tarifa final só será conhecida no lance. Pela ANTT, a cobrança começa no sexto mês após a nova concessionária assumir o trecho.

Para o produtor, a conta depende de dois pontos ainda abertos: o deságio do vencedor e o investimento na duplicação de um trecho da BR-116, que o TCU mandou incluir no orçamento. Até lá, a estrada segue sem cobrança de pedágio.

Como fizemos: Usamos a notícia da ANTT sobre o edital, acessada em 22/10/2026, e reportagens do Bahia Notícias, da Agência iNFRA, do Movimento Econômico e do A Tarde. As contas são da redação: a tarifa de referência por quilômetro, multiplicada por 100 km e pela extensão de 653,3 km, sem deságio e sem correção pela inflação. A alta de cerca de 46% é a razão entre R$ 0,12248 e R$ 0,08396, após os três reajustes do edital. Não encontramos dados de tráfego ou de carga agrícola nesses trechos, por isso não estimamos volumes de frete.

Fontes