Logística

Frete de Sorriso a Santos leva 23% da saca de soja

Levar a saca de Sorriso (MT) a Santos custa R$ 31,15; em Paranaguá, o Moegão pode levar a recepção ferroviária a 24 milhões de toneladas por ano.

Caminhão carregado com sacas estacionado no cais, ao lado de navios graneleiros atracados e guindastes portuários
Caminhões e navios no cais do Porto de Paranaguá, no Paraná.Foto: Deyvid Aleksandr Raffo Setti e Eloy Olindo Setti / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Levar uma saca de soja de 60 quilos de Sorriso, no Mato Grosso, até o porto de Santos custa cerca de R$ 31,15 de frete rodoviário. A estimativa é da DadoAgro, citada pelo Cenário MT em 21 de outubro. Com a saca cotada a R$ 135,70 em Sorriso, em 16 de outubro, o frete equivale a 23% do valor.

O caminho da soja até o porto é longo, e o frete entra direto na conta do produtor. A tabela abaixo mostra as rotas estimadas pela DadoAgro.

Uma saca de soja de 60 quilos é a unidade de venda do grão. O frete é calculado por tonelada, e uma tonelada equivale a cerca de 16,67 sacas.

Frete rodoviário a partir de Mato Grosso, em outubro de 2026 Valores em R$; referências de rota, por tonelada e por saca de 60 kg

Rota R$ por tonelada R$ por saca
Sorriso (MT) a Santos (SP) 519 31,15
Sorriso (MT) a Paranaguá (PR) 508 30,50
Diamantino (MT) a Santos (SP) 483 28,99

Fonte: DadoAgro, via Cenário MT. Valores por saca: divisão do valor por tonelada, com arredondamento. Elaboração: redação.

O mesmo frete, com preços diferentes da saca

A DadoAgro usou R$ 122 por saca em Sorriso, em 16 de outubro. Já o Imea registrou R$ 135,70 para o mesmo dia e praça. Com o preço do Imea, o frete para Santos equivale a 23%. Com o preço da DadoAgro, a fatia sobe para 25,5%.

A diferença de preço da saca muda a conta, mas o frete continua alto. Paranaguá ficou R$ 0,66 por saca mais barato que Santos. O frete para os dois portos é quase o mesmo.

Ferrovia promete mais capacidade

O caminhão domina porque a malha de trilhos é curta. As ferrovias levam cerca de 20% do volume total de grãos, segundo o portal Logweb, em outubro de 2025. A mesma publicação aponta que a BR-163 e os acessos aos portos de Santos e Paranaguá já operam perto do limite.

A solução para parte desse custo é a ferrovia. O Moegão, complexo de recebimento de grãos por trem em Paranaguá, custa cerca de R$ 700 milhões. Hoje ele recebe pouco mais de 5 milhões de toneladas por ano por ferrovia. Com a obra pronta, a capacidade pode chegar a 24 milhões de toneladas por ano.

Em 11 de outubro, o primeiro terminal privado foi ligado ao sistema, o PAR 25, operado pela ALTP, de Louis Dreyfus e Amaggi. A obra está 96% concluída e pelo menos oito meses atrasada, segundo o JB Litoral. Os 11 terminais do corredor devem estar ligados até outubro de 2027.

O que diz a Portos do Paraná: Segundo a própria autoridade portuária, o complexo deve elevar em 63% a eficiência operacional. O diretor-presidente Luiz Fernando Garcia afirmou que a obra “ampliará consideravelmente a competitividade do nosso porto”, segundo o JB Litoral.

O que isso significa

Os dados mostram que o frete rodoviário leva uma parte grande da saca, mesmo com o preço alto em Sorriso. A ferrovia pode reduzir essa conta, mas só quando a obra estiver pronta e os terminais ligados.

Em aberto estão o prazo final da obra e a capacidade real após a conclusão. Vale acompanhar o indicador semanal de frete e a conclusão dos terminais.

Como fizemos: Usamos as referências de frete da DadoAgro, publicadas pelo Cenário MT em 21/10/2026, e a cotação da soja em Sorriso do Imea, pela tabela da Notícias Agrícolas, de 13 a 16/10/2026, acessadas em 21/10/2026. Calculamos a fatia do frete na saca dividindo R$ 31,15 pelo preço de cada fonte. Não encontramos o indicador semanal da Esalq-Log para essas rotas em outubro. Os fretes são referências de mercado, não tarifas fixas, segundo o próprio levantamento.

Fontes