Clima e tempo

Seca atinge 75% do território em setembro, mostra Monitor da ANA

O Monitor de Secas, da ANA, separa a seca em cinco níveis, de S0 a S4, e indica prazo e impacto com C ou L. Veja como ler o mapa e o que mostra setembro.

Ilustração abstrata nas cores da publicação
Imagem provisóriaIlustração: Imagem provisória

Em setembro de 2026, a seca atingiu 75% do território brasileiro, segundo o Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O dado vem de reportagem do portal Jetss, publicada em 20 de outubro. Em agosto, a área era menor, e a alta veio sobretudo do Norte e do Nordeste.

O mapa parece técnico, mas se lê com duas perguntas. A sigla diz quão grave é a seca. A letra ao lado diz qual impacto ela tende a causar e por quanto tempo. Este texto explica as duas e mostra o que o último mapa registra.

O Monitor é publicado todo mês e descreve o mês anterior. Ou seja, mostra o que já aconteceu, e não o que vem depois. A ANA coordena o programa com apoio da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e de instituições estaduais e federais. Segundo o governo de Goiás, que descreve o programa, a ANA é a instituição central do processo.

Como ler as siglas

O Monitor usa cinco níveis, de S0 a S4. S0 é o começo: a umidade está abaixo do normal e a área pode virar seca. S4 é o nível máximo, com perdas excepcionais e falta de água que cria emergência.

Os cinco níveis do Monitor de Secas Nível de gravidade, em linguagem simples

Sigla Nível O que significa
S0 Seca fraca Umidade abaixo do normal; a área pode virar seca
S1 Seca moderada Danos a lavouras e pastagens; rios e poços com nível baixo
S2 Seca grave Perdas de lavoura e pasto são prováveis; falta de água é comum
S3 Seca extrema Grandes perdas e escassez de água generalizada
S4 Seca excepcional Perdas excepcionais; falta de água cria situação de emergência

Fonte: legenda do Monitor de Secas, reproduzida no boletim mensal do Incaper (ES). Termos simplificados pela redação.

A letra depois da sigla indica o tipo de impacto. C é a seca de curto prazo, em geral com até 4 meses, que afeta sobretudo a agricultura. L é a de longo prazo, com mais de 12 meses, que atinge rios e ecossistemas. CL indica os dois tipos de impacto na mesma área.

Para classificar, o programa usa indicadores de 3, 4 e 6 meses no curto prazo, e de 12, 18 e 24 meses no longo prazo.

O que mostra o último mapa

Entre agosto e setembro, a área do país em seca subiu de 67% para 75% do território, segundo o Jetss. Norte e Nordeste puxaram a alta. Centro-Oeste e Sudeste tiveram redução.

Norte e Nordeste pioram entre agosto e setembro Percentual do território de cada região em seca, agosto e setembro de 2026

Região Algum nível de seca Seca grave
Nordeste 90% → 96% 16% → 28%
Norte 82% → 94% 4% → 8%

Fontes: Jetss e Correio da Manhã, citando a ANA. Elaboração: redação.

No Nordeste, a seca grave passou de 16% para 28% do território, um aumento de 12 pontos percentuais. No Norte, a parcela em seca grave dobrou, de 4% para 8%. Dez unidades da Federação tinham 100% do território em seca: Acre, Alagoas, Amapá, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Piauí, Roraima, Sergipe e Tocantins.

O número mede área, não população. No Ceará, 89% do território estava em seca em setembro, ante 87,9% em agosto, segundo O Povo.

O que diz a ANA: Segundo a Correio da Manhã, em reportagem de 25 de setembro, a agência informou que 90% da área nordestina tinha algum grau de seca em agosto, e 16% estava em seca grave. A ANA não foi procurada com perguntas para esta reportagem, e a redação não localizou nota oficial sobre o mapa de setembro.

O que isso significa

O mapa responde a uma pergunta: quanto do território está em seca, e com que gravidade. Ele não diz quantas lavouras perderam produção nem quais cidades racionam água. Para isso, é preciso cruzar o mapa com dados locais e com os alertas dos órgãos estaduais.

A edição de setembro é a mais recente que encontramos. Não localizamos a de outubro até esta data. Como os números de setembro vêm de uma só reportagem, vale conferir o mapa no site da ANA antes de tomar decisões com base neles.

Como fizemos: Usamos reportagens publicadas entre 22 de setembro e 22 de outubro de 2026 que citam o Monitor de Secas da ANA, acessadas em 22/10/2026, além de boletins e páginas de governos estaduais que descrevem o programa. O portal oficial não carregou os dados em nossa consulta, por isso os números de setembro dependem de uma única reportagem. Para agosto, o total nacional aparece como cerca de 61% na Revista Cultivar e 67% no Jetss, e não conseguimos resolver a diferença. Os pontos percentuais e a comparação entre meses são cálculos da redação.

Fontes