Logística

ANTAQ leiloa por 25 anos terminal de adubo no Porto do Itaqui

Leilão do terminal IQI16, em São Luís, será em 9 de dezembro, na B3. A área segue pública, e o contrato dura 25 anos, com possível prorrogação.

Vista aérea do Porto do Itaqui, em São Luís (MA)
Vista aérea do Porto do Itaqui, em São Luís (MA), em foto de 2023.Foto: Valdemar Medeiros / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na semana passada, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) publicou o edital para arrendar o terminal IQI16, no Porto do Itaqui, em São Luís (MA). O leilão será em 9 de dezembro, às 14h, na B3, a bolsa de valores de São Paulo.

Arrendar é alugar uma área pública por prazo longo. O vencedor explora o terminal por 25 anos, com possibilidade de prorrogação. O porto continua público e é administrado pela Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP).

O que muda na prática

O terminal é destinado a granéis sólidos, ou seja, cargas secas e sem embalagem, sobretudo adubo. Ele pode armazenar até 70 mil toneladas e movimentar cerca de 1,008 milhão de toneladas por ano. Pelo cálculo da redação, o armazém cobre cerca de 7% do volume anual previsto.

Segundo o estudo do leilão, citado pelo Movimento Econômico, 74% do adubo deve sair direto do navio no primeiro ano. Os outros 26% passariam pela Companhia Operadora Portuária do Itaqui (Copisi), que já movimenta fertilizantes no porto.

Para o agricultor, a pergunta central é o preço. As reportagens consultadas não trazem estimativa de quanto o novo terminal pode baratear ou encarecer o adubo no campo.

Quem investe e o que fica com o Estado

O vencedor terá de fazer obras. Pelo edital, são previstos demolição, silos, guindaste, tremonha e um armazém para pelo menos 70 mil toneladas, em até dois anos. O investimento previsto é de R$ 147 milhões, segundo a Agência iNFRA.

O vencedor é quem oferecer o maior valor de outorga, isto é, a quantia paga ao governo pelo direito de explorar a área. A proposta exige garantia de pelo menos R$ 17,6 milhões. Além disso, a empresa paga à autoridade portuária R$ 32.812,36 por mês, mais R$ 0,59 por tonelada movimentada.

A receita estimada de R$ 1,76 bilhão é o que a empresa deve obter com o terminal em 25 anos. Os valores são de janeiro de 2024 e não são o que vai para o governo. Pelo nosso cálculo, dá cerca de R$ 70 milhões por ano.

Restrição a concorrentes

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a proposta em abril. Mas recomendou que a ANTAQ e o Ministério de Portos e Aeroportos detalhassem, antes do leilão, a cláusula que restringia empresas que já operam adubo no porto. Na prática, essa regra atingiria só a Copisi. O ministro Benjamin Zymler, relator, disse que a restrição buscava “evitar um monopólio”.

O edital publicado em outubro traz outra regra. Grupos que passem de 40% da movimentação de fertilizantes no Itaqui só podem vencer se nenhum outro concorrente apresentar proposta válida. As reportagens consultadas não informam se o ministério respondeu ao pedido do TCU.

O que diz Alex Ávila, secretário nacional de Portos: Em nota citada pela Agência iNFRA, ele afirmou que “o principal ganho para a logística nacional é ampliar essa capacidade na região Nordeste do país, onde está o Porto do Itaqui”.

O que vem a seguir

Os prazos seguem assim. Até 13 de novembro, interessados podem pedir esclarecimentos. Até 30 de novembro, podem contestar o edital. Em 4 de dezembro, das 10h às 14h, as propostas são entregues na B3. Em 9 de dezembro, às 14h, acontece a sessão pública.

O leilão vai mostrar quem vai operar o adubo que chega ao Itaqui pelos próximos 25 anos. Até lá, o edital ainda pode ser contestado, prazo que termina em 30 de novembro.

Como fizemos: Usamos o edital do leilão nº 04/2026 como relatado pelo Movimento Econômico (15/10/2026), pela Agência iNFRA (16/10/2026), pelo Cescon Barrieu e pela Mayer Brown (outubro de 2026), além da decisão do TCU relatada pela Agência iNFRA (15/04/2026). Acessamos as fontes em 24/10/2026. Não localizamos a versão final do edital no site da ANTAQ, por isso datas e valores vêm das reportagens. Uma fonte cita 14 de outubro como dia da publicação; adotamos 13 de outubro, data citada em duas fontes. Cálculos nossos: 70 mil t sobre 1,008 milhão de t, cerca de 7%; R$ 1,76 bilhão dividido por 25 anos, cerca de R$ 70 milhões por ano, sem correção pela inflação. A receita estimada não é investimento nem pagamento ao governo.

Fontes