TCU cobra plano emergencial da Fiol 2, com obra atrasada na Bahia
Em 14 de outubro, o TCU cobrou plano emergencial do Lote 5F da Fiol 2, que tinha 17,77% executado em março, contra 93,14% previsto.

Em 14 de outubro de 2026, o Tribunal de Contas da União (TCU) mandou a Infra S.A. cobrar um plano emergencial do Lote 5F da Fiol 2. Em março, o trecho tinha executado 17,77% do valor do contrato. O previsto para aquele momento era 93,14%.
A Fiol, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, deve levar soja, milho e minério do oeste baiano até o litoral. A Fiol 2 liga Caetité a Barreiras, em cerca de 485 km. Nenhum trecho da ferrovia está em operação.
Lote 5F: plano em 30 dias
Segundo a CNN Brasil, a construtora TCE Engenharia terá 30 dias para apresentar um plano de limpeza e manutenção. O plano deve prever a retirada total da vegetação que contamina os trilhos, com custo para a empresa. Há cerca de 96 km de trilhos instalados no subtrecho 5FB1, segundo a Agência iNFRA.
Em nota à Agência iNFRA, a Infra S.A. disse que “acolherá as determinações e recomendações” do tribunal.
Lote 6F: ponte e risco para o corredor
Em 16 de setembro, o TCU analisou o Lote 6F, de 132 km. Em janeiro de 2026, segundo a Agência iNFRA, o lote tinha 49% do valor executado, contra 72,46% previsto. O tribunal avisou que os atrasos podem comprometer as “premissas econômicas e operacionais da futura licitação” do corredor Fico-Fiol. O TCU também citou a situação financeira da Tiisa, que está em recuperação judicial.
Em 18 de junho, a Infra S.A. assinou um Compromisso de Ajustamento de Conduta (CAC), um acordo com metas e punições. Ele mantém a entrega em dezembro de 2027, segundo a Bahia Notícias. Antes, o prazo era dezembro de 2024, depois dezembro de 2026.
Fiol 1: a parte privada parada
Em 2021, a Fiol 1, entre Ilhéus e Caetité, foi concedida à Bamin em leilão. Segundo a Agência iNFRA, as obras estão paradas desde 2025, e a concessionária está inadimplente. A venda à Mota-Engil, grupo português de construção, depende de reformar o contrato. A reforma pode incluir aporte público.
Em junho, o Valor Econômico, citado pelo Bahia Econômica, disse que a conclusão da Fiol pode passar de 2027 para 2031. O plano ainda estava “em debate” na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O trilho depende do porto
A Fiol 2 sozinha não chega ao mar. A carga precisa da Fiol 1 e do Porto Sul, em Ilhéus. O terminal ligado à Bamin tem investimento estimado acima de R$ 8,3 bilhões. Cerca de R$ 723 milhões já foram gastos até o fim de 2025, sem nenhuma operação, segundo a Agência Sertão, que reproduz a Folha de S.Paulo.
Obra pública ou concessão: o que os dados mostram
A Fiol 2 é tocada pela Infra S.A., estatal federal, com prioridade no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), segundo a Agência iNFRA. Há um argumento a favor da obra pública. Segundo a Bahia Notícias, o TCU disse que manter o contrato evita custos e atrasos de uma nova licitação.
Mas os atrasos aparecem nos dois modelos. Na Fiol 1, a concessão privada parou. Na Fiol 2, a obra pública acumula prazos vencidos e precisou de um acordo de ajuste. Em setembro de 2025, o diretor da Infra S.A. André Ludolfo previu ter a ferrovia 100% contratada até 2026.
O que diz a Infra S.A.: Em nota à Agência iNFRA, publicada em 15/10/2026, a empresa afirmou que “acolherá as determinações e recomendações” do TCU sobre o Lote 5F. Sobre o Lote 6F, disse, segundo a Bahia Notícias, que manter o contrato se baseou em estudo com “vantagem na continuidade das obras”.
O que segue em aberto
Ficam em aberto três pontos. O plano de limpeza do Lote 5F tem prazo de 30 dias. O CAC prevê dezembro de 2027 e punições em caso de descumprimento. A reforma da Fiol 1 e a licitação do Fico-Fiol ainda não têm data firme. A ANTT modela o corredor, e o modelo deve ir ao TCU neste ano, segundo a Agência iNFRA.
Mesmo que a Fiol 2 cumpra o prazo de dezembro de 2027, a carga do oeste baiano só ganha saída para o mar quando a Fiol 1 e o Porto Sul estiverem prontos. Os dados disponíveis não indicam quando isso acontece.
Como fizemos: Usamos reportagens da CNN Brasil (14/10/2026), da Agência iNFRA (17/09/2025, 29/07/2026, 17/09/2026 e 15/10/2026), da Bahia Notícias (25/08/2026), do Bahia Econômica (15/06/2026), da Agência Sertão (22/02/2026) e do Alô Alô Bahia (29/07/2026), acessadas em 23/10/2026. Não fizemos cálculos novos: percentuais, prazos e valores são os publicados nessas fontes. Não tivemos acesso ao acórdão do TCU nem aos relatórios da Infra S.A., e não houve contato direto com a empresa para esta matéria. As fontes citam nomes diferentes para o consórcio do Lote 6F (TT-Fiol, TCE Engenharia e Tiisa), por isso o texto não o nomeia.
Fontes
- TCU aponta atraso em obra ferroviária na Bahia e cobra plano emergencial — CNN Brasil, 14/10/2026 (acesso em 23/10/2026)
- TCU cobra ações emergenciais em outro trecho da Fiol com obra atrasada — Agência iNFRA, 15/10/2026 (acesso em 23/10/2026)
- TCU vê risco na concessão Fico-Fiol por problemas em trechos da Fiol — Agência iNFRA, 17/09/2026 (acesso em 23/10/2026)
- Contratos da Fiol 2 serão fechados antes da concessão, diz Infra S.A. — Agência iNFRA, 17/09/2025 (acesso em 23/10/2026)
- Compra da Fiol 1 pela Mota-Engil depende de reforma na concessão — Agência iNFRA, 29/07/2026 (acesso em 23/10/2026)
- Auditoria do TCU aponta risco de colapso em ponte em obra na Fiol 2 — Bahia Notícias, 25/08/2026 (acesso em 23/10/2026)
- Venda da Bamin está em fase final e depende da ANTT; conclusão da Fiol pode ficar para 2031 — Bahia Econômica, 15/06/2026 (acesso em 23/10/2026)
- Mota-Engil negocia com governo pacote com Fiol 1, Porto Sul e mina em Caetité — Agência Sertão, 22/02/2026 (acesso em 23/10/2026)
- Fiol e Porto Sul devem transformar a Bahia em nova rota de exportação de grãos — Alô Alô Bahia, 29/07/2026 (acesso em 23/10/2026)
- FIOL_06F.jpg — Wikimedia Commons (CC BY 2.0) (acesso em 23/10/2026)



