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TCU cobra plano emergencial da Fiol 2, com obra atrasada na Bahia

Em 14 de outubro, o TCU cobrou plano emergencial do Lote 5F da Fiol 2, que tinha 17,77% executado em março, contra 93,14% previsto.

Vista aérea de uma faixa de terra em curva no cerrado, com postes de uma linha ao fundo, em área de obras da Fiol
Obras da Fiol em São Desidério (BA), fotografadas em setembro de 2020 durante visita oficial; a imagem não mostra a situação atual.Foto: Palácio do Planalto / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 14 de outubro de 2026, o Tribunal de Contas da União (TCU) mandou a Infra S.A. cobrar um plano emergencial do Lote 5F da Fiol 2. Em março, o trecho tinha executado 17,77% do valor do contrato. O previsto para aquele momento era 93,14%.

A Fiol, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, deve levar soja, milho e minério do oeste baiano até o litoral. A Fiol 2 liga Caetité a Barreiras, em cerca de 485 km. Nenhum trecho da ferrovia está em operação.

Lote 5F: plano em 30 dias

Segundo a CNN Brasil, a construtora TCE Engenharia terá 30 dias para apresentar um plano de limpeza e manutenção. O plano deve prever a retirada total da vegetação que contamina os trilhos, com custo para a empresa. Há cerca de 96 km de trilhos instalados no subtrecho 5FB1, segundo a Agência iNFRA.

Em nota à Agência iNFRA, a Infra S.A. disse que “acolherá as determinações e recomendações” do tribunal.

Lote 6F: ponte e risco para o corredor

Em 16 de setembro, o TCU analisou o Lote 6F, de 132 km. Em janeiro de 2026, segundo a Agência iNFRA, o lote tinha 49% do valor executado, contra 72,46% previsto. O tribunal avisou que os atrasos podem comprometer as “premissas econômicas e operacionais da futura licitação” do corredor Fico-Fiol. O TCU também citou a situação financeira da Tiisa, que está em recuperação judicial.

Em 18 de junho, a Infra S.A. assinou um Compromisso de Ajustamento de Conduta (CAC), um acordo com metas e punições. Ele mantém a entrega em dezembro de 2027, segundo a Bahia Notícias. Antes, o prazo era dezembro de 2024, depois dezembro de 2026.

Fiol 1: a parte privada parada

Em 2021, a Fiol 1, entre Ilhéus e Caetité, foi concedida à Bamin em leilão. Segundo a Agência iNFRA, as obras estão paradas desde 2025, e a concessionária está inadimplente. A venda à Mota-Engil, grupo português de construção, depende de reformar o contrato. A reforma pode incluir aporte público.

Em junho, o Valor Econômico, citado pelo Bahia Econômica, disse que a conclusão da Fiol pode passar de 2027 para 2031. O plano ainda estava “em debate” na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O trilho depende do porto

A Fiol 2 sozinha não chega ao mar. A carga precisa da Fiol 1 e do Porto Sul, em Ilhéus. O terminal ligado à Bamin tem investimento estimado acima de R$ 8,3 bilhões. Cerca de R$ 723 milhões já foram gastos até o fim de 2025, sem nenhuma operação, segundo a Agência Sertão, que reproduz a Folha de S.Paulo.

Obra pública ou concessão: o que os dados mostram

A Fiol 2 é tocada pela Infra S.A., estatal federal, com prioridade no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), segundo a Agência iNFRA. Há um argumento a favor da obra pública. Segundo a Bahia Notícias, o TCU disse que manter o contrato evita custos e atrasos de uma nova licitação.

Mas os atrasos aparecem nos dois modelos. Na Fiol 1, a concessão privada parou. Na Fiol 2, a obra pública acumula prazos vencidos e precisou de um acordo de ajuste. Em setembro de 2025, o diretor da Infra S.A. André Ludolfo previu ter a ferrovia 100% contratada até 2026.

O que diz a Infra S.A.: Em nota à Agência iNFRA, publicada em 15/10/2026, a empresa afirmou que “acolherá as determinações e recomendações” do TCU sobre o Lote 5F. Sobre o Lote 6F, disse, segundo a Bahia Notícias, que manter o contrato se baseou em estudo com “vantagem na continuidade das obras”.

O que segue em aberto

Ficam em aberto três pontos. O plano de limpeza do Lote 5F tem prazo de 30 dias. O CAC prevê dezembro de 2027 e punições em caso de descumprimento. A reforma da Fiol 1 e a licitação do Fico-Fiol ainda não têm data firme. A ANTT modela o corredor, e o modelo deve ir ao TCU neste ano, segundo a Agência iNFRA.

Mesmo que a Fiol 2 cumpra o prazo de dezembro de 2027, a carga do oeste baiano só ganha saída para o mar quando a Fiol 1 e o Porto Sul estiverem prontos. Os dados disponíveis não indicam quando isso acontece.

Como fizemos: Usamos reportagens da CNN Brasil (14/10/2026), da Agência iNFRA (17/09/2025, 29/07/2026, 17/09/2026 e 15/10/2026), da Bahia Notícias (25/08/2026), do Bahia Econômica (15/06/2026), da Agência Sertão (22/02/2026) e do Alô Alô Bahia (29/07/2026), acessadas em 23/10/2026. Não fizemos cálculos novos: percentuais, prazos e valores são os publicados nessas fontes. Não tivemos acesso ao acórdão do TCU nem aos relatórios da Infra S.A., e não houve contato direto com a empresa para esta matéria. As fontes citam nomes diferentes para o consórcio do Lote 6F (TT-Fiol, TCE Engenharia e Tiisa), por isso o texto não o nomeia.

Fontes