Safra

Abitrigo prevê importar 9 milhões de toneladas de trigo nesta safra

A chuva reduziu a lavoura gaúcha, e a Conab estima produção de 5,7 milhões de toneladas, 27,2% abaixo da safra anterior.

Lavoura de trigo verde, com espigas ainda não colhidas, em campo aberto em Belmonte, Santa Catarina, com árvores ao fundo
Lavoura de trigo ainda verde em Belmonte, Santa Catarina; foto de agosto de 2023.Foto: Dalton Scavassa / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) estima que o Brasil importe cerca de 9 milhões de toneladas de trigo nesta temporada. A projeção inicial era de 7,5 milhões. A estimativa foi publicada pela Safras & Mercado em 24 de setembro, durante o 11º Encontro da Cadeia Produtiva do Trigo de São Paulo.

A nova conta fica 1,5 milhão de toneladas acima da anterior, um aumento de 20%. Ela aparece no mesmo período em que a chuva reduz a lavoura no Rio Grande do Sul. O produtor gaúcho enfrenta uma colheita menor, e o país depende de mais compras de fora.

O trigo é a matéria-prima da farinha. Os moinhos, que transformam o grão em farinha, dependem dessa oferta. Quando a produção nacional cai, o abastecimento passa a depender mais do mercado externo.

A chuva reduz a lavoura gaúcha

Em 8 de outubro, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS) divulgou o boletim semanal. Segundo a Reuters, que citou a Emater, uma sequência de chuvas, umidade alta, pouca luz, granizo e ventos fortes “prejudicaram o potencial produtivo da safra de trigo do Rio Grande do Sul em 2026”.

A Emater não divulgou nova estimativa de produção. A referência continua sendo a da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de 2,2 milhões de toneladas para o estado.

No plano nacional, a Conab informou em 15 de outubro que 40,3% da área de trigo já estava colhida. A produção prevista é de 5,7 milhões de toneladas. O volume é 27,2% menor que o da safra anterior. Segundo a Conab, essa queda está ligada à área plantada menor e à produtividade mais baixa.

Quanto pesa a importação

Pelas contas da redação, 9 milhões de toneladas importadas equivalem a cerca de 1,6 vez a produção nacional estimada de 5,7 milhões. A comparação usa apenas os dois números divulgados.

Segundo a Safras & Mercado, o presidente-executivo da Abitrigo, Daniel Kümmel, disse que “parte da produção brasileira já foi comprometida pelas condições climáticas”. Ele também afirmou que o volume que chega aos moinhos deve ser menor que o total produzido.

As reportagens consultadas não trazem preços de trigo, farinha ou pão em 2026. Por isso, este texto não estima quanto a importação pode encarecer o pão. O preço do grão importado depende do mercado internacional e da taxa de câmbio, ou seja, do valor do dólar em reais. O IPCA, índice oficial de inflação do IBGE, mede o preço do pão ao consumidor e mostrará o efeito, se ele existir.

O que diz a Abitrigo: Segundo fala publicada pela Safras & Mercado em 24/09/2026, a entidade atribui a revisão às perdas climáticas da safra nacional. Não localizamos nota oficial da Abitrigo no site dela, e a redação não contatou a entidade antes desta publicação.

O que vem a seguir

A colheita ainda não terminou, e o volume final de importação não está fechado. Os próximos boletins da Conab e da Emater/RS vão mostrar se a perda se confirma e até onde vai.

Com a produção menor e as compras externas em alta, o abastecimento de trigo fica mais dependente do mercado de fora. Ainda não há dados que mostrem quanto esse custo chega ao consumidor.

Como fizemos: Usamos a reportagem da Safras & Mercado de 24/09/2026, que cita a Abitrigo; a reportagem da CNN Brasil, com base na Reuters, sobre o boletim da Emater/RS de 08/10/2026; e a divulgação do 1º Levantamento da safra de grãos 2026/27 da Conab, publicada pela Agência Gov em 15/10/2026. Acessos em 24/10/2026. Cálculos próprios: aumento de 1,5 milhão de toneladas sobre 7,5 milhões (20%) e razão entre 9 e 5,7 milhões (cerca de 1,6 vez). A reportagem da Conab não compara a colheita com a média dos últimos cinco anos, e não citamos essa comparação. Não encontramos nota oficial da Abitrigo nem dados de preços de farinha ou pão.

Fontes