Safra

IBGE prevê safra recorde, mas arroz, feijão e trigo caem

A soja puxa a safra recorde de 354,5 milhões de toneladas, enquanto arroz cai 11,4%, trigo 24% e feijão 6,6%, segundo o IBGE.

Colheitadeira amarela da marca New Holland colhe soja em uma lavoura de Rondonópolis, no Mato Grosso
Colheita de soja em fazenda de Rondonópolis (MT), em março de 2009.Foto: Roosevelt Pinheiro / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br)

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima uma safra de grãos recorde para 2026: 354,5 milhões de toneladas. O número foi divulgado em 15 de outubro. Ele é 2,4% maior que a produção de 2025, de 346,1 milhões de toneladas, segundo a Agência Brasil.

Mas a alta esconde uma queda. Arroz, feijão e trigo devem produzir menos, e são culturas que chegam diretamente à mesa do brasileiro. A soja, que sobe, sozinha explica mais do que todo o ganho da safra.

A estimativa vem do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), pesquisa mensal do IBGE sobre a colheita. O total soma cereais, como milho, arroz e trigo, leguminosas, como o feijão, e oleaginosas, plantas de que se extrai óleo, como a soja. Por isso, um número alto não mostra quem cresceu e quem caiu.

A soja explica mais que todo o ganho

A soja deve chegar a 175 milhões de toneladas, alta de 5,4%. Pela conta, isso representa cerca de 9 milhões de toneladas a mais que em 2025. O ganho total previsto para a safra é de 8,4 milhões. Ou seja, a soja sozinha supera o aumento do conjunto.

Safra 2026 cresce em soja e milho e cai em arroz, trigo e feijão Estimativa de setembro, em milhões de toneladas, e variação ante 2025

Cultura 2026 (milhões de t) Variação
Soja 175,0 +5,4%
Milho 143,3 +1,1%
Arroz em casca 11,2 -11,4%
Trigo 5,9 -24%
Feijão não informado -6,6%

Fonte: IBGE, LSPA de setembro de 2026, via Agência Brasil e A Crítica. Elaboração: redação.

O trigo tem a maior queda, de 24%. O arroz em casca, que é o arroz colhido com a casca, cai 11,4%.

O milho também mostra dois ritmos. A primeira safra, plantada cedo na temporada, deve crescer 15,5%. A segunda safra, plantada depois da soja, deve recuar 2%, segundo o IBGE. O resultado do milho depende, portanto, de quando cada lavoura foi plantada.

Quem planta arroz e feijão perde espaço

A área plantada com arroz deve recuar 12,6%, segundo a Agência Brasil. Menos área tende a reduzir a oferta no mercado interno. O preço, porém, também depende de estoques e de importações, e o LSPA mede volume colhido, não preço.

O feijão cai 6,6%, segundo o IBGE. As fontes consultadas não informam o volume total da cultura, por isso ele não aparece em toneladas nesta reportagem.

Para quem planta arroz ou feijão em áreas menores, o recorde da soja não muda a própria lavoura. A safra total é um número distante da colheita de cada família produtora.

Para o consumidor, o recorde também não garante prato mais barato. O preço no supermercado depende de estoques, de exportações e de importações. Nenhum desses fatores aparece na estimativa de produção do IBGE.

O que diz o IBGE: O instituto publica a estimativa mensal no LSPA, e a previsão de setembro é de 354,5 milhões de toneladas, 2,4% acima de 2025, segundo a Agência Brasil. Não encontramos declaração do IBGE sobre as causas da queda em arroz, feijão e trigo.

O que isso significa

As estimativas são revisadas a cada mês do levantamento. Por ora, os números mostram uma safra concentrada em soja e milho. Arroz, feijão e trigo caem, e o total não revela esse peso. Vale acompanhar as próximas divulgações do LSPA para ver se a queda se confirma.

Como fizemos: Usamos a estimativa de setembro de 2026 do LSPA, divulgada em 15 de outubro de 2026, conforme reportagens da Agência Brasil e de A Crítica, acessadas em 23/10/2026. A página do IBGE não abriu no acesso, e os números foram cruzados entre as duas reportagens. As diferenças de toneladas em relação a 2025 (cerca de 9 milhões para a soja e 8,4 milhões para o total) são nossas contas a partir dos percentuais arredondados pelo IBGE, por isso são aproximadas. O feijão não tem volume nas fontes consultadas, e os dados são estimativas que podem ser revistas.

Fontes