Política agrícola

Diesel tem 15% de biodiesel, e a soja fornece mais de 70%

Desde agosto de 2025, o diesel leva 15% de biodiesel, e o aumento para 16%, previsto para março, segue sem data definida pelo governo.

Grupo de trabalhadores e autoridades posa diante de mastros com as bandeiras do Brasil e da Bahia, em área da usina de biodiesel da Petrobras em Candeias
Grupo posa na usina de biodiesel da Petrobras em Candeias (BA), em março de 2010; foto de arquivo.Foto: Manu Dias / AGECOM / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O diesel que abastece caminhões e tratores no Brasil tem 15% de biodiesel desde 1º de agosto de 2025. A informação consta no site da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que regula e fiscaliza o setor. Boa parte desse biodiesel sai do óleo de soja.

Para o produtor, a pergunta é direta. Quanto da soja vai para o tanque, e o que essa conta faz com o preço do grão e do diesel?

Quem decide a mistura

O biodiesel é um combustível feito de óleos e gorduras vegetais ou animais. Ele é misturado ao diesel de petróleo. A porcentagem da mistura é fixada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), um colegiado do governo federal.

A Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993, de 8 de outubro de 2024) prevê aumentos de 1 ponto percentual por ano, até 20% em 2030, segundo a publicação jurídica Lex. Mas a lei não funciona no piloto automático. Em agosto de 2026, o secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Renato Dutra, disse que o cronograma é uma sugestão e que a decisão final é do CNPE.

Mistura de biodiesel Situação Data
B14 Mistura anterior até julho de 2025
B15 Em vigor desde 1º de agosto de 2025
B16 Sem decisão do CNPE previsto para 1º de março de 2026
B20 Meta da lei 2030

Percentual de biodiesel no diesel. Situação em 23 de outubro de 2026. Fonte: ANP, Eixos e Lex.

Quanto de soja vai para o tanque

Em 2025, o óleo de soja respondeu por 73,4% da matéria-prima do biodiesel, segundo estimativa da consultoria StoneX, divulgada pela Agrolink. Ou seja, perto de três em cada quatro litros saem da soja.

A mesma consultoria projeta para 2026 uma demanda de cerca de 10,4 milhões de metros cúbicos de biodiesel com a mistura de 15%. Se o percentual subir para 16%, a demanda de óleo de soja chegaria a até 8,6 milhões de toneladas, segundo a mesma projeção da StoneX.

O que muda para o produtor

A expectativa de mais biodiesel já pesa no mercado. Em 24 de março de 2026, o óleo de soja bruto e degomado chegou a R$ 6.953,38 por tonelada em São Paulo, a maior cotação desde 1º de dezembro de 2025, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

O mesmo relatório do Cepea diz que a espera pelo B16 limita a alta do óleo. Ou seja, a indefinição do governo também entra no preço que o produtor recebe. Quem planta soja vive, assim, entre a demanda da indústria e a decisão de um colegiado.

E no posto?

Em nota de julho de 2025, antes da entrada em vigor do B15, o MME projetou uma alta de R$ 0,02 por litro no diesel. A média nacional iria de R$ 5,97 para R$ 5,99, com referência ao fim daquele mês, segundo a Agência iNFRA.

É uma estimativa oficial de mais de um ano atrás. Não encontramos, nesta reportagem, medição posterior da ANP que confirme o efeito. O diesel pesa no frete e nas máquinas da fazenda, por isso cada centavo importa.

O que diz o Ministério de Minas e Energia (MME): o secretário Renato Dutra afirmou, em agosto de 2026, durante a Semana do Biodiesel em Brasília: “Não temos uma determinação sobre isso ainda”. A fala foi publicada pelo Eixos.

O que isso significa

O B15 está em vigor, e o B16 segue sem data. Em maio de 2026, o Poder360 informou que a mudança para o B16 deve ficar para 2027. Segundo a reportagem, o MME comunicou o adiamento de uma reunião do CNPE marcada para 7 de maio, que trataria da mistura de etanol, e não há nova data.

Em agosto de 2026, a diretora do Departamento de Biocombustíveis do MME, Lorena Mendes, afirmou: “Até fevereiro de 2027, nós devemos finalizar toda a etapa de execução do plano de testes e termos o relatório final”. Segundo o Eixos, a decisão pode sair por volta de agosto de 2027. Até lá, a soja segue como base do combustível, e a conta do produtor depende de uma decisão ainda não tomada.

Como fizemos: Usamos dados da ANP (página sobre biodiesel, atualizada em 13/07/2026), da StoneX (via Agrolink, em 19/02/2026, e Notícias Agrícolas, em 18/12/2025), do Cepea (relatório de 30/03/2026) e de reportagens sobre a Semana do Biodiesel e sobre o cronograma de testes, acessados em 23/10/2026. Os 73,4% são média anual estimada pela StoneX. Os valores de diesel são projeções do MME, não medições. Não encontramos decisão do CNPE sobre o B16 após agosto de 2026.

Fontes