Política agrícola

Soja tem preço mínimo de R$ 76,34, e garantia só paga abaixo dele

A garantia de preço mínimo só paga quando o mercado cai abaixo dele. Veja como funcionam os instrumentos da Conab e os valores de 2026/27.

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Imagem provisóriaIlustração: Imagem provisória

Desde 13 de julho de 2026, a soja tem preço mínimo de R$ 76,34 por saca de 60 quilos. O valor subiu 7,46% em relação aos R$ 71,04 da safra anterior. A Portaria nº 934, do Ministério da Agricultura, fixou o novo piso e foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Mas o preço mínimo não paga todo produtor. Ele só entra em ação quando o mercado fica abaixo dele. No início de outubro, a saca de soja no porto de Paranaguá (PR) valia R$ 160,90, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

O que é o preço mínimo

O preço mínimo faz parte da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) executa a política e elabora as propostas de preço.

O texto oficial diz que os valores, “definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), servirão de referência para as operações da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM)”. Ou seja, o piso é a referência para as operações do governo, não um preço garantido na venda de cada lavoura.

Quanto vale o mínimo em 2026/27

Feijão preto teve o maior reajuste entre os produtos listados Preço mínimo por unidade, em reais, e variação sobre a safra anterior

Produto (região) Unidade Preço mínimo Variação
Feijão preto (todas as regiões) saca de 60 kg R$ 167,67 +9,66%
Soja (todo o país) saca de 60 kg R$ 76,34 +7,46%
Arroz longo fino em casca (Sul, exceto PR) saca de 50 kg R$ 68,07 +6,80%
Milho (RS e SC) saca de 60 kg R$ 58,44 +5,03%
Milho (Nordeste, exceto oeste da BA, MA e PI) saca de 60 kg R$ 66,24 +5,01%
Milho (Sudeste e PR) saca de 60 kg R$ 53,58 +5,00%
Feijão cores (todas as regiões) saca de 60 kg R$ 186,84 +3,10%

Fonte: Portaria MAPA nº 934/2026, conforme reportagens de A Crítica e Brasil 61. Elaboração: redação.

O milho teve alta de até 8,09% no oeste da Bahia, Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. No Centro-Oeste e no Norte, o preço não mudou. O trigo tem regra própria: a Portaria nº 895, de 26 de março de 2026, cobre o trigo em grãos e a semente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, além da Bahia.

Quatro instrumentos quando o preço cai

Para sustentar o mínimo, a política usa quatro instrumentos. São a Aquisição do Governo Federal (AGF), o Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e os Contratos de Opção de Venda (COV).

Segundo a Conab, a AGF e o Pepro entram quando o preço de mercado fica abaixo do mínimo.

Na AGF, o governo compra o produto de produtores, agricultores familiares e cooperativas. A operação depende de recursos repassados pelo Tesouro Nacional, o caixa da União.

No Pepro, a Conab faz leilão de um prêmio. O produtor ou a cooperativa recebe a diferença entre o preço mínimo e o prêmio arrematado, desde que comprove a venda e o escoamento do produto. No PEP, quem arremata o prêmio é o comprador, como uma indústria ou um comerciante, que paga o mínimo ao produtor.

O COV funciona como um seguro de preço. O produtor tem o direito de vender ao governo, numa data futura, por um valor fixado.

A soja está longe do piso, o milho e o arroz estão perto

Em 1º de outubro, a saca de soja valia R$ 160,90 em Paranaguá. O mínimo de R$ 76,34 equivale a 47% desse valor. Com essa distância, a garantia não entra em ação para a soja no patamar atual. Preço de porto não é preço da porteira, então a conta mostra a ordem de grandeza.

O arroz está mais perto. Em 4 de agosto, o indicador Cepea/Irga-RS marcou R$ 70 por saca de 50 quilos. O piso do Sul, exceto o Paraná, é de R$ 68,07, cerca de 3% abaixo. Não encontramos cotação verificada de outubro.

No Rio Grande do Sul, as indicações de preço do milho ficaram entre R$ 58 e R$ 63 por saca, segundo reportagem de 3 de agosto. O piso gaúcho e catarinense, de R$ 58,44, fica dentro dessa faixa.

O que diz a Conab: Em nota sobre a atualização, a companhia informou que os preços têm vigência até junho de 2028, conforme o ciclo de cada cultura. As tabelas por produto e região estão no Diário Oficial da União.

O que isso significa

A garantia paga só quando o mercado cai abaixo do mínimo, e só para quem cumpre as regras do instrumento. Com a soja longe do piso, não há pagamento previsto para o grão neste momento. No milho e no arroz, a distância é pequena, e a garantia tem mais chance de valer se os preços caírem.

A política cuida do preço, não da quantidade colhida. Os avisos de leilão e as tabelas completas devem ser consultados na Conab e no DOU.

Como fizemos: Usamos os valores da Portaria nº 934/2026, conforme reportagens de A Crítica, Brasil 61 e Atlas Público, acessadas em 22/10/2026. Os preços de mercado vêm do Cepea (soja, 1º de outubro de 2026), do indicador Cepea/Irga-RS (arroz, 4 de agosto de 2026) e de análise da Agrolink (milho, 3 de agosto de 2026). A relação de 47% é cálculo da redação: R$ 76,34 dividido por R$ 160,90. A comparação mistura praças e datas diferentes e não mostra o preço recebido na lavoura.

Fontes