Política agrícola

Flávio mudou sobre o 6x1, mas aliados mantêm salário por hora

O candidato votou pelo fim da escala, após se opor, enquanto seu plano e aliados defendem contratos flexíveis que podem mudar a jornada no campo.

Vista de cima de áreas agrícolas de soja em círculos e talhões no Mato Grosso
Áreas agrícolas de Primavera do Leste (MT), em imagem de satélite de 2017. A foto ilustra o território rural, não uma fazenda específica citada no texto.Foto: SentinelHub / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 6 de outubro, Flávio Bolsonaro se opôs ao fim da escala 6x1 e defendeu a liberdade de escolher horários. Oito dias depois, votou a favor da proposta nas duas votações do Senado. A mudança ocorreu na reta final da campanha, mas o plano de governo e dois aliados ainda defendem contratos mais flexíveis.

A escala 6x1 significa trabalhar seis dias e descansar um. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 foi aprovada por 75 votos a 1 em 14 de outubro. Flávio votou sim nas duas rodadas, segundo o registro consultado pela Exame.

A virada não encerra a disputa sobre a jornada. No plano de governo, o capítulo “Trabalho que compensa” promete reduzir o custo da contratação formal. Também prevê contratos mais baratos para jovens de 18 a 24 anos e desempregados com mais de 50 anos. O texto permite horários flexíveis.

A cronologia que mudou em dez dias

Data Posição de Flávio O que ficou registrado
6 de outubro Contra a PEC Defendeu a liberdade de escolher horários
13 de outubro Anunciou voto favorável Disse que o governo deveria pagar a conta dos empregadores
14 de outubro Votou sim A PEC passou por 75 a 1 nas duas rodadas
16 de outubro Prometeu não reverter a mudança Aliados mantiveram a defesa do contrato por hora

Fonte: Intercept, CNN Brasil, Exame e Metrópoles. Elaboração: redação.

A sequência importa para quem contrata e trabalha no campo. A PEC aprovada reduz a escala semanal, enquanto contratos por hora podem reorganizar o tempo de trabalho e o cálculo da remuneração.

Em 13 de outubro, Flávio disse que votaria pelo fim do 6x1, mas que o governo deveria “pagar a conta” dos empregadores. A frase indicou que a mudança teria custo público, sem dizer qual seria a despesa nem de onde sairia o dinheiro, segundo a CNN Brasil.

O que o plano e os aliados deixam aberto

O plano também diz que a negociação deve prevalecer sobre regras legais e apresenta a seção “o trabalhador primeiro, não o sindicato”. Ele não traz uma proposta específica para a pejotização, contratação em que a pessoa trabalha por meio de uma empresa própria, nem informa valores para compensar empregadores.

Em 16 de outubro, Flávio afirmou que não reverteria o fim do 6x1. No mesmo registro, Rogério Marinho, coordenador da campanha, e o líder do PL no Senado, Sóstenes Cavalcante, defenderam um contrato por hora para 2027, segundo Metrópoles. O modelo pode coexistir com a nova escala, mas muda a forma de calcular a remuneração.

A diferença entre escala e contrato é central. A escala define quantos dias a pessoa trabalha e descansa. O contrato por hora define quanto tempo é pago e pode reduzir a renda se o número de horas variar. O texto da campanha não informa piso de horas, garantia de renda ou fiscalização para o trabalho rural.

O que diz Flávio Bolsonaro: No debate da Band, em 18 de outubro, ele disse que mudou de ideia porque “sabe ouvir”. Em 16 de outubro, prometeu não reverter o fim do 6x1. Rogério Marinho e Sóstenes Cavalcante, aliados da campanha, continuam defendendo contrato por hora para 2027, segundo Metrópoles.

A mudança de voto é um fato favorável ao descanso semanal e deve ser reconhecida. O problema em aberto é outro: o candidato oferece uma jornada menor e uma agenda de contratos flexíveis. Ele não diz como protegerá a renda de quem trabalha por safra, diária ou hora.

Para o interior, essa escolha chega antes da posse. A campanha ainda terá de explicar como a redução da jornada e o contrato por hora serão aplicados à mão de obra do campo.

Como fizemos: Comparamos o plano de governo de Flávio com os registros de suas declarações e do voto na PEC 221/2019 entre 6 e 18 de outubro de 2026. A tabela é uma linha do tempo elaborada pela redação. As fontes não informam o custo fiscal da mudança nem o efeito sobre salários rurais específicos.

Fontes