Logística

CNT retoma alerta: 62,1% das rodovias têm problemas de conservação

Entidade volta a relacionar estradas e custos do agro; plano reúne 2.837 projetos e R$ 2,03 trilhões, com 54,2% dos recursos previstos para ferrovias.

Caminhões carregados circulam pela BR-163 em região de produção agrícola
Caminhões transportam produtos agrícolas pela BR-163, em Rondonópolis, Mato Grosso, em março de 2009.Foto: Roosevelt Pinheiro / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) voltou a apontar nesta quinta-feira (5) os gargalos que pressionam o escoamento agrícola. O alerta reúne rodovias em más condições, custos logísticos elevados e uma longa lista de investimentos pendentes. Para o produtor, o problema aparece no frete e no preço recebido pela safra.

A Pesquisa CNT de Rodovias classificou 62,1% dos trechos avaliados como regulares, ruins ou péssimos. O dado é de 2025 e continua sendo a referência mais recente apresentada pela entidade. Outros 37,9% estavam em condições boas ou ótimas.

Plano estima R$ 2,03 trilhões em projetos

O Plano CNT de Transporte e Logística 2026 reúne 2.837 projetos considerados prioritários. O investimento estimado é de R$ 2,03 trilhões. Desse total, R$ 1,1 trilhão está previsto para o modal ferroviário, o equivalente a 54,2% da carteira.

O modal rodoviário reúne R$ 511,5 bilhões, ou 25,2%. Ferrovias e rodovias, portanto, concentram quase 80% dos recursos indicados. A distribuição mostra a intenção de ampliar alternativas à dependência do caminhão, não apenas recuperar o pavimento existente.

Ferrovia concentra mais da metade da carteira de investimentos Distribuição dos R$ 2,03 trilhões do Plano CNT 2026 por modal

Modal Investimento previsto Participação calculada
Ferroviário R$ 1,1 tri 54,2%
Rodoviário R$ 511,5 bi 25,2%
Hidroviário R$ 173,1 bi 8,5%
Portuário R$ 125,1 bi 6,2%
Demais categorias R$ 74,6 bi 3,7%

Fonte: Plano CNT de Transporte e Logística 2026. Participações e soma das demais categorias calculadas pela redação; valores arredondados.

A carteira inclui 152 obras de duplicação de rodovias, com quase 10,3 mil quilômetros. Esses projetos somam aproximadamente R$ 163,4 bilhões. Há ainda 90 projetos em áreas portuárias, envolvendo 137 unidades e cerca de R$ 22,7 bilhões.

Do total de projetos, 2.509 tratam de integração nacional, incluindo grandes rotas e ligações com países vizinhos. Outros 328 são voltados à mobilidade urbana. O agro aparece principalmente na primeira parcela, que conecta regiões produtoras, centros consumidores e pontos de exportação.

Custo logístico avançou mais que a economia

Os custos logísticos passaram de 10,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 para 15,5% em 2025. PIB é a soma dos bens e serviços produzidos no país. O aumento de 5,1 pontos percentuais reforça a perda de eficiência apontada pela CNT.

O transporte rodoviário responde por 65,8% da matriz brasileira de cargas. A comparação internacional feita pela entidade mostra participação de 50% na União Europeia, 43% nos Estados Unidos, 35% na China e 27% na Austrália. São estruturas econômicas distintas, mas o contraste ajuda a medir a dependência brasileira.

A concentração torna o agro especialmente sensível a diesel, pedágio e conservação das estradas. Em outubro, a CNT informou alta de 15,26% do diesel em 2026. Lubrificantes e pedágios também subiram, aumentando a pressão sobre o transporte de grãos e insumos.

Investimento precisa sair do diagnóstico

A CNT defende recomposição dos investimentos públicos e novas fontes de financiamento. O plano incorpora projetos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Plano Nacional de Logística 2035. A entidade também considera necessário ambiente regulatório estável para executar as obras.

Os valores são estimativas de necessidade, não orçamento aprovado nem cronograma de desembolso. Separar esse ponto é essencial. O plano indica prioridades, mas não garante que todos os projetos serão realizados nem quando chegarão às regiões produtoras.

O que diz a CNT: A entidade afirma que a infraestrutura deficiente reduz a competitividade do setor produtivo e defende integração entre os modos de transporte. O presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, vincula o planejamento à redução de custos e a uma infraestrutura mais resiliente e sustentável.

O novo alerta repete um diagnóstico conhecido, mas coloca números sobre a dimensão da tarefa. A execução de ferrovias, recuperação de rodovias e integração com portos definirá se o custo deixa de pesar sobre a produção. Até lá, a condição das estradas continua influenciando a conta do agro.

Como fizemos: Reunimos o alerta publicado em 5/11/2026, a Pesquisa CNT de Rodovias e o Plano CNT 2026. Calculamos as participações por modal e a diferença de 5,1 pontos percentuais no custo logístico. Os dados têm anos distintos, e a carteira representa necessidades estimadas, não investimento contratado.

Fontes