Agronegócio

Milho recupera US$ 4,40 em Chicago, mas B3 segue mista

Dezembro subiu 1 cent após abrir em queda; produção americana de etanol cresceu 2,2%, mas oferta ampla e contratos divergentes limitam a reação.

Lavoura de milho com plantas verdes em Extrema, Minas Gerais
Lavoura de milho em Extrema, Minas Gerais, em 29 de janeiro de 2015; imagem de arquivo.Foto: Carlos Ebert / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O milho dezembro recuperou o patamar de US$ 4,40 por bushel em Chicago na tarde desta sexta-feira (6). Às 13h59, o contrato subia 1 cent, para US$ 4,41. A reação veio depois da abertura em US$ 4,3950 e da queda registrada na quinta-feira.

Na Bolsa Brasileira (B3), porém, os contratos não seguiram uma direção única. Às 14h07, novembro e janeiro recuavam, março tinha leve alta e maio também caía. O contraste mostra que indicadores favoráveis à demanda ainda convivem com expectativa de oferta elevada.

Recuperação não alcança todos os contratos

O bushel é a unidade usada nas negociações americanas de grãos. Na B3, a referência é a saca de 60 quilos. Os dois mercados também diferem por câmbio, condições regionais e posição de cada vencimento.

Milho tem reação limitada em Chicago e sinais mistos na B3 Cotações entre 13h59 e 14h07 de sexta-feira (6)

Mercado e vencimento Preço Variação
Chicago, dezembro/2026 US$ 4,4100/bushel +1,00 cent
Chicago, julho/2027 US$ 4,7025/bushel -0,50 cent
B3, novembro/2026 R$ 66,95/saca -0,24%
B3, março/2027 R$ 75,37/saca +0,09%
B3, maio/2027 R$ 74,39/saca -0,17%

Fonte: Notícias Agrícolas, com dados da Bolsa de Chicago e da B3. Valores intradiários não representam o fechamento.

A alta de 1 cent em dezembro equivale a cerca de 0,23% sobre o preço informado. Na B3, a oscilação máxima entre os três contratos citados ficou abaixo de 0,25% em módulo. São movimentos pequenos, insuficientes para definir uma reversão depois das perdas recentes.

Demanda americana oferece suporte

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou vendas líquidas de aproximadamente 1,29 milhão de toneladas de milho para 2026/27. O dado se refere à semana encerrada em 29 de outubro. Negócios privados com México e Coreia do Sul também entraram no radar.

A produção de etanol americano chegou a 1,143 milhão de barris diários na semana até 30 de outubro. Foram 25 mil barris a mais por dia, alta de cerca de 2,2% sobre a semana anterior. O biocombustível usa milho como matéria-prima nos Estados Unidos.

As exportações americanas de etanol também avançaram. Passaram de 116 mil para 147 mil barris diários, aumento de aproximadamente 26,7%. Ao mesmo tempo, os estoques caíram 89 mil barris na semana, para 24,434 milhões. O volume ainda superava em 1,779 milhão o registrado um ano antes.

Esse conjunto exige uma leitura dupla. Produção e exportações maiores indicam atividade aquecida. O estoque acima do ano anterior impede concluir que o mercado esteja sem produto. Nem toda expansão do etanol se converte imediatamente em alta do milho.

Oferta ampla segue no radar

A StoneX estima a produção americana em aproximadamente 16,2 bilhões de bushels. A projeção é da consultoria e pode mudar. O próximo relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para terça-feira (10), trará novas referências oficiais.

No Brasil, Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, avalia que o milho disponível pode encontrar um fundo de preço ainda em novembro. Ele projeta possível recuperação a partir de dezembro, mas isso é cenário de mercado, não preço garantido.

Para a segunda safra, a colheita mais cedo da soja pode antecipar o plantio. Palavro menciona possibilidade de entrada de milho novo em maio de 2027 no Centro-Oeste, caso o clima coopere. A janela depende da colheita efetiva e das chuvas.

O que dizem Pátria e EIA: A Pátria vê possibilidade de fundo para o milho disponível em novembro e recuperação a partir de dezembro. A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) informou alta semanal na produção e nas exportações de etanol, com pequena redução dos estoques.

O fechamento da B3 e de Chicago mostrará se a recuperação resistirá. Para o produtor, a decisão de venda precisa considerar o preço físico local, o câmbio e o calendário da próxima safra. Os dados de demanda ajudam, mas ainda não eliminam o peso da oferta.

Como fizemos: Comparamos cotações das duas bolsas e os relatórios semanais de vendas e etanol. Dividimos os aumentos de 25 mil e 31 mil barris diários pelos valores anteriores para obter 2,2% e 26,7%. Não tratamos projeções de consultoria ou de analista como fechamento de preço.

Fontes