Agronegócio

Arábica e robusta sobem, mas não apagam queda semanal

Arábica subiu 0,72% e robusta avançou 0,71% na tarde; chegada de café brasileiro à ICE ainda depende de classificação para ampliar estoques certificados.

Frutos vermelhos maduros de café agrupados em ramo com folhas verdes
Frutos maduros de café fotografados em 29 de julho de 2025; imagem de arquivo.Foto: Hannes Wilms / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O café arábica subia 0,72% em Nova York às 14h03 desta sexta-feira (6), enquanto o robusta avançava 0,71% em Londres. A reação tenta interromper três pregões de queda do arábica. O robusta caminha para o terceiro fechamento seguido de alta.

O contrato dezembro do arábica chegou a US$ 2,8250 por libra-peso na máxima do dia. Depois, recuou para US$ 2,7915. Mesmo com a recuperação, o vencimento ainda acumulava perda superior a 5% entre terça e quinta-feira. Um pregão positivo não confirma mudança de tendência.

Altas alcançam os dois mercados

O arábica abriu a sessão em US$ 2,7835 por libra-peso e ampliou os ganhos ao longo da tarde. Os contratos seguintes também subiam, com avanços entre 1,30 e 1,70 cent. A libra-peso equivale a cerca de 454 gramas.

Café avança em Nova York e Londres Cotações acompanhadas às 14h03 de sexta-feira (6)

Contrato Preço Variação
Arábica dezembro/2026 279,15 cents/libra +0,72%
Arábica março/2027 270,95 cents/libra +1,70 cent
Robusta janeiro/2027 US$ 3.264/tonelada +0,71%
Robusta março/2027 US$ 3.236/tonelada +US$ 17

Fonte: Notícias Agrícolas, com dados das bolsas ICE Futures US e ICE Futures Europe. As cotações ainda podiam mudar até o fechamento.

Entre a máxima e a cotação das 14h03, o arábica devolveu 3,35 cents por libra-peso. A diferença equivale a cerca de 1,2% do preço máximo. O recuo dentro da própria sessão reforça a volatilidade e aconselha cautela antes do fechamento.

O movimento dos dois cafés tem explicações diferentes. O arábica reage depois de perdas recentes, mas enfrenta expectativa de mais oferta brasileira. O robusta recebe apoio da revisão da safra indiana, embora a colheita vietnamita avance e aumente a disponibilidade.

Café brasileiro ainda passa por classificação

Os estoques de café brasileiro nas estruturas monitoradas pela ICE chegaram a 83.678 sacas na quinta-feira (5), maior nível em mais de nove meses. Na terça (3), outras 55.396 sacas aguardavam inspeção, segundo informações da bolsa repercutidas pela Reuters.

Essa espera impede somar automaticamente toda a chegada ao estoque disponível para entrega. O café precisa passar pela classificação exigida pela bolsa antes de ser certificado. O procedimento separa produto armazenado de volume apto a cumprir os contratos.

O estoque certificado total de arábica estava em 220.379 sacas na terça-feira. O nível ficava pouco acima das 217.646 sacas de 15 de setembro, menor marca em 27 anos. Assim, a entrada brasileira alivia a perspectiva futura, mas ainda não representa recomposição completa dos estoques certificados.

Índia reduz safra, e câmbio influencia vendas

O Conselho do Café da Índia cortou a projeção de 2026/27 de 400 mil para 380 mil toneladas. São 20 mil toneladas a menos, redução de 5%. O órgão atribuiu a revisão às chuvas de monção abaixo do normal, segundo a Reuters.

No Brasil, o câmbio também interfere na comercialização. A Hedgepoint Global Markets avalia que o real desvalorizado estimulou vendas, pois aumenta a receita em moeda nacional para cada dólar exportado. Esse estímulo pode conviver com preços internacionais mais fracos.

A consultoria vê condições favoráveis para a safra brasileira 2027/28, mas mantém o El Niño e a distribuição das chuvas entre os riscos. Fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal do Pacífico, o El Niño pode alterar o regime de chuvas nas áreas cafeeiras.

O que dizem Coffee Board e Hedgepoint: O Conselho do Café da Índia reduziu sua estimativa em 5% por causa das chuvas abaixo do normal. A Hedgepoint aponta estímulo do câmbio às vendas brasileiras e condições favoráveis à próxima safra, sem descartar os riscos climáticos.

O fechamento desta sexta mostrará quanto da alta resistirá. Para o cafeicultor, câmbio e preço físico regional completam a referência das bolsas. Estoques certificados, classificação do café brasileiro e avanço da colheita vietnamita serão os próximos sinais relevantes.

Como fizemos: Comparamos os preços intradiários das duas bolsas e separamos estoques armazenados, sacas em inspeção e volume certificado. Calculamos a redução indiana de 20 mil toneladas e os 3,35 cents devolvidos pelo arábica desde a máxima. Não tratamos a alta da tarde como recuperação integral da perda semanal.

Fontes