Soja reage nos contratos próximos, mas segue abaixo de US$ 12
Janeiro subiu 1,50 cent em Chicago após quatro quedas; China respondeu por cerca de 60% das vendas semanais americanas, mas fundos e oferta limitam o otimismo.

Os contratos mais próximos da soja voltaram a subir em Chicago na tarde desta sexta-feira (6), depois de quatro pregões de queda. Às 13h51, janeiro de 2027 avançava 1,50 cent, para US$ 11,8975 por bushel. Os vencimentos mais longos, porém, continuavam em baixa.
A reação devolveu o contrato janeiro ao campo positivo após a abertura em US$ 11,8750. Ainda assim, o vencimento permaneceu abaixo de US$ 12. O bushel é a unidade de peso usada nas cotações americanas de grãos. Os preços são referências financeiras, não o valor pago em cada praça brasileira.
Recuperação perde força nos vencimentos longos
Novembro de 2026 subia 1,25 cent no mesmo horário. Março de 2027 recuava 0,25 cent, enquanto julho perdia 2,25 cents. A diferença entre os contratos mostra uma tentativa limitada de estabilização, e não uma alta uniforme da curva futura.
Soja tem altas nos contratos próximos e baixas nos longos Cotações na Bolsa de Chicago às 13h51 de sexta-feira (6)
| Vencimento | Preço por bushel | Variação |
|---|---|---|
| Novembro/2026 | US$ 11,8225 | +1,25 cent |
| Janeiro/2027 | US$ 11,8975 | +1,50 cent |
| Março/2027 | US$ 11,9600 | -0,25 cent |
| Maio/2027 | US$ 12,0475 | -1,50 cent |
| Julho/2027 | US$ 12,1225 | -2,25 cents |
Fonte: Notícias Agrícolas, com dados da Bolsa de Chicago. Valores acompanhavam o pregão e podiam mudar até o fechamento.
A sequência de quatro quedas ajuda a dimensionar a alta de 1,50 cent. Ela equivale a pouco mais de um décimo de 1% sobre o preço de janeiro. Para o produtor, o movimento intradiário precisa ser lido junto com câmbio, prêmio de exportação e frete.
Julho estava 22,5 cents acima de janeiro, apesar da queda no contrato mais longo. A diferença entre vencimentos mostra que o mercado mantinha preços maiores para entregas posteriores. Essa estrutura reúne expectativas e condições de cada contrato, sem assegurar a cotação futura.
China sustenta demanda, mas fundos ainda pesam
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) registrou vendas líquidas de 1,456 milhão de toneladas na semana encerrada em 29 de outubro. O volume caiu 44% frente à semana anterior. Mesmo assim, ficou 16,63% acima do mesmo período de 2025, segundo comparação divulgada pelo mercado.
A China respondeu por aproximadamente 874 mil toneladas. Isso representa cerca de 60% das vendas líquidas americanas informadas pelo USDA. A concentração mostra a importância do comprador, mas uma semana não define a trajetória da demanda para toda a safra.
O diretor da Pátria Agronegócios, Cristiano Palavro, chamou atenção para a posição dos fundos. Eles chegaram a manter cerca de 260 mil contratos líquidos comprados. A exposição atual estimada ficou entre 180 mil e 184 mil, ainda elevada após vendas recentes.
Uma posição comprada representa aposta na alta dos preços. Se os fundos reduzirem esses contratos, as vendas podem pressionar as cotações. Palavro avalia que esse risco persiste perto do fim da colheita americana.
Oferta ampla mantém cautela antes do USDA
A StoneX elevou a projeção para a safra americana a 4,725 bilhões de bushels. Para o Brasil, estima 184,95 milhões de toneladas. São previsões da consultoria, não números oficiais nem garantia de produção.
O próximo relatório de oferta e demanda do USDA está previsto para terça-feira (10). O documento pode revisar produção e estoques americanos. Até lá, chuvas brasileiras, relações comerciais e movimentação dos fundos seguem no radar.
O que dizem Pátria e USDA: Cristiano Palavro avalia que a demanda chinesa segue relevante, mas alerta para novas liquidações dos fundos. O USDA informou 1,456 milhão de toneladas em vendas líquidas na semana até 29 de outubro, queda de 44% sobre a semana anterior.
No Brasil, a alta recente do dólar ofereceu algum suporte aos preços em reais, segundo Palavro. Esse efeito não compensou integralmente as perdas internacionais. A reação desta sexta melhora a referência imediata, mas ainda não confirma reversão da tendência.
Como fizemos: Comparamos as cotações de cinco vencimentos às 13h51 de 6/11/2026 e o relatório semanal do USDA. Calculamos a participação chinesa nas vendas e a diferença de 22,5 cents entre julho e janeiro. Não transformamos preços intradiários em fechamento nem projeções em produção garantida.
Fontes
- Cotações da soja e análise de mercado — Notícias Agrícolas (acesso em 06/11/2026)
- Weekly Highlights, vendas para exportação — USDA (acesso em 06/11/2026)
- Plantação de soja em Brasnorte — Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR) (acesso em 06/11/2026)



