Tomate chega a R$ 15 no RS durante troca de safras
Preço do longa vida subiu 30,43% em uma semana na Ceasa/RS; nova colheita pode aliviar o atacado, mas ritmo depende da maturação dos frutos.

O quilo do tomate longa vida chegou a R$ 15 na Central de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa/RS). A cotação de terça-feira (3) marcou o maior valor da série histórica da central. O preço ficou 30,43% acima dos R$ 11,50 registrados uma semana antes.
O boletim da central voltou a indicar R$ 15 na quinta-feira (5), com faixa de R$ 14 a R$ 16,50 conforme a classificação. A Emater/RS-Ascar relaciona o salto à entressafra e ao atraso da maturação. A alta no atacado não corresponde automaticamente ao preço recebido pelo produtor nem ao valor final no varejo.
Oferta antiga acabou antes da nova entrar
Os cultivos mais antigos do Sudeste já foram colhidos. As novas áreas ainda não entregam volume suficiente ao mercado. No Rio Grande do Sul, a produção local também passa por entressafra, período entre o fim de um ciclo e a entrada do seguinte.
As temperaturas amenas da primavera agravaram essa defasagem. O desenvolvimento mais lento das plantas adiou a maturação dos frutos. Assim, o problema combina calendário de produção e clima, não uma decisão única de produtores ou comerciantes.
Tomate tem preços altos em diferentes praças Cotações por quilo informadas entre terça (3) e quinta-feira (5)
| Mercado e padrão | Preço |
|---|---|
| Ceasa/RS, longa vida, terça-feira | R$ 15,00 |
| Ceasa de Campinas, Carmem e Débora Extra | R$ 12,50 |
| Ceagesp, Carmem 3A | R$ 13,98 |
| Ceagesp, Débora 3A | R$ 13,89 |
Fonte: Emater/RS-Ascar, Ceasa/RS e cotações compiladas pelo Notícias Agrícolas. Variedades e classificações diferentes impedem uma comparação direta.
A página que reúne os boletins da Ceasa/RS calcula média de R$ 5,61 por quilo nos últimos 24 meses. O valor atual é cerca de 2,7 vezes essa referência. A série reúne dados do Prohort e cotações diárias recentes, o que exige cautela na comparação histórica.
Na comparação semanal, o aumento foi de R$ 3,50 por quilo. Uma compra de dez quilos no mesmo padrão ficaria R$ 35 mais cara. A conta ilustra o efeito para restaurantes e pequenos comerciantes, sem prever quanto cada varejista repassará ao consumidor.
O Prohort é o programa federal de horticultura que reúne referências de preços. A mudança recente na montagem da série impede tratar a média como índice oficial de inflação. Ela serve como contexto para a excepcionalidade da cotação atual, não para medir o aumento geral do custo de vida.
Recorde no RS não significa escassez igual no país
A valorização também aparece em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, segundo a Emater. Isso mostra alcance nacional da oferta restrita. Mesmo assim, cada central registra variedades, classificações e datas próprias. Não há um único preço brasileiro do tomate.
O tamanho do mercado gaúcho aumenta a relevância do movimento. O tomate é o produto de maior volume comercializado na Ceasa/RS. A central avalia que valores muito altos podem estimular compradores a substituir o produto e limitar novas altas.
Outras hortaliças seguem outro caminho. Folhosas e brássicas, grupo que inclui couve e brócolis, tiveram boa disponibilidade e qualidade na central gaúcha. Entre 35 produtos acompanhados, 12 caíram, nove subiram e 14 ficaram estáveis. O tomate foi o único com alta superior a 25% na semana.
A Ceasa/RS considera pouco provável que o longa vida supere R$ 15 no mercado gaúcho. A expectativa depende da entrada efetiva da nova produção. Se a maturação voltar a atrasar, o alívio também pode demorar.
O que dizem Emater e Ceasa/RS: A Emater atribui os preços elevados à transição entre ciclos e às temperaturas amenas, que atrasaram colheitas. A Ceasa prevê possível redução nas próximas semanas, condicionada à chegada da nova produção e à reação dos compradores.
O consumidor ainda encontrará preços diferentes entre atacado, feira e supermercado. Para o produtor, a cotação alta não mede sozinha a margem, pois há custos, perdas e classificação dos frutos. As próximas cotações mostrarão se a nova safra confirma a expectativa de alívio.
Como fizemos: Comparamos o Informativo Conjuntural da Emater, cotações da Ceasa/RS e referências de Campinas e da Ceagesp publicadas até 6/11/2026. Calculamos a razão entre R$ 15 e a média de R$ 5,61, além da diferença de R$ 3,50 na semana e seu efeito em dez quilos. Não comparamos padrões comerciais diferentes como se fossem o mesmo produto.
Fontes
- Recorde do tomate longa vida e análise da oferta — Notícias Agrícolas/Emater (acesso em 06/11/2026)
- Cotações de preços — Ceasa/RS (acesso em 06/11/2026)
- Boletim e histórico do tomate na Ceasa/RS — Calculadora Rural (acesso em 06/11/2026)
- Tomates em feira livre — Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0) (acesso em 06/11/2026)



