Crédito rural

Juros futuros disparam, e a conta do Plano Safra pode subir

O DI de 2029 fechou em 15,25% após a eleição. Os juros do Plano Safra são fixos, mas o custo do subsídio e o crédito com recursos livres sentem a alta.

Edifício-sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, visto de frente
Edifício-sede do Banco Central, em Brasília, onde o Comitê de Política Monetária define a taxa Selic.Foto: Banco Central do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na segunda-feira (26), um dia depois do segundo turno, os juros futuros dispararam. O contrato de DI com vencimento em janeiro de 2029 fechou às 18h em 15,250% ao ano. Pelas contas do próprio índice, a taxa partia de 12,595%. A alta foi de 2,655 pontos percentuais (p.p.) em um dia.

Juros subiram em todos os prazos, e o curto subiu bem menos Taxa anual no fechamento de 26/10/2026, em % ao ano, e variação em pontos percentuais

Contrato de DI Taxa Variação
Janeiro de 2027 13,723% +0,248 p.p.
Janeiro de 2028 14,905% +2,080 p.p.
Janeiro de 2029 15,250% +2,655 p.p.
Janeiro de 2031 15,240% +2,665 p.p.

Fonte: InfoMoney, cobertura ao vivo de 26/10/2026, fechamento às 18h. Elaboração: redação.

Os prazos curtos subiram menos. A Selic, a taxa básica de juros, está em 13,75% desde a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de 16 de setembro. O contrato de janeiro de 2027 ficou perto dela. O de 2029 ficou 1,50 p.p. acima.

Por que o prazo longo reagiu mais

O contrato de DI é um contrato de juros negociado na B3, a Bolsa brasileira. Ele usa a taxa DI, a média dos juros que os bancos cobram entre si, calculada pela própria B3. O preço do contrato mostra o juro que o mercado espera para uma data futura. Quando o preço cai, a taxa sobe.

Quanto mais longo o prazo, mais ele reflete expectativas para anos à frente. Dúvidas sobre as contas públicas e a inflação pesam mais nesse trecho. Segundo a CNN Brasil, a estrategista Rebecca Nossig, da Nomad, atribui a queda ao descompasso entre as expectativas do mercado e o resultado das urnas.

O Tesouro Nacional também agiu. Segundo o InfoMoney, anunciou a recompra de até 15 milhões de títulos prefixados e comprou cerca de R$ 7,1 bilhões em papéis de 5, 7 e 10 anos. A redação não localizou o comunicado oficial do órgão.

O que muda para o crédito rural

O Plano Safra 2026/27 vai de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2027. Suas linhas têm juros fixados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A Moderfrota empresarial, para máquinas, está em 12,5% ao ano. A Inovagro, para tecnologia, está em 11,5%. Ambas caíram 1 ponto percentual, segundo a Agência Estado.

O produtor paga a taxa da linha. Quando o banco capta mais caro do que essa taxa, o Tesouro paga a diferença. Esse subsídio se chama equalização, e as regras estão na Portaria MF nº 2.170, de 22 de julho de 2026. Pelo desenho da regra, a taxa de um contrato já assinado não acompanha a alta de hoje. Vale confirmar cada contrato com o banco.

A Selic entra nessa conta. Segundo a CNN Brasil, o custo de captação das linhas com LCA, a Letra de Crédito do Agronegócio, usa na maioria dos casos um percentual da Selic média. Segundo o Atlas Público, o custo para o Tesouro chega a R$ 18,1 bilhões no ciclo, 35% acima do anterior.

Crédito feito com recursos livres dos bancos, sem subsídio, tem preço que cada banco negocia. Ele pode subir com o custo de captação, e não há dado público sobre quanto desse crédito será afetado. Já a CPR, Cédula do Produto Rural, título em que o produtor promete entregar a safra, pode ter taxa fixa ou flutuante. A Lei 8.929, de 1994, exige que o título informe qual é.

O que diz o Ministério da Fazenda: As regras da equalização estão na Portaria MF nº 2.170, publicada no Diário Oficial da União em 23 de julho de 2026. A redação não contatou a pasta antes desta publicação, e não localizou manifestação sobre a alta desta segunda-feira.

O que isso significa

Hoje são conhecidos a Selic de 13,75%, o DI de 2029 em 15,25% e as taxas do Plano Safra 2026/27. Estão em aberto a trajetória da Selic e as regras do próximo ciclo. O Copom se reúne em 3 e 4 de novembro e em 8 e 9 de dezembro, segundo o calendário divulgado pela B3. O InfoMoney informou que o mercado passou a precificar alta da Selic em novembro.

O Boletim Focus, pesquisa do Banco Central com analistas, mantém em 13,25% a projeção para o fim de 2026, segundo o InfoMoney. O próximo Plano Safra, o de 2027/28, começa em 1º de julho de 2027. Suas taxas ainda não foram definidas.

Para o produtor, a diferença entre o contrato já feito e o que vem é o prazo. Títulos e ações podem perder valor, e pânicos de mercado podem se aprofundar. Este texto não é recomendação de investimento.

Como fizemos: Usamos a cobertura ao vivo do InfoMoney e a reportagem da CNN Brasil, ambas de 26/10/2026, acessadas no mesmo dia. A definição do contrato DI vem da B3. A Portaria MF nº 2.170 foi lida por resumos e reportagens, porque o PDF oficial não abriu como texto. A Selic de 13,75% vem da cobertura do Copom, sem o comunicado oficial. Cálculos próprios: 15,250% − 2,655 p.p. = 12,595%; 15,250% − 13,75% = 1,50 p.p. Divergências: a CNN dá 14,8% para janeiro de 2028 e 15,185% para janeiro de 2031; o InfoMoney, 14,905% e 15,240%. O InfoMoney também cita o Tesouro Prefixado 2032 a 15,78%, em um momento do dia, mas não conseguimos confirmar essa taxa nas tabelas do Tesouro Direto.

Fontes