Política agrícola

Flávio promete pedir anulação, e TSE diz que resultado não mudou

Flávio não reconhece a vitória de Lula por 4,4 milhões de votos e pede anulação; o TSE diz que a prorrogação da votação não alterou o resultado.

Sede do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília, com as cúpulas de concreto sob céu azul
Sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, em foto de dezembro de 2025.Foto: Luiz Roberto / TSE / Wikimedia Commons (domínio público)

No domingo (25), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, com 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) disse que não reconhece o resultado e que vai pedir a anulação da eleição.

Os totais finais são 64.256.232 votos para Lula e 59.826.041 para Flávio. A diferença é de 4.430.191 votos, ou 3,58 pontos percentuais, segundo o ND Mais. O ponto central da contestação é a extensão do horário de votação, e o registro mostra o que ela fez e o que não fez.

O que Flávio alega

Pouco depois das 17h, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin estendeu a votação até as 19h. A decisão atendeu a um pedido da campanha de Lula, que apontou falta de ônibus e filas em São Paulo e Salvador, segundo a CNN Brasil.

Flávio disse que a medida criou tratamento desigual entre eleitores de regiões diferentes. Segundo a CNN Brasil, ele afirmou: “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto em que essas coisas aconteceram”. Em seguida: “Vamos pedir a anulação dessas eleições”.

Ele também disse, sem apresentar provas, que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre do TSE, segundo o Midiamax.

O que diz Flávio Bolsonaro (PL): “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto em que essas coisas aconteceram”, afirmou, segundo a CNN Brasil. Ele não disse quando nem em qual instância fará o pedido de anulação. Não localizamos resposta formal da campanha até a publicação.

O que mostra o registro

A campanha de Lula pediu prorrogação às 13h22 para zonas com problemas de transporte, e depois ampliou o pedido para o país inteiro. A campanha de Flávio pediu, às 15h50, prorrogação em 19 cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina atingidas pela chuva, segundo a Exame. O próprio PL, portanto, também pediu mais tempo de votação.

Às 17h03, Zanin decidiu. Às 17h06, o TSE interrompeu a apuração, com 0,25% das urnas contadas. Depois, Zanin esclareceu que a extensão valia só para as seções que ainda estavam abertas. O TSE comunicou a prorrogação apenas a essas seções, segundo a Exame e a CNN Brasil.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reconheceu que a decisão criou dificuldades. Milhares de urnas já estavam fechadas e não podiam ser reabertas, por isso o tribunal bloqueou o recebimento dos Boletins de Urna. Ele disse: “não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”, segundo a CNN Brasil.

Sobre a sala-cofre, o TSE respondeu que a afirmação é falsa. Segundo o tribunal, a sala não recebe visitas, e dois fiscais do PL acompanharam o teste das urnas e a totalização no domingo, de acordo com o Midiamax.

O que ainda não foi mostrado

Até o fechamento deste texto, não localizamos nenhum documento público que mostre mudança de votos por causa da prorrogação. A contestação de Flávio trata do horário e da fiscalização. Não apresenta uma contagem diferente da que o TSE divulgou.

O problema concreto do dia foi o transporte e a chuva, e não a urna em si. Os dois pedidos citaram esses fatores. Os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, reconheceram a vitória de Lula, segundo o Midiamax.

Flávio disse que vai pedir a anulação, mas não definiu prazo nem tribunal. O pedido terá de passar pela Justiça Eleitoral. Enquanto isso, o resultado divulgado pelo TSE é o que vale, e a prorrogação não aparece, até agora, como causa de qualquer mudança nos votos.

Como fizemos: Usamos a CNN Brasil, o Midiamax, a Exame, o ND Mais, o Vatican News e a Infomoney, com acesso em 26/10/2026. Os totais finais são os publicados pelo ND Mais como resultado do TSE. Parciais de 99,99% registravam números ligeiramente diferentes, de 64.255.541 e 59.825.679 votos, segundo o Midiamax. A diferença de 4.430.191 votos foi calculada pela redação a partir dos totais finais. O painel de resultados do TSE não exibia dados na nossa consulta, então não conferimos os números diretamente nele.

Fontes