Política agrícola

Câmara, Senado e OAB defendem o resultado; Flávio quer anulação

Motta e Alcolumbre reconhecem a vitória de Lula, e a OAB pede respeito às urnas. O TSE diz que a prorrogação da votação não mudou a contagem.

Fachada curva de vidro e metal do edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, com flores em primeiro plano
Edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, em foto de dezembro de 2025.Foto: Luiz Roberto / TSE / Wikimedia Commons (domínio público)

No domingo (25), Lula foi reeleito presidente com cerca de 51,8% dos votos válidos. A diferença foi de 4,4 milhões de votos, segundo a CNN Brasil. Na noite de domingo, Flávio Bolsonaro (Partido Liberal, PL) disse que não reconhece o resultado e vai pedir a anulação da eleição.

O principal alvo da contestação é uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele ampliou a votação até as 19h, quando o fim previsto era às 17h. Esta reportagem reúne o que disseram as instituições e as lideranças até a segunda-feira (26).

A ordem saiu depois das 17h, horário previsto para o fim da votação. Segundo a Rádio Senado, o pedido partiu da campanha de Lula e citava problemas de transporte de eleitores em vários estados. A primeira versão falava em “seções de todo o Brasil”. Zanin depois esclareceu que a extensão valia apenas “nos locais onde as urnas não foram fechadas”.

O que disseram as instituições

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou que a decisão não mudou a contagem. Ao mesmo tempo, reconheceu que ela “gerou dificuldades ao processo eleitoral”, segundo o Metrópoles. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e os presidentes do Congresso também se manifestaram. A tabela reúne as declarações publicadas até a segunda-feira.

Quem falou e o que disse Declarações publicadas em 25 e 26 de outubro de 2026

Quem O que disse Data e fonte
TSE, Kassio Nunes Marques “Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial.” 25/10, A Gazeta
STF, Cristiano Zanin A extensão vale “nos locais onde as urnas não foram fechadas” 25/10, Rádio Senado
OAB, Beto Simonetti “Encerrada a votação, o respeito à decisão das urnas deve prevalecer sobre as divergências políticas.” 25/10, site da OAB
Câmara, Hugo Motta “O povo é soberano e, através das urnas, fez a sua escolha.” 25/10, Gazeta do Povo
Senado, Davi Alcolumbre “Nós precisamos ter a compreensão de que o nosso país dividido não é bom para o povo brasileiro” 25/10, Agência Senado
Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (Progressistas) “Eu respeito muito decisões que são dadas pelas nossas instituições.” 26/10, A Crítica
Campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN) “Decisão vergonhosa e intempestiva de um ministro do Stf que era advogado do atual presidente” 25/10, Exame (post na rede X)

Fonte: reportagens e páginas citadas em Fontes. Elaboração: redação.

A OAB, pelo presidente nacional Beto Simonetti, não citou a prorrogação. A entidade pediu respeito ao resultado. Na noite de domingo, os presidentes da Câmara e do Senado falaram juntos. Alcolumbre afirmou que o Congresso atuará pela pacificação, segundo a Agência Senado.

Marinho chamou a decisão de “vergonhosa e intempestiva” em publicação no X, a antiga rede Twitter. O deputado Marcel van Hatten (Novo-RS) anunciou que vai protocolar pedido de impeachment de Zanin. A CNN Brasil não confirmou o protocolo do pedido.

No Centro-Oeste, o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (Progressistas), disse na segunda-feira (26) que respeita a vitória de Lula. Ele afirmou, porém, que Flávio pode contestar o resultado na Justiça.

Os números da contestação

Dados do TSE compilados pelo portal setup.news e citados pela CNN Brasil mostram 34.330 votos depois das 17h. Nossa conta: esse número equivale a cerca de 0,8% da diferença de 4,4 milhões de votos.

O número não mostra se algum voto mudou de lado. Ele mostra, porém, a escala do que está em disputa. Flávio diz que nunca saberá quantos votos teria num estado onde as urnas não foram reabertas, segundo o Infomoney.

O que diz Flávio Bolsonaro: Na noite de domingo (25), disse que “é impossível reconhecer o resultado dessa eleição” e que “vamos pedir a anulação dessas eleições”, segundo o Infomoney. Para ele, a decisão de Zanin “muda a regra do jogo no meio do jogo”, segundo a CNN Brasil. A redação não contatou a campanha; o texto usa declarações já publicadas.

O que isso significa

As instituições que se pronunciaram até agora falam em respeito ao resultado. A contestação de Flávio se apoia em dois pontos: o horário da decisão e a desigualdade entre eleitores de regiões diferentes. Os dados citados pela CNN mostram que os votos depois das 17h foram poucos diante da diferença final.

Seguem em aberto o pedido de anulação, a validade da decisão de Zanin e o eventual pedido de impeachment. Até a publicação, não encontramos nas reportagens consultadas o protocolo formal da anulação, nem decisão do TSE ou do STF sobre ela.

A discussão começou pelo transporte de eleitores em cidades de vários estados. Nas reportagens e páginas consultadas, não encontramos manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a prorrogação. Também não localizamos declarações, após o resultado, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ou da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

Como fizemos: Reunimos declarações publicadas em 25 e 26/10/2026 por Metrópoles, A Gazeta, Infomoney, CNN Brasil, Exame, Gazeta do Povo, A Crítica e Rádio Senado, além de páginas da OAB, do STF e da Agência Senado, acessadas em 26/10/2026. Conferimos as citações nas páginas publicadas; não lemos a íntegra da nota de Zanin nem a fala de Kassio em vídeo. O cálculo próprio divide 34.330 votos pela diferença de 4,4 milhões, o que dá cerca de 0,8%. O total de votos depois das 17h não é divulgação oficial do TSE: vem de compilação citada pela CNN Brasil.

Fontes