Política agrícola

Boletim de urna de cada seção permite conferir o total do TSE

Cada seção imprime um boletim com os votos. O TSE publica esses boletins, e qualquer eleitor ou partido pode comparar com o total oficial.

Tiras de boletins de urna penduradas em uma parede, com placas da 155ª e da 156ª zonas eleitorais
Boletins de urna expostos por zona eleitoral em Feira de Santana (BA), em foto de 2022.Foto: Albertoleoncio / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Lula teve 51,79% dos votos válidos no segundo turno de 25 de outubro, segundo o Poder360. Para conferir uma eleição, o ponto de partida é um papel pequeno: o boletim de urna (BU).

Como o boletim é impresso e conferido

Ao fim da votação, a urna imprime o BU de cada seção, com os votos por candidato, em branco e nulos. O papel sai assinado pelo presidente da mesa e por representantes dos partidos, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

Uma via fica afixada na porta da seção. Outras vão para os fiscais dos partidos, que somam os boletins por conta própria e comparam com o total do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo o Jovem Pan.

Cada BU traz um QR Code, que o celular lê com os aplicativos Boletim na Mão ou e-Título. Os boletins ficam no portal de resultados do TSE, em “Arquivos de Urna”, segundo o MPF.

A apuração é a contagem feita pela urna, na seção. A totalização é a soma feita pelo TSE. “A totalização não é uma nova contagem”, diz o MPF.

O TSE confirmou a vitória de Lula às 21h08, com 97% das urnas apuradas e 51,74% dos votos, segundo O Liberal. O Poder360 registrou 51,79%. A conta muda porque as seções entram aos poucos.

Áreas remotas e testes

Nas cidades pequenas e no campo, o BU também precisa chegar ao TSE. As urnas não estão ligadas à internet, e a transmissão começa depois da votação, segundo o Canaltech. O TSE contratou até 1.113 terminais Starlink, de satélite, em 13 estados.

No Maranhão, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA) previa antenas em 66 locais de difícil acesso, como ilhas e aldeias indígenas. Sem elas, os dados teriam de ser levados fisicamente até um ponto com conexão, o que atrasaria o envio, segundo o Minha Operadora.

O Teste de Integridade ocorre no dia da votação. Urnas sorteadas recebem votos de cédulas de papel, e o BU impresso ao fim do dia é comparado com eles, segundo O Liberal.

Em 2022, o Tribunal de Contas da União (TCU) sorteou 4.161 BUs para conferir com a totalização. Até 27 de outubro daquele ano, segundo o próprio tribunal, não havia divergências. O Teste Público de Segurança (TPS), criado em 2009, busca falhas com especialistas. Em maio de 2026, o TSE disse que nenhuma verificação encontrou falhas capazes de comprometer o sigilo do voto ou o resultado, segundo O Povo.

Prorrogação e boletins são perguntas diferentes

A prorrogação é outra questão. Segundo o Juristas, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), estendeu a votação até as 19h só nas seções ainda abertas às 17h. O Poder360 diz que a medida valeu para o país todo, após relatos de transporte insuficiente na Bahia.

As reportagens divergem sobre quem pediu a extensão. O Poder360 cita pedidos do PT e do PL. O Liberal diz que foi a campanha de Flávio Bolsonaro, em cinco estados.

Para cumprir a decisão, o TSE bloqueou temporariamente o recebimento dos BUs, segundo o Juristas. Nunes Marques disse que a decisão “gerou dificuldades ao processo eleitoral”, segundo o Metrópoles. Flávio afirmou que “é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto”, segundo o Poder360.

O que diz o TSE: Em 28 de julho de 2026, a Corte se manifestou que nenhuma verificação do Teste Público de Segurança comprometeu o sigilo do voto ou alterou o resultado, segundo O Povo. Sobre a prorrogação, Nunes Marques disse, segundo o Metrópoles, que a decisão não alterou o resultado da eleição.

Os dois assuntos são diferentes. Um trata de quando a votação terminou em algumas seções. O outro trata de saber se cada total publicado bate com o boletim impresso pela urna, e só o BU responde a isso.

Esta reportagem não encontrou relatório público que compare os BUs do segundo turno com os totais, nem decisão sobre o pedido de anulação. Para quem vive no interior, o caminho de conferência é o mesmo: o papel na porta e o portal do TSE.

Como fizemos: Usamos reportagens publicadas entre julho e outubro de 2026, o texto do MPF de 12/10/2026 e uma página do TCU sobre a auditoria de 2022, acessados em 26/10/2026. Os percentuais vêm de Poder360 e O Liberal, em momentos diferentes da apuração. Não conseguimos abrir os sites do TSE durante a redação, por isso não citamos páginas oficiais do tribunal.

Fontes