Crédito rural

BB já renegociou R$ 3,3 bi em dívidas rurais; meta é de R$ 20 bi

Até terça (20), o BB tinha renegociado R$ 3,3 bi de dívidas rurais. O prazo para fechar novas operações vai até 12 de novembro.

Fachada do edifício-sede do Banco do Brasil, em Brasília
Edifício-sede do Banco do Brasil, em Brasília; foto de arquivo.Foto: Fernando Bizerra / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Banco do Brasil (BB) tinha renegociado R$ 3,3 bilhões em dívidas rurais até terça-feira (20), segundo balanço publicado pela Globo Rural. A meta do banco é passar de R$ 20 bilhões até 12 de novembro, prazo final para contratar as operações.

Os números mostram que o caminho ainda é longo. Os R$ 3,3 bilhões equivalem a cerca de 16,5% da meta, pelas contas da redação. O restante depende de propostas que ainda estão em análise.

O que já foi renegociado

A base legal é a Medida Provisória (MP) 1.376/2026, publicada em 15 de julho. Uma MP passa a valer logo após a publicação, antes de o Congresso votar. A medida reorganiza dívidas de produtores rurais e cooperativas afetados por clima ou queda de preços.

Dos R$ 15,9 bilhões citados pelo banco, R$ 3,3 bilhões já foram renegociados. Outros R$ 6,5 bilhões tiveram a documentação analisada, em quase 6,3 mil operações. Mais R$ 6,1 bilhões são propostas iniciais que chegaram às agências.

O total nacional é menor. O Banco Central contabilizou R$ 10,17 bilhões renegociados pela MP até 20 de outubro, somando todos os bancos. A parcela do BB equivale a cerca de 32% desse valor, pelas contas da redação.

O governo identificou um potencial de R$ 120 bilhões. Até agora, a MP alcançou menos de 10% desse valor, segundo o Globo Rural.

Quem fica de fora

A adesão não é automática. Os produtores precisam comprovar perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025, com queda mínima de 30% na renda bruta esperada. Eles também devem mostrar a ligação entre as perdas e a atividade financiada.

Na amostra da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), 88,3% do saldo devedor ficou fora das regras. A amostra tem R$ 93 milhões em contratos de produtores que se ofereceram para participar, por isso não representa o estado inteiro. Segundo a federação, a Cédula de Produto Rural (CPR), título ligado à venda da safra, fica de fora das linhas com juros controlados de 6% a 12% ao ano.

No BB, a adesão de inadimplentes ficou abaixo do esperado. Inadimplente é quem está com pagamento atrasado. Segundo o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar, Gilson Bittencourt, a demanda subiu depois que a linha passou a incluir produtores em dia com financiamentos prorrogados.

Bittencourt também afirmou que “O principal público atendido são grandes produtores”. Para ele, quem ficar para trás terá mais dificuldade para encontrar uma solução.

O atraso no agro é alto. No fim do primeiro semestre, 6,27% da carteira do setor no banco tinha atraso acima de 90 dias. São cerca de R$ 26,4 bilhões de um total de R$ 421,5 bilhões. O agronegócio equivale a um terço da carteira total do BB.

O que diz o Banco do Brasil: O vice-presidente Gilson Bittencourt disse que a MP não deve reduzir de imediato a inadimplência do agronegócio do banco, com estabilização prevista para o quarto trimestre. As declarações foram publicadas pela Globo Rural e pela Notícias Agrícolas em 21 de outubro.

O que vem a seguir

Para chegar a R$ 20 bilhões, o BB precisa de mais R$ 16,7 bilhões além dos já renegociados. As propostas em análise somam R$ 12,6 bilhões. A conta só fecha se novos pedidos entrarem até 12 de novembro.

Os dados publicados não mostram quantas dessas propostas viram contrato. Segundo a Globo Rural, muitos produtores inadimplentes informaram ao banco que não tentariam a renegociação. O balanço final, depois de 12 de novembro, deve responder à primeira pergunta.

Como fizemos: Usamos o balanço do BB publicado pela Globo Rural em 21/10/2026 (republicado pelo NovaCana), e as reportagens da CNN Brasil (20/10/2026) e da Notícias Agrícolas (21/10/2026), acessadas em 24/10/2026. Os valores do BB e do Banco Central (R$ 10,17 bilhões) são de até terça-feira (20/10). Cálculos da redação: R$ 3,3 bi dividido por R$ 20 bi dá 16,5%; R$ 3,3 bi dividido por R$ 10,17 bi dá cerca de 32%; R$ 20 bi menos R$ 3,3 bi dá R$ 16,7 bi. A soma de R$ 15,9 bi é R$ 3,3 bi + R$ 6,5 bi + R$ 6,1 bi, e os R$ 9,8 bi de pré-análise citados em outra reportagem equivalem a R$ 3,3 bi + R$ 6,5 bi. A amostra da Farsul (R$ 93 milhões) não representa o estado. A posição do banco vem de declarações públicas, não de resposta a perguntas da redação.

Fontes