Agronegócio

Arábica cai quase 3% no início de outubro e volta a subir

O indicador Cepea/Esalq do arábica caiu a R$ 1.531,88 por saca em 9 de outubro e voltou a R$ 1.620,92 em 21 de outubro, ainda abaixo de fevereiro.

Folhas de cafeeiro em primeiro plano, com fundo escuro e luzes desfocadas, em cafezal de café arábica
Folhas de cafeeiro arábica no Instituto Biológico, em São Paulo, fotografadas em janeiro de 2025.Foto: Gilberto Marques / Secretaria da Agricultura do Estado de SP / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 9 de outubro, o café arábica caiu para R$ 1.531,88 por saca, o menor valor do mês até aqui. Em 21 de outubro, o preço voltou a R$ 1.620,92. A queda do começo do mês existiu, mas o acumulado de outubro já está em alta.

O número vem do indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ligado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP). Ele mede o preço da saca de 60 quilos de café arábica tipo 6, um padrão de classificação do grão, em São Paulo.

O preço já vinha em queda antes de outubro. Em fevereiro, a média mensal foi de R$ 1.864,51, segundo o Cepea. Em março, o instituto apontou como principal causa a projeção de uma colheita recorde no Brasil na safra 2026/27.

Em setembro, o indicador caiu 9,81% e fechou em R$ 1.576,85. Segundo a Agrolink, que cita o Cepea, a baixa veio com o fim da colheita e o ajuste da produção brasileira. Também pesou a recuperação dos estoques certificados na bolsa de Nova York, ou seja, café já classificado e pronto para entrega.

Queda curta e recuperação

A tabela mostra o movimento. Entre 30 de setembro e 9 de outubro, o preço recuou 2,85%. Depois disso, subiu em sete dias úteis seguidos, até 21 de outubro. No mês, a alta acumulada chega a 2,79%.

Arábica caiu no início de outubro e subiu depois do dia 9 Valor por saca de 60 kg, em reais, na cidade de São Paulo, 2026

Data R$ por saca Variação
Fevereiro (média) 1.864,51 —
30/09 1.576,85 -9,81% em setembro
09/10 1.531,88 -2,85% em outubro
21/10 1.620,92 +2,79% em outubro

Fonte: Cepea/Esalq. Elaboração: redação.

Até a publicação deste texto, não localizamos explicação do Cepea para a alta de outubro. A análise citada pela Agrolink é de 30 de setembro e não trata desse período.

O que muda no bolso do produtor

Para quem vende 100 sacas, a diferença entre 30 de setembro e 9 de outubro foi de R$ 4.497 a menos. Entre 9 e 21 de outubro, a recuperação somou R$ 8.904 a mais. São contas da redação com base nos valores do Cepea, sem frete, armazenagem ou custos de produção.

Mesmo após a alta, a saca de 21 de outubro valia R$ 243,59 a menos que a média de fevereiro, 13,1% abaixo. O preço caiu e voltou, mas ainda não recuperou o nível do começo do ano. Quem precisa vender para pagar insumos ou dívidas sente cada oscilação de forma direta.

Clima segue no radar

O preço não é a única preocupação. A florada, quando o cafeeiro abre as flores, depende de chuva. Em setembro, o calor intenso e a ausência de chuvas passaram a preocupar os cafeicultores quanto ao pegamento das flores, segundo a Agrolink. Pegamento é a fixação das flores, etapa que antecede a formação dos frutos. O risco climático para a florada tem reportagem própria neste site.

O que isso significa

Os números mostram um mercado oscilando, não uma queda contínua em outubro. O preço caiu quase 3% até o dia 9 e, em 21 de outubro, ficou 2,79% acima do fechamento de 30 de setembro. Dois pontos seguem em aberto: o tamanho da safra 2026/27 e o clima na florada. São os dois fatores que o Cepea e a Agrolink destacam nas análises citadas aqui.

O que diz o Cepea: Segundo a Agrolink, que cita o instituto, a queda de setembro veio com o fim da colheita e o ajuste da produção brasileira. No site do indicador, o Cepea avisa que não se responsabiliza por decisões tomadas com base no conteúdo que divulga.

Como fizemos: Usamos o indicador Cepea/Esalq do café arábica tipo 6, em São Paulo, em reais por saca de 60 quilos, com dados de 30 de setembro a 21 de outubro de 2026, acessados em 22 de outubro de 2026. Os valores não foram corrigidos pela inflação, porque o intervalo é curto. Os cálculos por 100 sacas e a comparação com a média de fevereiro são nossos. A média mensal de fevereiro foi comparada a um preço diário, o que pode distorcer a diferença.

Fontes