Agronegócio

China limita embargo a 14 plantas de SC; México suspende todo o Brasil

Após foco de Newcastle em granja de perus, a China suspendeu 14 das 61 plantas habilitadas de Santa Catarina. Chile também restringe só o estado.

Trabalhadores de uniforme e protetor auricular movem caixas sobre uma esteira metálica em câmara fria
Equipe manuseia caixas em câmara fria no envio do primeiro contêiner de frango para a China, em Boituva (SP), em 2020. Foto de arquivo, não é de Santa Catarina.Foto: Daniel Guimarães / AgriculturaSP / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na segunda-feira (19), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou um foco de doença de Newcastle em uma granja de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. Na terça-feira (20), a China decidiu suspender a compra de frango de 14 plantas catarinenses. As demais plantas do país seguem habilitadas para vender à China.

A doença de Newcastle é uma infecção viral que atinge aves. Segundo a Agência Brasil, reproduzida pelo Poder360, ela pode causar problemas respiratórios, nervosos e alta mortalidade, conforme a variante do vírus. A granja tinha cerca de 6 mil perus, e nenhuma ave saiu da propriedade, segundo o ministro André de Paula.

Quanto de Santa Catarina está em jogo

Santa Catarina respondeu por cerca de 23% do volume e 25% da receita das vendas brasileiras de carne de aves entre janeiro e maio de 2026, segundo o Boca. A China é um destino menor, mas relevante. De janeiro a setembro, ela comprou cerca de 10% do frango exportado pelo Brasil, ou 420 mil toneladas, segundo dados do governo citados pela Reuters.

A China habilita 61 plantas brasileiras para exportar frango. Com a decisão, 14 delas, ou cerca de 23%, ficam de fora. A conta é nossa, a partir dos números informados pela reportagem.

Quem limitou a compra de frango brasileiro após o foco Situação em 20 de outubro de 2026, por país

Destino Alcance da restrição
China 14 plantas de Santa Catarina; 47 seguem habilitadas
Chile Apenas Santa Catarina
México Todo o Brasil

Fonte: BPMoney e Boca, com informações do Mapa. Elaboração: redação.

O Chile restringiu apenas Santa Catarina, incluindo carne de ave fresca, ovos férteis e pintinhos. O México decidiu, também na segunda-feira (19), suspender a importação de produtos avícolas de todo o Brasil, segundo a BPMoney.

O que diz o Mapa: O ministro André de Paula disse que “o consumo dessa carne não traz nenhum risco às pessoas”. Rafael Requião, da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, afirmou: “Nossa meta é tranquilizar os países parceiros”. As falas foram dadas à imprensa em 19 de outubro, segundo o SBT News e o DGABC.

O que o caso de 2024 mostra

Em julho de 2024, um foco de Newcastle em Anta Gorda, no Rio Grande do Sul, levou o país a suspender as vendas de frango. A suspensão inicialmente afetou todo o Brasil. Segundo analistas do Citi, citados pelo Boca, a China limitou a restrição ao estado 26 dias depois.

O embargo ao Rio Grande do Sul durou mais. A China só reabriu o mercado ao estado em 16 de janeiro de 2026, cerca de um ano e meio depois. Oito frigoríficos gaúchos voltaram a poder vender, segundo o Mercado&Consumo, com base em comunicado conjunto da alfândega chinesa (GACC) e do Mapa.

O que isso significa

Segundo analistas do Citi, a decisão chinesa reconhece a capacidade de vigilância e de contenção do Brasil. A diferença entre um embargo estadual e um nacional é grande. Se a China estendesse a restrição a todo o país, o efeito recairia sobre as 47 plantas que hoje seguem habilitadas. O prejuízo final depende de quanto tempo a restrição durar. Nas fontes consultadas, não há prazo anunciado para a China rever a decisão.

O governo pediu à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) que reduza o prazo de 90 dias para o país recuperar a condição de livre da doença. A mudança ainda não foi aprovada, segundo o SBT News. Para o setor, o ponto a acompanhar é a decisão final da China e a eventual mudança das restrições do México e do Chile.

Como fizemos: Usamos o comunicado do Mapa, reproduzido pela Agência Brasil no Poder360, e as reportagens do SBT News, do DGABC, da BPMoney, do Boca, do Mercado&Consumo e da Forbes Agro (com texto da Reuters), todas acessadas em 21/10/2026. Calculamos a participação de Santa Catarina nas plantas habilitadas (14 de 61, cerca de 23%) e o prazo do caso gaúcho, de julho de 2024 a 16/01/2026, cerca de 18 meses. Não encontramos dados oficiais de exportação de outubro nas fontes consultadas, e a situação pode mudar com novas decisões da China, do Chile ou do México.

Fontes