Agronegócio

Agro exporta US$ 15,17 bi em setembro; China cresce e EUA caem

As exportações do agro somaram US$ 15,17 bi em setembro. No 1º semestre, a China ficou com 35% da receita e os EUA caíram para 6%.

Grãos de soja caem de um equipamento metálico sobre uma pilha grande, sob uma estrutura coberta por lona
Soja sendo descarregada sobre uma pilha de grãos, em foto de arquivo de 2008.Foto: Roosevelt Pinheiro / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

As exportações do agronegócio somaram US$ 15,17 bilhões em setembro de 2026. O valor ficou 1,9% acima do mesmo mês de 2025. O crescimento é pequeno, por isso a pergunta mais útil é outra: quem está comprando.

Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), reunidos pela Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (FAESP). Entre janeiro e junho de 2026, a China ficou com 35% da receita do agro brasileiro no exterior, segundo o Itaú BBA. Os Estados Unidos (EUA) ficaram com 6%, contra 8% um ano antes.

A tarifa americana: o que mudou

Em 6 de agosto de 2025, o governo dos Estados Unidos passou a cobrar sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros. Tarifa é o imposto cobrado quando um produto entra no país. Café e carnes estavam entre os mais atingidos.

Em 14 de novembro de 2025, Washington tirou a taxa de 10% sobre café e carne bovina, mas manteve a de 40%, segundo o Poder360. Em 20 de novembro, outro decreto retirou a taxa de 40% de parte dos produtos agrícolas, com efeito desde 13 de novembro, segundo a Forbes Brasil.

Setembro: o agro vende mais, mas perde peso

As exportações totais do país subiram 12,9% em setembro, para US$ 34,42 bilhões. Com isso, a fatia do agro caiu de 48,8% para 44,1% do total exportado. Esse cálculo é nosso, a partir dos totais publicados.

Dentro do agro, os produtos andaram em direções opostas. A soja em grão subiu 11,9%, e o café verde, 8,7%. O milho caiu 17,6%, por menor competitividade no mercado externo, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP. A carne bovina in natura, ou seja, sem processamento, caiu 30,6%.

O milho já tinha subido 23,5% em setembro de 2025, quando somou US$ 1,52 bilhão, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A queda de agora, portanto, vem de uma base alta.

China e Estados Unidos: quem compra e quem saiu

A China é o principal cliente. No primeiro semestre, comprou US$ 31 bilhões em produtos do agro, alta de 10,5%. Esses valores são FOB, o que quer dizer sem frete e sem seguro. Quase 70% da soja exportada foi para a China.

Os EUA compraram US$ 5 bilhões, queda de 25,2%. Pela nossa conta, isso equivale a cerca de US$ 1,7 bilhão a menos que no mesmo semestre de 2025. A fatia chinesa subiu 1 ponto percentual, de 34% para 35%. A queda americana coincide com a sobretaxa, mas os dados não isolam o efeito dela sobre cada produto.

No estado de São Paulo, o quadro é parecido. De janeiro a setembro, a China respondeu por 24,9% das vendas do agro paulista, e os EUA por 10,4%, segundo a FAESP. As vendas para os EUA recuaram 24,8% na comparação com o mesmo período de 2025.

Outubro ainda é parcial

Até a terceira semana de outubro, as exportações totais somaram US$ 21,04 bilhões. O total subiu 33,5% ante o mesmo período de 2025, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do MDIC. A agropecuária, que reúne produtos do campo sem processamento, vendeu US$ 4,09 bilhões, alta de 21%.

O que diz a Secex: Em informativo publicado em 19 de outubro de 2026, a secretaria informou que os dados de outubro são parciais. A próxima divulgação está marcada para 26 de outubro.

O que isso significa

De janeiro a setembro, o agro exportou US$ 133,60 bilhões, alta de 5,5%, segundo a FAESP. O campo vende mais em valor neste ano. Mas pesa menos no total das exportações do país.

A China segue como cliente central, com uma fatia que cresceu pouco. Os Estados Unidos perderam espaço, e a queda coincide com a sobretaxa. O balanço fechado de outubro dirá se essa tendência se mantém.

Como fizemos: Usamos dados do MDIC para setembro e para a parcial de outubro, divulgada em 19/10/2026, além do relatório da FAESP sobre setembro, da nota do Mapa sobre setembro de 2025 e do Itaú BBA sobre o primeiro semestre de 2026, acessados em 23/10/2026. Os valores são nominais, sem correção pela inflação, porque as comparações são com o mesmo período do ano anterior. Calculamos a fatia do agro, a fatia de 2025 a partir da alta de 12,9% no total, e a perda dos EUA (US$ 5 bilhões dividido por 0,748, menos US$ 5 bilhões). Não conseguimos abrir o texto completo da nota do Mapa de setembro de 2026, e os números por produto vêm do relatório da FAESP. Os dados de outubro são preliminares e podem ser revisados.

Fontes