Agro exporta US$ 15,17 bi em setembro; China cresce e EUA caem
As exportações do agro somaram US$ 15,17 bi em setembro. No 1º semestre, a China ficou com 35% da receita e os EUA caíram para 6%.

As exportações do agronegócio somaram US$ 15,17 bilhões em setembro de 2026. O valor ficou 1,9% acima do mesmo mês de 2025. O crescimento é pequeno, por isso a pergunta mais útil é outra: quem está comprando.
Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), reunidos pela Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (FAESP). Entre janeiro e junho de 2026, a China ficou com 35% da receita do agro brasileiro no exterior, segundo o Itaú BBA. Os Estados Unidos (EUA) ficaram com 6%, contra 8% um ano antes.
A tarifa americana: o que mudou
Em 6 de agosto de 2025, o governo dos Estados Unidos passou a cobrar sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros. Tarifa é o imposto cobrado quando um produto entra no país. Café e carnes estavam entre os mais atingidos.
Em 14 de novembro de 2025, Washington tirou a taxa de 10% sobre café e carne bovina, mas manteve a de 40%, segundo o Poder360. Em 20 de novembro, outro decreto retirou a taxa de 40% de parte dos produtos agrícolas, com efeito desde 13 de novembro, segundo a Forbes Brasil.
Setembro: o agro vende mais, mas perde peso
As exportações totais do país subiram 12,9% em setembro, para US$ 34,42 bilhões. Com isso, a fatia do agro caiu de 48,8% para 44,1% do total exportado. Esse cálculo é nosso, a partir dos totais publicados.
Dentro do agro, os produtos andaram em direções opostas. A soja em grão subiu 11,9%, e o café verde, 8,7%. O milho caiu 17,6%, por menor competitividade no mercado externo, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP. A carne bovina in natura, ou seja, sem processamento, caiu 30,6%.
O milho já tinha subido 23,5% em setembro de 2025, quando somou US$ 1,52 bilhão, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A queda de agora, portanto, vem de uma base alta.
China e Estados Unidos: quem compra e quem saiu
A China é o principal cliente. No primeiro semestre, comprou US$ 31 bilhões em produtos do agro, alta de 10,5%. Esses valores são FOB, o que quer dizer sem frete e sem seguro. Quase 70% da soja exportada foi para a China.
Os EUA compraram US$ 5 bilhões, queda de 25,2%. Pela nossa conta, isso equivale a cerca de US$ 1,7 bilhão a menos que no mesmo semestre de 2025. A fatia chinesa subiu 1 ponto percentual, de 34% para 35%. A queda americana coincide com a sobretaxa, mas os dados não isolam o efeito dela sobre cada produto.
No estado de São Paulo, o quadro é parecido. De janeiro a setembro, a China respondeu por 24,9% das vendas do agro paulista, e os EUA por 10,4%, segundo a FAESP. As vendas para os EUA recuaram 24,8% na comparação com o mesmo período de 2025.
Outubro ainda é parcial
Até a terceira semana de outubro, as exportações totais somaram US$ 21,04 bilhões. O total subiu 33,5% ante o mesmo período de 2025, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do MDIC. A agropecuária, que reúne produtos do campo sem processamento, vendeu US$ 4,09 bilhões, alta de 21%.
O que diz a Secex: Em informativo publicado em 19 de outubro de 2026, a secretaria informou que os dados de outubro são parciais. A próxima divulgação está marcada para 26 de outubro.
O que isso significa
De janeiro a setembro, o agro exportou US$ 133,60 bilhões, alta de 5,5%, segundo a FAESP. O campo vende mais em valor neste ano. Mas pesa menos no total das exportações do país.
A China segue como cliente central, com uma fatia que cresceu pouco. Os Estados Unidos perderam espaço, e a queda coincide com a sobretaxa. O balanço fechado de outubro dirá se essa tendência se mantém.
Como fizemos: Usamos dados do MDIC para setembro e para a parcial de outubro, divulgada em 19/10/2026, além do relatório da FAESP sobre setembro, da nota do Mapa sobre setembro de 2025 e do Itaú BBA sobre o primeiro semestre de 2026, acessados em 23/10/2026. Os valores são nominais, sem correção pela inflação, porque as comparações são com o mesmo período do ano anterior. Calculamos a fatia do agro, a fatia de 2025 a partir da alta de 12,9% no total, e a perda dos EUA (US$ 5 bilhões dividido por 0,748, menos US$ 5 bilhões). Não conseguimos abrir o texto completo da nota do Mapa de setembro de 2026, e os números por produto vêm do relatório da FAESP. Os dados de outubro são preliminares e podem ser revisados.
Fontes
- Informativo nº 048/2026 — resultados parciais da balança comercial de outubro, MDIC/Secex (acesso em 23/10/2026)
- Balança comercial registra superávit de US$ 2,661 bilhões na 3ª semana de outubro — Diário do Grande ABC (acesso em 23/10/2026)
- Exportações do agronegócio crescem 1,9% em setembro, com destaque para o complexo soja — Agrolink, com dados do relatório da FAESP/Senar-SP (acesso em 23/10/2026)
- Agronegócio registra recorde de exportações em setembro — Revista Cultivar, com dados do Mapa (setembro de 2025)
- Exportações do agro batem recorde no primeiro semestre — Revista Cultivar, com dados do Itaú BBA (janeiro a junho de 2026)
- Trump reduz tarifas de importação sobre carne, café e frutas — Poder360
- EUA eliminam tarifa de 40% e reabrem mercado para agro brasileiro — Forbes Brasil



