Agronegócio

Carne bovina reage em outubro, mas segue nos menores níveis do ano

Média diária sobe 5,5% sobre setembro, segundo a Safras, mas a China segue quase fora do mercado e os Estados Unidos ganham espaço.

Bovinos brancos e cinzas pastando em campo verde, com palmeiras e serra ao fundo
Bovinos da raça nelore em pasto em Campos Belos (GO), em fevereiro de 2014.Foto: Carlos Ebert / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Os embarques brasileiros de carne bovina reagiram em outubro, mas seguem em níveis baixos. Segundo a Safras & Mercado, a média diária chegou a 9,80 mil toneladas nos primeiros 11 dias úteis do mês, cerca de 5,5% acima de setembro. Ainda assim, esse ritmo está cerca de 26% abaixo do pico de julho, de 13,32 mil toneladas por dia.

Outra leitura, com apenas sete dias úteis, é mais fraca: 8,76 mil toneladas por dia, queda de cerca de 40% sobre outubro de 2025, segundo o Seu Crédito Digital. As duas medições usam cortes de datas diferentes, por isso não devem ser comparadas diretamente.

A China explica boa parte da queda. Desde 1º de janeiro, ela aplica cota de 1,106 milhão de toneladas à carne bovina brasileira. Acima dela, a carne paga 12% de tarifa normal mais 55 pontos percentuais de sobretaxa, ou 67% no total, segundo a Abiec e a CNA.

Quem compra no lugar da China

Os dados de setembro, último mês fechado, mostram a troca de destino. Os Estados Unidos ampliaram as compras, enquanto a China quase saiu das compras.

Exportações de carne bovina em setembro de 2026, por destino Mil toneladas e variação sobre setembro de 2025

Destino Mil toneladas Variação
Total do país 229,3 −35,1%
Estados Unidos 48,3 +389%
China 12,9 −93,2%

Fonte: Abiec, com dados do MDIC, via A Crítica. Estados Unidos incluem carne processada. Elaboração: redação.

Pela conta de volumes, a China comprou cerca de 177 mil toneladas a menos que em setembro de 2025. Os Estados Unidos compraram cerca de 38 mil toneladas a mais no mesmo período. Nenhum comprador repôs o volume chinês.

Na fatia do total de setembro, a China caiu para cerca de 6%, e os Estados Unidos chegaram a cerca de 21%, cálculo próprio com os dados da Abiec. A conta mostra uma mudança de destino, e não uma substituição completa.

O preço médio parcial de outubro ficou em US$ 6,16 por quilo, ante US$ 6,28 em setembro, segundo o Seu Crédito Digital. Na nossa conta, a queda é de cerca de 2%, pequena diante da perda de volume. Os dados de preço são parciais e podem mudar até o fechamento do mês.

Segundo a Abiec, outros mercados aliviam a queda, mas ainda não substituem a demanda da China. Frigoríficos e governo já discutem calendários para distribuir a cota de 2027, para evitar interrupções nos contratos.

O que diz a Abiec: O presidente da entidade, Roberto Perosa, afirmou: “Reduzimos em cerca de 90% os embarques para a China.” Segundo ele, outros mercados ajudam, mas não substituem a demanda chinesa, segundo reportagem do A Crítica.

O que falta para fechar outubro

Os dados de destino de outubro ainda não estão publicados nas fontes consultadas. Por isso, a leitura por país se apoia nos números de setembro. Os volumes diários de outubro ainda são parciais.

Em 10 de agosto, o governo chinês informou que as importações brasileiras já somavam 995,4 mil toneladas, ou 90% da cota de 1,106 milhão, segundo o Mundo Coop.

O que isso significa

Outubro mostra recuperação frente a setembro, mas em patamar baixo. A China segue quase fora das compras, e a discussão sobre as cotas de 2027 já começou. Os Estados Unidos ganham espaço, mas sem repor o volume perdido.

Como fizemos: Usamos dados de exportação de setembro de 2026 da Abiec, com base no MDIC, via A Crítica, e dados parciais de outubro do Seu Crédito Digital (15/10/2026, sete dias úteis) e da Safras & Mercado (11 dias úteis), lidos em resumo na CompreRural. Todas as fontes foram acessadas em 21/10/2026. Calculamos a variação de volume, a variação de preço (cerca de −2%), as fatias por destino e a diferença por destino: a China tinha cerca de 190 mil toneladas em setembro de 2025 e os Estados Unidos cerca de 10 mil, a partir das quedas e altas informadas. Os volumes não são corrigidos pela inflação, e os destinos de outubro não estão disponíveis nas fontes consultadas.

Fontes