Agronegócio

Abiove prevê menos soja exportada em 2027 e receita recorde

A Abiove projeta 113 milhões de toneladas de soja exportadas em 2027, 0,8% menos, mas receita recorde de US$ 69,3 bilhões com preços mais altos.

Imagem de satélite mostra talhões de soja em Primavera do Leste, em Mato Grosso
Imagem de satélite de lavouras de soja perto de Primavera do Leste (MT); imagem de arquivo.Imagem de satélite: SentinelHub / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) projeta que o Brasil exportará 113 milhões de toneladas de soja em 2027. É uma queda de 0,8% em relação a 2026. Mesmo assim, a receita do complexo soja deve bater recorde, de US$ 69,3 bilhões. A estimativa foi divulgada na quinta-feira (22).

O complexo soja reúne três produtos: o grão, o farelo e o óleo. O farelo é o resíduo sólido que sobra depois da extração do óleo. Ele é usado sobretudo na ração de animais. O recorde anterior de receita foi de US$ 67,3 bilhões, em 2023, segundo a Reuters. Para 2026, a Abiove estima US$ 60,3 bilhões.

O volume exportado de 2026, de 113,9 milhões de toneladas, também é recorde. Em 2025, foram 108,18 milhões. O esmagamento, nome técnico para o processamento da soja em farelo e óleo, deve chegar a 66 milhões de toneladas em 2027. É um recorde, 3,8% acima de 2026.

Preço, e não volume, puxa a receita

A conta mostra onde está o ganho. A receita sobe de US$ 60,3 bilhões para US$ 69,3 bilhões, uma alta de cerca de 15%. O volume exportado cai 0,8%. Esses percentuais são cálculos nossos, feitos a partir dos números da Abiove.

Segundo a Reuters, a Abiove atribui o recorde a preços mais altos, que devem compensar a queda no volume. A soja em grão deve render US$ 56,5 bilhões. O restante, cerca de US$ 12,8 bilhões, vem de farelo e óleo, pelas contas da redação.

Mais soja processada no país

Parte da soja deixa de sair como grão e é processada aqui dentro. A Abiove prevê 50,8 milhões de toneladas de farelo e 13,27 milhões de toneladas de óleo em 2027. O consumo interno de farelo deve subir 7,4%, para 23,1 milhões de toneladas. A exportação de farelo deve bater recorde, de 26,3 milhões de toneladas.

Do óleo, 7,8 milhões de toneladas devem ir para o biodiesel, combustível feito a partir de óleos vegetais. A projeção considera que a mistura de biodiesel ao diesel suba de 15% para 16%, o B16, em março. Daniel Furlan Amaral, diretor de economia e assuntos regulatórios da Abiove, afirmou: “O forte ritmo de esmagamento reflete a resposta ágil da nossa indústria à crescente demanda nacional por farelo.”

O que diz a Abiove: A entidade projeta a queda nas exportações e atribui o recorde de receita a preços mais altos, segundo a Reuters. A estimativa foi publicada em comunicado de 22/10/2026. A redação não enviou perguntas à entidade para esta matéria.

O que muda para o produtor e para o país

Para o produtor, a notícia está no preço. A receita de US$ 69,3 bilhões é das exportações do setor, não da lavoura. A projeção não mostra quanto o agricultor recebe pelo grão. A safra de 2027 deve chegar a 181,6 milhões de toneladas, 0,7% a mais, segundo a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) usada pela Abiove.

Para o país, a mudança é de destino. Mais soja vira farelo e óleo aqui, e menos sai como grão. Segundo a Reuters, a Abiove liga a queda nas exportações, possivelmente, a uma maior demanda interna.

Há um ponto em aberto. A previsão de exportação de 2026 caiu 1,1 milhão de toneladas em relação à projeção de setembro. As reportagens consultadas não explicam o motivo.

O que vem a seguir

A projeção é uma estimativa. Ela depende de preços internacionais e de uma safra que ainda não foi colhida. Mesmo assim, aponta uma direção clara: menos soja em grão para o exterior e mais processamento dentro do país.

Como fizemos: Usamos a projeção de oferta e demanda do complexo soja divulgada pela Abiove em 22/10/2026, conforme reportagens da Reuters, Forbes Agro, Brasil 247, AgFeed e Portos e Navios, acessadas em 24/10/2026. O comunicado original não foi localizado no site da entidade. A alta de cerca de 15% da receita, o valor de farelo e óleo por diferença (US$ 12,8 bilhões) e a variação de volume são cálculos nossos. Os valores são nominais, sem correção pela inflação, inclusive o recorde de 2023. São estimativas, que podem mudar com preços e safra.

Fontes