Safra

Só 11% do trigo colhido no Paraná atende aos padrões de moagem

Safras apura 120 mil toneladas aptas entre 1,07 milhão colhido; chuva interrompe trabalho e moinhos pagam mais por lotes de melhor qualidade.

Espigas maduras de trigo em uma lavoura do Paraná sob céu azul
Lavoura de trigo no Paraná fotografada em 9 de novembro de 2014; imagem de arquivo.Foto: Darlan Baluta / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Apenas 120 mil toneladas do trigo colhido no Paraná atendem aos padrões de moagem, segundo levantamento da Safras & Mercado divulgado nesta sexta-feira (6). O volume equivale a 11,2% de 1,07 milhão de toneladas colhidas. O resultado mostra que a quantidade colhida não significa oferta disponível para a indústria de alimentos.

A colheita alcançou cerca de 60% da área prevista no estado. As chuvas persistentes interromperam o trabalho e aumentaram a preocupação com as lavouras ainda no campo. A consultoria afirma que os moinhos disputam os lotes de melhor qualidade.

Maioria fica fora das exigências

A classificação considera o número de queda (FN), indicador usado para avaliar a qualidade industrial do grão. Também mede a deoxinivalenol (DON), uma substância tóxica produzida por fungos. As 120 mil toneladas aptas têm FN acima de 250 e DON de até 2.000 partes por bilhão.

Outras 220 mil toneladas apresentam qualidade intermediária. Cerca de 730 mil toneladas, ou 68% do total, têm FN abaixo de 220 e DON acima de 3.500 partes por bilhão. Esses lotes ficam fora das exigências da indústria, segundo a Safras.

Só um pequeno grupo atende à moagem Distribuição do trigo colhido no Paraná por faixa de qualidade

Classificação Volume Participação
Atende aos padrões de moagem 120 mil t 11,2%
Qualidade intermediária 220 mil t 20,6%
Fora das exigências da indústria 730 mil t 68,2%

Fonte: Safras & Mercado. Participações calculadas pela redação sobre 1,07 milhão de toneladas; valores arredondados.

O levantamento também aponta 16% do volume como trigo Tipo 1, com peso hectolítrico de 78. Esse índice mede a densidade do grão. As categorias não devem ser confundidas: atender ao Tipo 1 não resume todos os critérios de moagem apresentados pela consultoria.

Qualidade muda o preço

Em Porto Alegre, a indicação para trigo de qualidade subiu R$ 30 por tonelada na semana, para R$ 1.510, com frete e seguro incluídos. O produto de qualidade inferior, direcionado a outros usos, tinha indicação de R$ 1.210 no porto. A diferença de R$ 300 mostra o prêmio pelo padrão industrial.

Nos Campos Gerais do Paraná, o Tipo 1 permaneceu em R$ 1.600 por tonelada entregue ao moinho. Já o trigo para ração recuou R$ 50, para R$ 1.150 por tonelada entregue em Paranaguá. Alta e queda no mesmo mercado reforçam que a média de preços não descreve todos os lotes.

Os moinhos buscam no Rio Grande do Sul lotes com FN a partir de 230 e DON de até 2.500 partes por bilhão. Há discussão sobre ampliar as tolerâncias, mas ainda não existem preços definidos para essa faixa. Uma mudança de critério não altera a qualidade do grão já colhido.

O que diz a Safras & Mercado: O analista Thiago Oleto afirma que a principal dificuldade é encontrar trigo com qualidade adequada à moagem. Segundo ele, o Tipo 1 está cada vez mais difícil de colher, enquanto os moinhos concentram a procura nos melhores lotes.

A sequência da colheita definirá quanto do volume restante atenderá à indústria. A queda dos preços do trigo argentino para novembro e dezembro também limita altas mais fortes no Brasil. Para o produtor, laudo e classificação serão decisivos; para o moinho, o desafio é transformar volume colhido em matéria-prima utilizável.

Como fizemos: Consultamos o levantamento semanal da Safras & Mercado publicado em 6/11/2026. Dividimos cada faixa de qualidade por 1,07 milhão de toneladas e calculamos a diferença entre indicações de preço. Os dados são estimativas de mercado e não substituem a classificação individual de cada lote.

Fontes