Safra

Chuva em excesso derruba a qualidade do trigo no Paraná e no RS

Deral e Emater mostram a colheita avançando sob chuva. No RS, a produção estimada cai 37,5% em relação a 2025, e o grão perde qualidade.

Ilustração abstrata em tons da marca do Jornal Pau-Brasil, sem pessoas nem lavouras reais
Imagem provisória: ilustração enquanto a foto da colheita do trigo não é publicada.Ilustração: Imagem provisória

No Rio Grande do Sul, a colheita do trigo chegou a 19% da área até 22 de outubro, segundo a Emater/RS-Ascar, órgão de assistência técnica do governo gaúcho. No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) informou 82% da área colhida no boletim de 13 a 19 de outubro. Nos dois estados, a chuva em excesso atrasa o trabalho e pesa sobre o grão.

A chuva frequente e a umidade alta favorecem doenças. Uma delas é a giberela, fungo que ataca a espiga do trigo. Os técnicos gaúchos também registram queda do peso hectolitro (PH), medida de quanto pesa o grão em um volume fixo e indicador de qualidade.

Paraná: a condição das lavouras piora

No boletim do Deral de 15 de outubro, 182 mil hectares ainda aguardavam colheita. Nessa área, 46% estavam em boas condições, 42% em condições médias e 12% em condições ruins, segundo a reportagem da A Rede.

Em 21 de setembro, o mesmo levantamento apontava 64% em boas condições e 7% em condições ruins. Em 24 dias, a parcela boa caiu 18 pontos percentuais, e a parcela ruim subiu 5 pontos. Essa conta é nossa, a partir dos números do Deral.

No boletim de 13 a 19 de outubro, a condição ficou em 45% boa, 42% média e 13% ruim, segundo o Portal do Agronegócio. O Deral diz que parte do trigo colhido fica “abaixo das exigências do mercado”. Em alguns casos, a produção “não deverá ser suficiente para cobrir os custos”.

Em setembro, o Deral já previa 2,13 milhões de toneladas no Estado. O número ficava cerca de 10% abaixo da estimativa inicial, de 2,37 milhões. Uma nova reavaliação está marcada para 29 de outubro.

RS: a área encolhe mais que a produtividade

A Emater/RS-Ascar estima 763.121 hectares de trigo no Estado, na segunda estimativa de 22 de outubro. A área é 34,56% menor que os 1.166.163 hectares de 2025. A produtividade ficou em 2.833 quilos por hectare, contra 2.968 no ano passado.

Na conta da produção, o resultado é de 2,16 milhões de toneladas, contra 3,46 milhões em 2025. A queda é de 37,48%. Quase toda a perda vem da área menor. Em relação à estimativa de plantio, a produtividade até subiu, de 2.701 para 2.833 quilos por hectare.

A qualidade é o ponto de atenção. Segundo a Emater, a qualidade ficou “abaixo das expectativas iniciais em parte das regiões, com redução do Peso Hectolitro (PH)”. Em 8 de outubro, o órgão já dizia que “a continuidade das chuvas também aumentou a preocupação com os parâmetros de qualidade do produto”.

O que isso muda para o país

No Brasil, a Conab estima 5,7 milhões de toneladas de trigo, cerca de 27% abaixo da safra anterior. O boletim Agro Mensal, do Itaú BBA, com dados da Conab, indica 40,3% da área nacional colhida. A reportagem do Agrolink afirma que “a principal preocupação dos agentes do mercado está relacionada à qualidade industrial do cereal”.

A qualidade pesa na importação. Segundo a Revista Cultivar, os moinhos terão de buscar trigo “com qualidade adequada para a moagem” fora do Paraná. Moagem é o processo que transforma o grão em farinha. O Abitrigo, a associação da indústria, prevê importação que pode chegar a 9 milhões de toneladas, segundo a Forbes Brasil.

Na nossa leitura, o grão que não atinge o padrão do moinho amplia a compra de fora. Por isso, a perda de qualidade pesa tanto quanto a perda de volume.

O que diz o Deral: Segundo a Revista Cultivar (24/09/2026), o coordenador Carlos Hugo Winckler Godinho disse que “as temperaturas acima da média e o excesso de chuvas contribuíram para a redução da expectativa”. A redação não contatou o Deral antes desta publicação, e o boletim de outubro não pôde ser aberto.

O que vem a seguir

O Deral reavalia a safra paranaense em 29 de outubro. A Emater deve publicar novos informativos semanais. Se a chuva continuar, a qualidade pode cair mais. A área ainda por colher define quanto grão chega ao moinho.

Como fizemos: Usamos os boletins do Deral citados pela A Rede (15/10/2026), pelo Portal do Agronegócio (21/10/2026) e pela Revista Cultivar (24/09/2026). Para o RS, usamos a segunda estimativa da Emater/RS-Ascar, de 22/10/2026, reportada pelo Mais Soja, e o informativo de 8/10 citado pela Forbes Brasil. Acessos em 26/10/2026. Cálculos próprios: diferenças em pontos percentuais e variações em relação a 2025 e às estimativas anteriores. Não abrimos os boletins oficiais do Deral e da Emater, por isso os números vêm de reportagens que os citam.

Fontes