Política agrícola

Rebanho dos EUA é o menor desde 1951, e Mapa vê espaço

Mapa apresenta carne brasileira como complemento em conferência no Arizona; país exportou para 177 destinos em 2025 e quer regras estáveis.

Bovinos em pastagem verde em Boituva, São Paulo
Bovinos em pastagem de Boituva, São Paulo, em 23 de maio de 2014; imagem de arquivo.Foto: James Martins / Panoramio / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Os Estados Unidos começaram 2026 com 86,2 milhões de bovinos, o menor rebanho desde 1951. O dado do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) foi apresentado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) durante conferência no Arizona.

O encontro ocorreu entre 2 e 4 de novembro. O secretário Augusto Billi defendeu previsibilidade comercial e apresentou a carne brasileira como complemento à produção norte-americana, especialmente em cortes magros usados em carne moída e hambúrgueres.

Complemento não significa substituição

A indústria dos Estados Unidos combina esses cortes com matérias-primas de maior teor de gordura produzidas no próprio país. O argumento brasileiro é que o fornecimento externo pode ajudar no processamento sem simplesmente ocupar o lugar da pecuária local.

O número de matrizes norte-americanas foi estimado em 27,6 milhões de cabeças. Também é o menor patamar da série informada pelo USDA. Matrizes são as fêmeas usadas na reprodução e influenciam a reposição futura do rebanho.

Escala brasileira encontra rebanho americano em baixa Indicadores apresentados pelo Mapa durante a conferência

Indicador Valor
Rebanho dos EUA no início de 2026 86,2 milhões de cabeças
Matrizes dos EUA 27,6 milhões de cabeças
Produção brasileira de carne em 2025 Mais de 12 milhões de toneladas
Destinos das exportações brasileiras em 2025 177
Participação estimada do Brasil nas exportações mundiais em 2026 Cerca de 30%

Fonte: Mapa, com dados do USDA. Os indicadores têm períodos e conceitos diferentes.

O Brasil tem escala para ampliar fornecimento, mas a conferência não anunciou nova cota ou abertura de mercado. O resultado diplomático foi a defesa de condições mais estáveis para as empresas que já operam ou planejam exportar.

Cooperação ocupa três frentes

A primeira é previsibilidade no acesso. Regras que mudam durante a negociação alteram custos, contratos e logística. A segunda é diálogo regulatório entre Mapa e USDA, incluindo exigências sanitárias.

A terceira frente é o intercâmbio entre importadores, exportadores e entidades. O encontro foi a 65ª Conferência Anual do Meat Import Council of America (MICA), entidade de importadores de carne dos Estados Unidos.

Billi afirmou que a relação comercial não se mede apenas pelo que um país vende ao outro. Também envolve o que os dois conseguem construir. A posição busca benefício bilateral, não uma promessa de preferência automática para o Brasil.

Para o produtor brasileiro, previsibilidade interfere no planejamento de abate e vendas. O volume efetivo continuará dependendo de tarifas, regras sanitárias, preços e demanda. A menor oferta americana, sozinha, não garante novos embarques.

A diversificação também permanece relevante. Exportar para 177 destinos reduz a concentração do debate em um único mercado. Os números apresentados no evento não detalham a participação dos Estados Unidos no total brasileiro.

O que diz o Mapa: O secretário Augusto Billi defendeu previsibilidade no acesso, cooperação regulatória e troca de informações entre os setores público e privado. O ministério apresenta a carne brasileira como complementar à produção norte-americana e favorável às cadeias dos dois países.

Os próximos documentos do diálogo indicarão se a aproximação produzirá mudanças práticas. Por enquanto, o fato é a defesa de regras estáveis em um mercado com rebanho reduzido. Não há anúncio de ampliação imediata das exportações.

Como fizemos: Comparamos os números do USDA e da produção brasileira apresentados pelo Mapa em 5/11/2026. Separamos rebanho, produção, destinos e participação no comércio mundial para evitar uma falsa equivalência. A análise não estima exportações adicionais sem dados de cota, tarifa ou contrato.

Fontes