Política agrícola

Fosfato, potássio e enxofre entram em lista de minerais estratégicos

Insumos de fertilizantes ficam na prioridade média entre 27 minerais; projetos cadastrados poderão acessar fomento, mas limites não são gastos garantidos.

Instalações industriais e chaminé da mina de potássio de Boulby, na Inglaterra
Mina de potássio de Boulby, em North York Moors, Inglaterra, fotografada em setembro de 2009; imagem de arquivo.Foto: Dirk Ingo Franke / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Fosfato, potássio e enxofre foram incluídos na prioridade média da lista brasileira de minerais críticos e estratégicos. O Conselho Nacional para a Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) aprovou a relação na quinta-feira (5). O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) atualizou os detalhes nesta sexta-feira (6), às 10h52.

A lista reúne 27 minerais divididos em três classes. O enquadramento é condição para que empreendimentos cadastrados acessem novos instrumentos de fomento. Para o campo, a decisão aproxima a política industrial da produção de fertilizantes, mas não representa investimento automático nem redução imediata de preços.

Insumos ficam na classe intermediária

A classe I reúne nove minerais de prioridade alta, como lítio, cobre e terras raras. Fosfato, potássio e enxofre aparecem entre os oito itens da classe II. Outros dez minerais formam a classe III, considerada de prioridade baixa dentro da política.

Três insumos agrícolas entram na prioridade média Distribuição dos 27 minerais na lista aprovada pelo CIMCE

Classe Prioridade Itens Insumos citados para fertilizantes
I Alta 9 Nenhum
II Média 8 Fosfato, potássio e enxofre
III Baixa 10 Nenhum

Fonte: MDIC. A prioridade orienta o acesso aos instrumentos da política e não mede a importância agrícola de cada mineral.

A classificação considerou risco geopolítico, concentração geográfica da produção e possibilidade de substituição. Também avaliou a posição brasileira na cadeia e a vulnerabilidade do país. O Conselho poderá atualizar a relação em reuniões futuras.

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que a inclusão dos três insumos reforça sua importância para a agropecuária. Segundo ele, a prioridade é ampliar investimentos e a produção nacional de fertilizantes. A declaração consta da nota do ministério.

Fomento exige cadastro e contrapartidas

Somente projetos ligados aos 27 minerais e inseridos no Cadastro Nacional de Projetos poderão receber apoio governamental. O Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM) foi criado para compartilhar riscos e facilitar o crédito bancário. O fundo poderá receber até R$ 2 bilhões da União, além de recursos de outros entes e de participantes privados.

O limite não significa que a União já transferiu esse valor. Também não define quanto será destinado a fosfato, potássio ou enxofre. O Conselho ainda analisará projetos e definirá os empreendimentos prioritários.

Outro instrumento é o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE). Seu limite fiscal será de R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034. São cinco anos e um teto acumulado de R$ 5 bilhões no período, não uma autorização de gasto imediato.

A política exige investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação das empresas beneficiadas. Também prevê contrapartidas socioambientais e uso de produtos e mão de obra locais. A Agência Nacional de Mineração continuará responsável pela regulação, fiscalização e concessão de direitos minerários.

O que dizem MDIC e Mapa: O MDIC apresenta a lista como instrumento para agregar valor e ampliar a industrialização no Brasil. O Mapa defende que a inclusão dos três insumos ajude a reduzir a dependência externa de fertilizantes e fortaleça a segurança alimentar.

O próximo passo tem prazo de 15 dias. O MDIC deverá apresentar uma proposta de cadeias produtivas prioritárias para o Plano Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Essa definição e os projetos efetivamente cadastrados mostrarão quanto da política alcançará a produção de fertilizantes no país.

Como fizemos: Consultamos as notas do MDIC e do Mapa, incluindo a atualização oficial de 6/11/2026 às 10h52. Contamos os minerais por classe e multiplicamos o limite anual do PFMCE pelos cinco anos previstos. Os tetos foram tratados como limites, não como recursos aplicados ou resultados garantidos.

Fontes