Política agrícola

FPA cobra MP de dívidas antes de prazo de 11 de novembro

FPA quer acelerar a MP 1.376 e estima menos de 20% dos R$ 100 bilhões previstos renegociados; garantias e enquadramento viraram obstáculos.

Participante fala ao microfone durante reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária
Reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária em Brasília, em 2 de julho de 2019; imagem de arquivo.Foto: Márcio Nascimento / MCTIC / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) cobrou agilidade para analisar a Medida Provisória 1.376/2026 antes de 11 de novembro, quando perde validade. A medida trata da renegociação de dívidas rurais. Parlamentares relataram baixa contratação e defenderam mudanças no texto durante reunião na terça-feira (3).

A bancada estima que menos de 20% dos R$ 100 bilhões previstos pelo governo tenham sido renegociados. Isso representaria menos de R$ 20 bilhões, mas a FPA não apresentou no comunicado o universo de operações nem o valor exato. O número, portanto, é uma avaliação da frente, não um balanço oficial dos bancos.

Prazo curto pressiona acordo no Congresso

A FPA articula uma reunião entre a senadora Tereza Cristina, o senador Renan Calheiros e o ministro da Fazenda, Dario Durigan. O encontro era aguardado para esta semana, segundo a entidade. O objetivo é destravar a análise pela comissão mista, colegiado com deputados e senadores.

O presidente da frente, deputado Pedro Lupion, afirmou que a perda de validade seria “o pior dos mundos”. Ele também defendeu encaminhar o relatório apresentado pelo deputado Zé Vitor. A tramitação precisa ser concluída pela Câmara e pelo Senado dentro do prazo constitucional da medida provisória.

Renegociação oferece prazos e juros distintos por perfil Condições anunciadas pelo governo na edição da MP 1.376

Perfil do produtor Regra geral Perdas mais severas
Pronaf 6% ao ano 5% ao ano
Pronamp 9% ao ano 8% ao ano
Demais produtores 12% ao ano 11% ao ano
Prazo máximo 8 anos 10 anos
Carência máxima 2 anos 2 anos
Entrada Não exigida Não exigida

Fonte: Ministério da Fazenda, em reportagem da Agência Brasil. Pronaf e Pronamp são programas de apoio à agricultura familiar e ao médio produtor.

Enquadramento e garantias limitam acesso

Parlamentares apontaram dificuldade de enquadramento, exigência de garantias elevadas e receio de técnicos ao assinar documentos. A deputada Marussa Boldrin relatou esses obstáculos. O deputado Rafael Pezenti pediu critérios mais objetivos para concessão do crédito.

A regra geral anunciada em julho exige perdas em duas ou mais safras e redução mínima de 30% da renda bruta. Para as perdas mais severas, são três safras afetadas e queda de pelo menos 40% da renda. Os eventos considerados incluem clima adverso e problemas de comercialização entre 2019 e 2025.

Na prática, a existência da linha não garante aprovação de cada pedido. O produtor precisa comprovar o enquadramento e passar pela análise da instituição financeira. A diferença entre o potencial anunciado e a contratação efetiva é o centro da cobrança política desta semana.

O desenho original permitia reaproveitar garantias já vinculadas aos financiamentos. Também previa suspensão de parcelas por 30 dias e possibilidade de prorrogação durante a análise. As queixas atuais indicam que essas regras não resolveram todos os entraves enfrentados na operação.

Essa distinção é importante para o leitor. Prazo e juros menores só produzem alívio se o agricultor conseguir concluir a contratação. A fiscalização da política precisa medir pedidos aprovados e recursos liberados, não apenas o limite anunciado.

Fundo garantidor também entra na discussão

A MP autorizou mecanismo para ampliar o financiamento rural de médio e longo prazo. O governo previa aporte de até R$ 2 bilhões da União, além de participação de bancos, estados e municípios. O objetivo é dar garantias às operações e reduzir o risco assumido pelos credores.

A frente defende ainda o Projeto de Lei 5.122/2023 como alternativa mais ampla. Lupion, porém, avaliou que não haveria tempo para votá-lo antes do vencimento da MP. Assim, a disputa imediata é sobre o texto da medida provisória e suas condições operacionais.

O que diz o governo: Ao anunciar a MP em julho, o Ministério da Fazenda estimou potencial de R$ 100 bilhões em renegociações e afirmou que a proposta conciliava atendimento aos produtores e responsabilidade fiscal. Durigan declarou então que o Banco do Brasil estava pronto para receber os pedidos.

Sem revisão e aprovação a tempo, a medida perde eficácia. O produtor deve acompanhar a tramitação e consultar seu banco sobre as regras vigentes, sem antecipar mudanças ainda não aprovadas. A principal informação aberta é quanto foi efetivamente renegociado até agora.

Como fizemos: Comparamos o comunicado da FPA de 3/11/2026 com as condições divulgadas pelo governo em julho. Calculamos que 20% de R$ 100 bilhões equivalem a R$ 20 bilhões e mantivemos a referência a menos de 20% como estimativa da frente. Não encontramos balanço bancário oficial que confirme o total atual.

Fontes