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Orçamento de 2027 prevê mínimo de R$ 1.741, alta de R$ 120

O Orçamento de 2027 prevê salário mínimo de R$ 1.741. Segundo consultorias do Congresso, cada real a mais custa R$ 413 milhões à União.

Ilustração abstrata em tons de marca, sem pessoas nem lugares reais
Imagem provisória: ilustração abstrata usada até a foto definitiva ser inserida.Ilustração: Imagem provisória

Em 31 de agosto de 2026, o governo enviou ao Congresso o projeto do Orçamento de 2027, o PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual). O texto prevê salário mínimo de R$ 1.741 no ano que vem. Hoje o piso é de R$ 1.621, então a alta é de R$ 120, ou cerca de 7,4%, segundo a Agência Senado.

O reajuste atinge diretamente o campo. A aposentadoria rural e o salário-maternidade da trabalhadora rural pagam um salário mínimo, segundo a Lei 8.213, art. 39. O BPC também paga esse valor, a idosos de 65 anos ou mais e a pessoas com deficiência de baixa renda, pela Lei 8.742, art. 20.

Como o piso é reajustado

A regra vem da Lei 14.663, de 2023. O piso é corrigido pela inflação, medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor, do IBGE), acumulada em 12 meses até novembro. Depois, soma-se o crescimento real do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de tudo o que o país produz) de dois anos antes.

Por isso, o valor só é confirmado depois que o INPC de novembro for divulgado, segundo a Agência Senado. Em abril, a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) previa R$ 1.717. O PLOA subiu essa estimativa em R$ 24.

Quanto muda para o benefício rural

Para quem recebe um salário mínimo, a conta é direta. Cada real a mais no piso vira um real a mais no benefício. A tabela mostra os três valores.

Benefício de um salário mínimo, em reais Valor mensal e ganho em 12 meses, em relação a 2026

Referência Por mês (R$) Ganho em 12 meses (R$)
2026 (valor atual) 1.621 —
LDO 2027, abril 1.717 1.152
PLOA 2027, agosto 1.741 1.440

Fonte: Agência Senado (15/04/2026 e 31/08/2026). Cálculo próprio: diferença para 2026 multiplicada por 12, sem o 13º salário. Elaboração: redação.

Pelo PLOA, quem recebe o piso teria R$ 1.440 a mais em um ano. O Boletim Estatístico da Previdência Social (BEPS) mostra quantos benefícios estão em cada faixa de valor. Esta reportagem não traz esse número, porque não conseguimos ler as tabelas do boletim.

O que o mínimo custa para a União

Consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado estimam que cada R$ 1 a mais no piso gera R$ 413,2 milhões em despesas primárias. Despesas primárias são os gastos do governo sem contar os juros da dívida, segundo o Poder360.

Descontado o aumento da arrecadação previdenciária, de R$ 8,2 milhões por real, o impacto líquido cai para R$ 405 milhões. Para o aumento de R$ 120, a estimativa é de R$ 49,6 bilhões em despesas, ou cerca de R$ 48,6 bilhões líquidos.

A diferença entre R$ 1.717 e R$ 1.741 acrescenta cerca de R$ 9,9 bilhões ao gasto. Esse número é nosso, feito com o mesmo coeficiente das consultorias.

O que diz o governo federal: Segundo a Agência Câmara, o texto do Orçamento diz que o aumento de 7,4% será revisto quando sair o índice de inflação de novembro. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou o valor em 24 de agosto, segundo o SBT News. Não localizamos manifestação oficial sobre o efeito nos benefícios rurais.

O que isso significa

Os números mostram o peso do piso nas contas e no bolso. Se o valor de R$ 1.741 for confirmado, o benefício rural sobe R$ 120 por mês. O custo para a União cresce na mesma proporção.

Ainda faltam etapas. O Congresso vai analisar o projeto, e o valor final depende do INPC de novembro. Até lá, R$ 1.741 é uma projeção, não um valor pago.

Como fizemos: Usamos as reportagens da Agência Câmara e da Agência Senado sobre o PLOA 2027 (31/08/2026), a LDO de 2027 (Agência Senado, 15/04/2026) e a reportagem do Poder360 sobre as consultorias (25/08/2026). Também usamos os textos das Leis 14.663/2023, 8.213 e 8.742 no Planalto, acessados em 26/10/2026. Não lemos o texto do PLOA diretamente. Cálculos próprios: diferença de R$ 120 (7,4%), ganho de 12 meses (R$ 1.440) e custo dos R$ 24 extras pelo coeficiente das consultorias. Não conseguimos os dados de beneficiários rurais no piso no BEPS. As reportagens divergem sobre os índices de inflação e de PIB usados na conta, por isso não os citamos. Os impactos são estimativas, não gastos realizados.

Fontes