Quatro eleições contestadas no Brasil tiveram desfechos diferentes
Em 1930, 1955, 2014 e 2022, resultados contestados acabaram em revolução, contragolpe ou decisão do TSE, com desfechos bem diferentes.

Em 1º de março de 1930, Júlio Prestes venceu a eleição presidencial. A Aliança Liberal, que lançou Getúlio Vargas e João Pessoa, afirmou que a votação foi fraudulenta. Em 3 de outubro, o grupo iniciou ações armadas.
Desde então, o país viveu quatro resultados contestados. Eles não terminaram do mesmo jeito. Em dois casos, militares decidiram o rumo. Nos outros dois, a disputa foi parar na Justiça.
Como cada contestação terminou
Na República Velha (1889 a 1930), o voto era aberto. O coronel, grande proprietário com poder político local, podia ver em quem o eleitor votava. Esse controle ficou conhecido como voto de cabresto, segundo o portal Politize.
Em dois casos, a força decidiu; nos outros dois, a Justiça Eleições presidenciais contestadas, por ano, com o desfecho de cada uma
| Ano | Quem contestou | Como terminou |
|---|---|---|
| 1930 | Aliança Liberal, com Getúlio Vargas | Revolução a partir de 3 de outubro; Vargas recebeu o governo em 3 de novembro |
| 1955 | Oposição liderada pela União Democrática Nacional | Movimento militar de 11 de novembro; Nereu Ramos assumiu; Juscelino Kubitschek tomou posse em 31 de janeiro de 1956 |
| 2014 | Partido da Social Democracia Brasileira, de Aécio Neves | Plenário do Tribunal Superior Eleitoral negou comissão de auditoria; em 2017, ação de cassação rejeitada por 4 a 3 |
| 2022 | Partido Liberal, de Bolsonaro | Tribunal Superior Eleitoral negou o pedido e multou em R$ 22,9 milhões; STF condenou Bolsonaro em 2025 |
Fonte: InfoEscola; Congresso em Foco; JB; O Povo; Migalhas; Wikipedia em inglês. Elaboração: redação.
Em 1930, a contestação virou revolução. Em 3 de novembro, uma junta provisória passou o governo a Getúlio Vargas, segundo a InfoEscola.
Em 1955, a disputa foi parar no Congresso e nos quartéis. Juscelino Kubitschek (JK) teve 35,68% dos votos, segundo a Wikipedia em inglês. A oposição, liderada pela União Democrática Nacional (UDN), dizia que ele não tinha maioria absoluta.
O colunista Paulo José Cunha, do Congresso em Foco, rebate essa tese: “Só que na legislação não havia nada sobre maioria absoluta.”
Em 11 de novembro, militares liderados pelo marechal Henrique Lott garantiram a posse, segundo a mesma coluna. Carlos Luz, que era presidente interino, deixou o cargo. O Congresso votou para dar a Presidência a Nereu Ramos, presidente do Senado. JK tomou posse em 31 de janeiro de 1956.
Café Filho, que se afastara por doença, tentou voltar ao cargo. Pedidos de intervenção ao Supremo Tribunal Federal (STF) não foram acolhidos, segundo a Wikipedia em inglês.
Em 2014, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), de Aécio Neves, pediu auditoria ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 4 de novembro, o plenário negou a comissão de auditoria, mas liberou os documentos da eleição.
Em 5 de novembro de 2015, o ministro Dias Toffoli, presidente do TSE, afirmou: “Volto a dizer que não foi encontrada nenhuma evidência em tal sentido.” Em julho de 2021, Aécio disse: “Não acredito que tenha havido fraudes nas urnas em 2014.”
Em 9 de junho de 2017, o TSE rejeitou, por 4 votos a 3, a ação que pedia a cassação da chapa Dilma-Temer.
Em 2022, Bolsonaro não reconheceu a derrota de forma direta. Em 1º de novembro, disse que continuaria “cumprindo todos os mandamentos da Constituição”, segundo A Gazeta.
Depois da derrota, o Partido Liberal (PL) pediu ao TSE uma verificação extraordinária das urnas. Em 23 de novembro, o presidente do tribunal, Alexandre de Moraes, negou o pedido por “ausência de indícios”. Ele multou a coligação em R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé.
Em dezembro, o plenário manteve a multa, segundo a Migalhas. Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Bolsonaro, por maioria, a 27 anos e 3 meses de prisão, pela trama golpista. Em 25 de novembro, Moraes declarou o trânsito em julgado, quando não cabem mais recursos. A condenação é definitiva, segundo O Povo e Exame.
O que diz o TSE: Em nota de 9 de julho de 2021, o tribunal afirmou que o PSDB, sobre a eleição de 2014, “realizou auditoria no sistema de votação e reconheceu a legitimidade dos resultados”. A nota respondia a declarações de Bolsonaro sobre as urnas, segundo o Congresso em Foco.
O que mudou desde 1932
A Justiça Eleitoral foi criada em 1932. Desde então, segundo o Poder360, “o formato de fraude teve que mudar”. A urna eletrônica passou a ser adotada no país a partir de 1996.
Em 1930 e 1955, a disputa saiu da urna e foi para a força. Em 2014 e 2022, foi julgada pelo TSE, com auditoria, decisão e multa.
Em 8 de janeiro de 2023, os Três Poderes foram invadidos em Brasília. A Procuradoria-Geral da República (PGR) falou em “desfecho violento”. Dados do STF citados pelo O Povo mostram 1.682 denunciados e 1.039 condenados.
Não há uma regra única. Em 1930, a força derrubou o resultado. Em 1955, garantiu a posse. Em 2014 e 2022, a Justiça Eleitoral rejeitou a contestação, e o resultado se manteve. Antes de 1932, nem existia Justiça Eleitoral para julgar a disputa.
Como fizemos: Conferimos datas, números e citações em reportagens, em sites de referência e em notas oficiais, acessados em 26/10/2026. Os percentuais de 1955 vêm da Wikipedia em inglês. Não conseguimos acessar o verbete do CPDOC/FGV nem os documentos do TSE sobre 1930 e 1955, por bloqueio de acesso. Por isso, a fraude de 1930 aparece como alegação da Aliança Liberal, não como fato comprovado.
Fontes
- Por unanimidade, STF mantém condenação de Bolsonaro e aliados — Agência Brasil (acesso em 26/10/2026)
- STF condena Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão — Congresso em Foco (acesso em 26/10/2026)
- Moraes declara trânsito em julgado de ação que condenou Bolsonaro — Exame (acesso em 26/10/2026)
- Moraes declara trânsito em julgado e Bolsonaro pode cumprir pena — O Povo (acesso em 26/10/2026)
- Atos de 8 de janeiro: o que aconteceu e quem foi condenado — O Povo (acesso em 26/10/2026)
- TSE multa coligação de Bolsonaro por ‘má-fé’ ao pedir anulação de votos — O Povo (acesso em 26/10/2026)
- Moraes nega ação do PL que questiona urnas e aplica multa de R$ 22 mi — Migalhas (acesso em 26/10/2026)
- Bolsonaro evita reconhecer derrota, mas diz respeitar Constituição — A Gazeta (acesso em 26/10/2026)
- Aécio afirma não acreditar em ‘fraudes nas urnas’ em 2014 — ISTOÉ (acesso em 26/10/2026)
- TSE libera documentos da eleição para PSDB, mas nega criação de grupo para auditar resultado — Estado de Minas (acesso em 26/10/2026)
- TSE: auditoria do PSDB não encontrou fraude na eleição de 2014 — Congresso em Foco (acesso em 26/10/2026)
- Por 4 votos a 3, TSE absolve Michel Temer de cassação — JB (acesso em 26/10/2026)
- TSE responde declarações de Bolsonaro sobre eleições de 2022 — Congresso em Foco (acesso em 26/10/2026)
- Revolução de 1930 — InfoEscola (acesso em 26/10/2026)
- Voto de cabresto — Politize (acesso em 26/10/2026)
- Degolas, capangas e manipulações: as fraudes antes da urna eletrônica — Poder360 (acesso em 26/10/2026)
- Preventative Coup of November 11 — Wikipedia em inglês (acesso em 26/10/2026)
- 1955 Brazilian presidential election — Wikipedia em inglês (acesso em 26/10/2026)
- As forças armadas já foram defensoras da legalidade, acredita? — Paulo José Cunha, Congresso em Foco (acesso em 26/10/2026)



