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Quatro eleições contestadas no Brasil tiveram desfechos diferentes

Em 1930, 1955, 2014 e 2022, resultados contestados acabaram em revolução, contragolpe ou decisão do TSE, com desfechos bem diferentes.

Urna eletrônica brasileira modelo UE2020, com teclado numérico e teclas BRANCO, CORRIGE e CONFIRMA, ao lado do leitor biométrico
Urna eletrônica modelo UE2020, usada pela Justiça Eleitoral, em foto de arquivo.Foto: Antonio Augusto / TSE / Wikimedia Commons (domínio público)

Em 1º de março de 1930, Júlio Prestes venceu a eleição presidencial. A Aliança Liberal, que lançou Getúlio Vargas e João Pessoa, afirmou que a votação foi fraudulenta. Em 3 de outubro, o grupo iniciou ações armadas.

Desde então, o país viveu quatro resultados contestados. Eles não terminaram do mesmo jeito. Em dois casos, militares decidiram o rumo. Nos outros dois, a disputa foi parar na Justiça.

Como cada contestação terminou

Na República Velha (1889 a 1930), o voto era aberto. O coronel, grande proprietário com poder político local, podia ver em quem o eleitor votava. Esse controle ficou conhecido como voto de cabresto, segundo o portal Politize.

Em dois casos, a força decidiu; nos outros dois, a Justiça Eleições presidenciais contestadas, por ano, com o desfecho de cada uma

Ano Quem contestou Como terminou
1930 Aliança Liberal, com Getúlio Vargas Revolução a partir de 3 de outubro; Vargas recebeu o governo em 3 de novembro
1955 Oposição liderada pela União Democrática Nacional Movimento militar de 11 de novembro; Nereu Ramos assumiu; Juscelino Kubitschek tomou posse em 31 de janeiro de 1956
2014 Partido da Social Democracia Brasileira, de Aécio Neves Plenário do Tribunal Superior Eleitoral negou comissão de auditoria; em 2017, ação de cassação rejeitada por 4 a 3
2022 Partido Liberal, de Bolsonaro Tribunal Superior Eleitoral negou o pedido e multou em R$ 22,9 milhões; STF condenou Bolsonaro em 2025

Fonte: InfoEscola; Congresso em Foco; JB; O Povo; Migalhas; Wikipedia em inglês. Elaboração: redação.

Em 1930, a contestação virou revolução. Em 3 de novembro, uma junta provisória passou o governo a Getúlio Vargas, segundo a InfoEscola.

Em 1955, a disputa foi parar no Congresso e nos quartéis. Juscelino Kubitschek (JK) teve 35,68% dos votos, segundo a Wikipedia em inglês. A oposição, liderada pela União Democrática Nacional (UDN), dizia que ele não tinha maioria absoluta.

O colunista Paulo José Cunha, do Congresso em Foco, rebate essa tese: “Só que na legislação não havia nada sobre maioria absoluta.”

Em 11 de novembro, militares liderados pelo marechal Henrique Lott garantiram a posse, segundo a mesma coluna. Carlos Luz, que era presidente interino, deixou o cargo. O Congresso votou para dar a Presidência a Nereu Ramos, presidente do Senado. JK tomou posse em 31 de janeiro de 1956.

Café Filho, que se afastara por doença, tentou voltar ao cargo. Pedidos de intervenção ao Supremo Tribunal Federal (STF) não foram acolhidos, segundo a Wikipedia em inglês.

Em 2014, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), de Aécio Neves, pediu auditoria ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 4 de novembro, o plenário negou a comissão de auditoria, mas liberou os documentos da eleição.

Em 5 de novembro de 2015, o ministro Dias Toffoli, presidente do TSE, afirmou: “Volto a dizer que não foi encontrada nenhuma evidência em tal sentido.” Em julho de 2021, Aécio disse: “Não acredito que tenha havido fraudes nas urnas em 2014.”

Em 9 de junho de 2017, o TSE rejeitou, por 4 votos a 3, a ação que pedia a cassação da chapa Dilma-Temer.

Em 2022, Bolsonaro não reconheceu a derrota de forma direta. Em 1º de novembro, disse que continuaria “cumprindo todos os mandamentos da Constituição”, segundo A Gazeta.

Depois da derrota, o Partido Liberal (PL) pediu ao TSE uma verificação extraordinária das urnas. Em 23 de novembro, o presidente do tribunal, Alexandre de Moraes, negou o pedido por “ausência de indícios”. Ele multou a coligação em R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé.

Em dezembro, o plenário manteve a multa, segundo a Migalhas. Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Bolsonaro, por maioria, a 27 anos e 3 meses de prisão, pela trama golpista. Em 25 de novembro, Moraes declarou o trânsito em julgado, quando não cabem mais recursos. A condenação é definitiva, segundo O Povo e Exame.

O que diz o TSE: Em nota de 9 de julho de 2021, o tribunal afirmou que o PSDB, sobre a eleição de 2014, “realizou auditoria no sistema de votação e reconheceu a legitimidade dos resultados”. A nota respondia a declarações de Bolsonaro sobre as urnas, segundo o Congresso em Foco.

O que mudou desde 1932

A Justiça Eleitoral foi criada em 1932. Desde então, segundo o Poder360, “o formato de fraude teve que mudar”. A urna eletrônica passou a ser adotada no país a partir de 1996.

Em 1930 e 1955, a disputa saiu da urna e foi para a força. Em 2014 e 2022, foi julgada pelo TSE, com auditoria, decisão e multa.

Em 8 de janeiro de 2023, os Três Poderes foram invadidos em Brasília. A Procuradoria-Geral da República (PGR) falou em “desfecho violento”. Dados do STF citados pelo O Povo mostram 1.682 denunciados e 1.039 condenados.

Não há uma regra única. Em 1930, a força derrubou o resultado. Em 1955, garantiu a posse. Em 2014 e 2022, a Justiça Eleitoral rejeitou a contestação, e o resultado se manteve. Antes de 1932, nem existia Justiça Eleitoral para julgar a disputa.

Como fizemos: Conferimos datas, números e citações em reportagens, em sites de referência e em notas oficiais, acessados em 26/10/2026. Os percentuais de 1955 vêm da Wikipedia em inglês. Não conseguimos acessar o verbete do CPDOC/FGV nem os documentos do TSE sobre 1930 e 1955, por bloqueio de acesso. Por isso, a fraude de 1930 aparece como alegação da Aliança Liberal, não como fato comprovado.

Fontes