Flávio e Nikolas contestam urnas; TSE e checagens rebatem acusações
Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira contestaram a eleição. TSE e Lupa desmentem pontos centrais, e nenhuma apuração publicada mostra quem financia.

Na noite de domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (Partido Liberal, PL) disse que é “impossível reconhecer o resultado” da eleição. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos. Na mesma noite, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou um vídeo contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o horário de votação.
Este texto separa o que foi dito do que foi checado. Também registra o que não encontramos: não há reportagem publicada que diga quem financia essa narrativa.
Na tarde de domingo, o ministro do STF Cristiano Zanin estendeu a votação até as 19h em todo o país. Segundo a agência Lupa, o pedido veio da campanha de Lula, que apontou falta de ônibus na Bahia. A decisão diz: “determino prorrogação por até duas horas, até às 19h, horário de Brasília”.
Quem levanta as acusações
Flávio disse que Zanin “mudou a regra do jogo no meio do jogo”. Ele também afirmou: “Nossos fiscais do PL foram retirados” da sala-cofre do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o espaço de segurança do tribunal. As versões publicadas variam nas palavras, por isso citamos só o trecho comum.
O senador Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha, disse: “A decisão do líder é a nossa decisão”. Segundo o Metrópoles, ele defendeu recorrer à Justiça: “A Constituição nos dá a condição, me parece até agora, de recorrer à justiça”.
Nikolas afirmou que “os petistas criaram uma narrativa de que estavam sendo impedidos de votar” em Salvador. Ele disse ainda que o Partido dos Trabalhadores (PT) quer ganhar “no tapetão”, expressão para disputa na Justiça. A Lupa mostrou que a Secretaria de Mobilidade de Salvador confirmou ao menos 75 ônibus recolhidos às garagens no domingo. A mesma checagem mostrou que a campanha de Flávio pediu prorrogação às 15h27, antes da decisão.
Nas redes, o levantamento da agência Aos Fatos com a Agência Pública encontrou dez influenciadores investigados por desinformação ou atos golpistas que seguem ativos. Um deles, Allan dos Santos, afirmou em 16 de junho que as urnas não são auditáveis. A reportagem diz que a afirmação é falsa.
O que as checagens encontraram
Em 21 de julho, num encontro com embaixadores, Flávio disse que “muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”. A empresa era a Smartmatic. O TSE respondeu que ela “não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras”. Em 2 de agosto, Flávio disse: “O que sempre pedi foi mais segurança e transparência, nada além disso”. A InfoMoney registrou que ele reconheceu o erro ao citar a empresa.
Em junho, circulou no WhatsApp uma mensagem dizendo que o TSE teria anulado as eleições por erros em mais de 2 mil urnas. A Lupa classificou a informação como falsa. O TSE afirmou: “Não há qualquer registro de fragilidade que comprometa o sigilo ou a integridade do voto”.
Na segunda-feira (26), o TSE negou que os fiscais do PL tenham sido retirados. Segundo a Agência Brasil, dois fiscais do PL estiveram no tribunal no dia da votação, inclusive na Sala de Totalização. O TSE disse que a sala-cofre “não é um espaço aberto à visitação”.
Na mesma segunda-feira, a CNN Brasil informou que a campanha deixou de pedir a anulação, segundo integrantes que falaram sob reserva. Em vídeo, Flávio disse que vai pedir a cassação (perda do mandato) da chapa de Lula por “todos os abusos que ele cometeu”. Já Nikolas disse, em vídeo: “a chance de anular essa eleição é praticamente nula”.
Não encontramos investigação publicada sobre quem financia a narrativa de fraude. A Polícia Federal (PF) abriu, a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), um procedimento preliminar sobre suspeitas de interferência e financiamento estrangeiro nas eleições. Segundo a Gazeta do Povo, até 4 de outubro não havia inquérito formal, e a reportagem não liga essa apuração às urnas.
Sobre o interior, também não encontramos estudo publicado em 2026 que meça como essas mensagens circulam em grupos de WhatsApp e Telegram de cidades pequenas. O dado mais próximo é de confiança. Pesquisa Genial/Quaest de 5 a 9 de fevereiro mostrou que 53% consideram as urnas confiáveis, e 43% discordam. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
Os pedidos de cassação dependem agora da Justiça Eleitoral. Os processos contra os influenciadores citados pelo Aos Fatos estão em sigilo, e a reportagem não sabe se as decisões seguem valendo. Nos documentos e checagens citados aqui, não aparece nenhuma prova de fraude.
O que diz o TSE: Em nota publicada em 26/10/2026, o tribunal afirmou que “a sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação” e que há registro de presença dos fiscais do PL nos locais visitados. Fonte: Agência Brasil.
Como fizemos: Reunimos falas e fatos publicados entre 21/07 e 26/10/2026 por Poder360, InfoMoney, Metrópoles, CNN Brasil, Agência Brasil, Lupa, Aos Fatos, DGABC e Gazeta do Povo, acessados em 26/10/2026. As falas de Flávio variam de redação entre veículos, e usamos só o trecho comum. Não localizamos a nota original do TSE nem a petição de anulação. Não há dados publicados sobre circulação em grupos de cidades pequenas.
Fontes
- Flávio não aceita derrota e diz que pedirá a anulação do resultado — Poder360 (acesso em 26/10/2026)
- Flávio não reconhece resultado da eleição e diz que pedirá anulação ao TSE — InfoMoney (acesso em 26/10/2026)
- TSE nega acusação de Flávio sobre expulsão de fiscais de sala-cofre — Agência Brasil (acesso em 26/10/2026)
- Marinho diz que decisão de questionar resultado das eleições veio de Flávio — Metrópoles (acesso em 26/10/2026)
- Em vídeo que sugere fraude, Nikolas Ferreira omite problemas reais no transporte — Lupa (acesso em 26/10/2026)
- “Chance de anular essa eleição é praticamente nula”, diz Nikolas — Metrópoles (acesso em 26/10/2026)
- Investigados por desinformação e tentativa de golpe seguem ativos nas redes em 2026 — Aos Fatos (acesso em 26/10/2026)
- TSE não cancelou eleições de 2026 nem identificou fraude em 2 mil urnas — Lupa (acesso em 26/10/2026)
- TSE reforça que empresa citada por Flávio nunca produziu urnas para eleição brasileira — DGABC (acesso em 26/10/2026)
- Flávio diz que aceitará resultado das urnas e reconhece erro ao citar Smartmatic — InfoMoney (acesso em 26/10/2026)
- Flávio desiste de questionar vitória de Lula nas urnas — CNN Brasil (acesso em 26/10/2026)
- Entenda como Flávio contestou resultado das urnas após vitória de Lula — CNN Brasil (acesso em 26/10/2026)
- PF atende pedido do governo e abre apuração por suposta interferência estrangeira — Gazeta do Povo (acesso em 26/10/2026)
- 43% dizem não confiar nas urnas eletrônicas, aponta pesquisa Quaest — InfoMoney (acesso em 26/10/2026)
- Urna eletrônica brasileira UE2020 — Wikimedia Commons (acesso em 26/10/2026)



