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Frango responde por 61% da nova compra de merenda em Goiânia

Cinco organizações da agricultura familiar fornecerão R$ 19,7 milhões em alimentos à rede municipal; maior contrato é de R$ 12 milhões.

Alunos da Escola Apego, em Goiânia, reunidos atrás de mesa com frutas, abóboras e outros alimentos
Alunos da Escola Apego, em Goiânia, com alimentos recebidos pelo Programa de Aquisição de Alimentos, em 12 de setembro de 2014.Foto: Sergio Amaral / Ministério do Desenvolvimento Social / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A Secretaria Municipal de Educação de Goiânia autorizou cinco contratos de R$ 19,7 milhões com organizações da agricultura familiar. Os documentos foram publicados no Diário Oficial do Município de quinta-feira (5), segundo reportagem do jornal O Hoje.

O maior contrato responde por cerca de 61% do total. A Coopbrasil fornecerá R$ 12 milhões em coxa, sobrecoxa e filé de peito de frango congelados. A concentração mostra como o cardápio define o destino do dinheiro destinado à merenda.

Cooperativas dividem cinco contratos

A Associação de Mulheres Campesinas da Agricultura Familiar em Expansão fornecerá polpas de caju, morango e uva por aproximadamente R$ 3 milhões. A Cafrec e a Cooperlat terão cerca de R$ 2 milhões cada para entregar leite integral de longa duração.

A menor autorização é da Agrolândia, cooperativa do Assentamento Canudos e da região metropolitana de Goiânia. O contrato de aproximadamente R$ 620 mil prevê abóbora cabotiá, cenoura e polpa de frutas. Antes da contratação, amostras passaram pela equipe de nutrição municipal.

Contrato de frango concentra cerca de 61% do valor Autorizações da Chamada Pública 002/2026, em valores aproximados

Organização Produtos Valor Participação
Coopbrasil Frango congelado R$ 12 milhões 60,9%
Associação de Mulheres Campesinas Polpas de frutas R$ 3 milhões 15,2%
Cafrec Leite integral R$ 2 milhões 10,2%
Cooperlat Leite integral R$ 2 milhões 10,2%
Agrolândia Abóbora, cenoura e polpas R$ 620 mil 3,1%

Fonte: Secretaria Municipal de Educação, via O Hoje. Percentuais calculados sobre R$ 19,7 milhões e arredondados pela redação.

As entregas abastecerão escolas e centros de educação infantil. A lista combina proteína animal, leite, frutas e hortaliças, com pesos financeiros diferentes. A secretaria informa atender 375 instituições, incluindo unidades municipais e entidades conveniadas. As cooperativas entregarão os produtos diretamente nesses locais, conforme o cronograma definido pela pasta.

Cota federal aumentou 50% em 2026

As contratações seguem o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Desde janeiro, a lei exige que pelo menos 45% dos recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) comprem diretamente da agricultura familiar.

O mínimo anterior era de 30%. O aumento é de 15 pontos percentuais, ou 50% sobre a cota anterior. A regra prioriza assentamentos da reforma agrária, comunidades indígenas e quilombolas e grupos de mulheres.

Os R$ 19,7 milhões não bastam para comprovar o cumprimento da cota. A porcentagem legal considera o total repassado pelo FNDE ao município, não apenas uma chamada pública. A reportagem não informa esse total nem quanto Goiânia já havia contratado em 2026.

A compra pública cria uma previsão de demanda para as organizações. Não revela a renda líquida dos agricultores, que depende dos custos de produção e entrega. Também não permite concluir quanto será produzido no próprio município, porque os documentos citados não detalham a origem de cada item.

O que diz a Secretaria Municipal de Educação: A pasta informa que já compra da agricultura familiar há anos e que as cooperativas entregarão diretamente nas unidades educacionais. Os fornecedores precisam apresentar amostras e comprovar a regularidade sanitária dos produtos.

A próxima etapa é o fornecimento conforme os cronogramas municipais. O acompanhamento das entregas mostrará o alcance efetivo dos contratos. A compra conecta merenda e renda rural, mas seus efeitos dependem da execução e da participação dos agricultores nas organizações.

Como fizemos: Consultamos os valores publicados por O Hoje e a legislação atualizada do PNAE. Dividimos cada contrato por R$ 19,7 milhões. Comparamos as cotas de 30% e 45%. Os valores arredondados podem gerar pequenas diferenças no total, e não estimamos renda ou produção local.

Fontes