Agronegócio

Uruguai encerra último embargo nacional ao frango brasileiro

Decisão reduz a restrição a Santa Catarina; onze países ainda barram o estado, e impacto estimado é de 15 mil toneladas por mês.

Trabalhador conduz máquina em galpão com frangos em Campos Novos, Santa Catarina
Avicultor trabalha em granja de Campos Novos (SC), em fotografia de 19 de fevereiro de 2007.Foto: Deyvid Setti e Eloy Olindo Setti / Wikimedia Commons (domínio público)

O Uruguai voltou a comprar produtos avícolas das regiões brasileiras sem restrição sanitária na sexta-feira (6). A decisão encerrou o último embargo aplicado a todo o país após os focos da doença de Newcastle em Santa Catarina.

O Brasil reverteu as barreiras nacionais em 19 dias, contra 74 dias no episódio de 2024. A diferença é de 55 dias. Mas o resultado não significa normalização completa: onze países ainda restringem os produtos de Santa Catarina, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Regionalização limita o alcance do embargo

A regionalização sanitária separa a área atingida do restante do território. Com ela, um foco localizado não precisa interromper as compras de todos os estados. O Uruguai reconheceu esse critério e passou a aceitar produtos das demais unidades da Federação.

A nova ocorrência começou em 18 de outubro, numa granja comercial de perus em Nova Itaberaba (SC). Newcastle é uma doença contagiosa entre aves. O Mapa afirma que produtos avícolas submetidos à inspeção oficial continuam seguros para o consumo.

Reversão dos embargos nacionais levou 55 dias a menos Comparação entre os episódios de doença de Newcastle em 2024 e 2026

Etapa Episódio de 2024 Episódio de 2026
Confirmação do primeiro foco 18 de julho, no RS 18 de outubro, em SC
Fim das restrições nacionais 30 de setembro 6 de novembro
Tempo até a reversão 74 dias 19 dias

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária. Elaboração: redação.

Em 2024, o foco foi identificado numa granja comercial do Rio Grande do Sul. O prazo deste ano representa 25,7% daquele registrado no episódio anterior. A redução de 74,3% no tempo é um cálculo da redação a partir das datas oficiais.

Restrição restante atinge 3% do volume mensal

O Mapa estima que as restrições a Santa Catarina atinjam aproximadamente 15 mil toneladas por mês. O volume equivale a 3% da média mensal exportada pelo Brasil, de cerca de 500 mil toneladas de produtos avícolas.

A comparação mostra o alcance da decisão uruguaia sem apagar o problema restante. A maior parte do volume deixou de enfrentar barreiras nacionais. Ainda assim, produtores e trabalhadores da cadeia catarinense seguem sujeitos a limitações em onze mercados.

Há também uma restrição mais localizada. O Mapa não autoriza exportações de produtos provenientes de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. Esses quatro municípios formam a área de restrição definida após a investigação sanitária.

A reversão mais rápida protege a renda fora dessa área sem dispensar o controle dos focos. A Secretaria de Defesa Agropecuária e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina conduziram investigação, contenção e vigilância. As equipes de comércio exterior e o Itamaraty apresentaram as evidências aos parceiros.

O que diz o Mapa: O ministro André de Paula afirmou que a redução de 74 para 19 dias demonstra confiança na defesa agropecuária. A pasta informa que negociará limites restritos à área afetada e mantém a orientação de consumo seguro para produtos inspecionados.

A próxima etapa é negociar com os onze países que ainda barram Santa Catarina. O objetivo declarado é aproximar as regras da área efetivamente atingida. Até lá, o fim do embargo nacional convive com perdas localizadas e vigilância obrigatória.

Como fizemos: Consultamos a nota do Mapa publicada às 8h56 de 7/11/2026 e reportagem do Canal Rural. Subtraímos 19 de 74 dias e calculamos as variações percentuais. Os 15 mil toneladas e os 3% são estimativas do ministério, não medição de vendas recuperadas.

Fontes