Uruguai encerra último embargo nacional ao frango brasileiro
Decisão reduz a restrição a Santa Catarina; onze países ainda barram o estado, e impacto estimado é de 15 mil toneladas por mês.

O Uruguai voltou a comprar produtos avícolas das regiões brasileiras sem restrição sanitária na sexta-feira (6). A decisão encerrou o último embargo aplicado a todo o país após os focos da doença de Newcastle em Santa Catarina.
O Brasil reverteu as barreiras nacionais em 19 dias, contra 74 dias no episódio de 2024. A diferença é de 55 dias. Mas o resultado não significa normalização completa: onze países ainda restringem os produtos de Santa Catarina, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Regionalização limita o alcance do embargo
A regionalização sanitária separa a área atingida do restante do território. Com ela, um foco localizado não precisa interromper as compras de todos os estados. O Uruguai reconheceu esse critério e passou a aceitar produtos das demais unidades da Federação.
A nova ocorrência começou em 18 de outubro, numa granja comercial de perus em Nova Itaberaba (SC). Newcastle é uma doença contagiosa entre aves. O Mapa afirma que produtos avícolas submetidos à inspeção oficial continuam seguros para o consumo.
Reversão dos embargos nacionais levou 55 dias a menos Comparação entre os episódios de doença de Newcastle em 2024 e 2026
| Etapa | Episódio de 2024 | Episódio de 2026 |
|---|---|---|
| Confirmação do primeiro foco | 18 de julho, no RS | 18 de outubro, em SC |
| Fim das restrições nacionais | 30 de setembro | 6 de novembro |
| Tempo até a reversão | 74 dias | 19 dias |
Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária. Elaboração: redação.
Em 2024, o foco foi identificado numa granja comercial do Rio Grande do Sul. O prazo deste ano representa 25,7% daquele registrado no episódio anterior. A redução de 74,3% no tempo é um cálculo da redação a partir das datas oficiais.
Restrição restante atinge 3% do volume mensal
O Mapa estima que as restrições a Santa Catarina atinjam aproximadamente 15 mil toneladas por mês. O volume equivale a 3% da média mensal exportada pelo Brasil, de cerca de 500 mil toneladas de produtos avícolas.
A comparação mostra o alcance da decisão uruguaia sem apagar o problema restante. A maior parte do volume deixou de enfrentar barreiras nacionais. Ainda assim, produtores e trabalhadores da cadeia catarinense seguem sujeitos a limitações em onze mercados.
Há também uma restrição mais localizada. O Mapa não autoriza exportações de produtos provenientes de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. Esses quatro municípios formam a área de restrição definida após a investigação sanitária.
A reversão mais rápida protege a renda fora dessa área sem dispensar o controle dos focos. A Secretaria de Defesa Agropecuária e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina conduziram investigação, contenção e vigilância. As equipes de comércio exterior e o Itamaraty apresentaram as evidências aos parceiros.
O que diz o Mapa: O ministro André de Paula afirmou que a redução de 74 para 19 dias demonstra confiança na defesa agropecuária. A pasta informa que negociará limites restritos à área afetada e mantém a orientação de consumo seguro para produtos inspecionados.
A próxima etapa é negociar com os onze países que ainda barram Santa Catarina. O objetivo declarado é aproximar as regras da área efetivamente atingida. Até lá, o fim do embargo nacional convive com perdas localizadas e vigilância obrigatória.
Como fizemos: Consultamos a nota do Mapa publicada às 8h56 de 7/11/2026 e reportagem do Canal Rural. Subtraímos 19 de 74 dias e calculamos as variações percentuais. Os 15 mil toneladas e os 3% são estimativas do ministério, não medição de vendas recuperadas.
Fontes
- Doença de Newcastle: Uruguai retoma importações de produtos avícolas do Brasil — Mapa (acesso em 07/11/2026)
- Uruguai retoma importações e Brasil derruba última restrição nacional — Canal Rural (acesso em 07/11/2026)
- Avicultura em Santa Catarina — Wikimedia Commons (acesso em 07/11/2026)


