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Projeto leva R$ 10 milhões à agricultura familiar baiana

BNDES e Petrobras apoiam 720 agricultores em 26 municípios; investimento não reembolsável combina produção, dez visitas técnicas por agricultor e novas vendas.

Caixa de produtos Riquezas do Sertão com selo Aqui Tem Agricultura Familiar
Produtos do armazém da agricultura familiar em Serrinha, Bahia, em dezembro de 2014; imagem de arquivo.Foto: Jovem Rural / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Petrobras vão destinar cerca de R$ 10 milhões à agricultura familiar no semiárido da Bahia. O anúncio foi feito na quarta-feira (4). O projeto atenderá diretamente 720 agricultores ligados a 27 cooperativas e associações em 26 municípios.

Os recursos são não reembolsáveis, ou seja, não precisarão ser devolvidos como um empréstimo. A Unicafes Bahia executará as ações durante 36 meses. O investimento equivale a cerca de R$ 13,9 mil por beneficiário direto, mas não será distribuído como pagamento individual.

Produção e venda recebem apoio no mesmo projeto

A iniciativa prevê 240 sistemas produtivos agroecológicos e melhoria ou implantação de 11 unidades de beneficiamento. Entre elas estarão três minicentrais de abastecimento, quatro fábricas de ração e quatro entrepostos de ovos. Também serão criadas 12 feiras agroecológicas ou orgânicas.

O projeto combina produção e acesso ao mercado. A assistência técnica incluirá planejamento, beneficiamento, estratégias de venda, ferramentas digitais e orientação sobre crédito. A meta é aproximar os empreendimentos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e de compradores privados.

Projeto prevê dez visitas técnicas por agricultor Metas físicas e médias calculadas para 720 beneficiários diretos

Ação ou público Total previsto Média ou participação
Sistemas agroecológicos 240 1 para cada 3 agricultores
Visitas de assistência técnica 7.200 10 por agricultor
Reuniões de assistência 900 25 por mês em 36 meses
Mulheres beneficiadas 504 70% dos participantes
Jovens beneficiados 504 70% dos participantes
Quilombolas beneficiados 45 6,25% dos participantes

Fonte: BNDES. Médias e percentuais calculados pela redação; mulheres, jovens e quilombolas são grupos que podem se sobrepor.

Investimento médio não é dinheiro na conta

A divisão dos R$ 10 milhões por 720 pessoas ajuda a dimensionar o apoio, mas não descreve sua destinação individual. O orçamento também financiará estruturas coletivas, oficinas, visitas e canais de comercialização. Por isso, seria incorreto tratar os R$ 13,9 mil como benefício pago a cada família.

Serão 180 oficinas de capacitação e 7,2 mil visitas técnicas. O volume representa dez visitas por agricultor ao longo do projeto, caso a distribuição seja uniforme. As 900 reuniões de assistência técnica e extensão rural somam uma média de 25 por mês.

A assistência técnica e extensão rural (Ater) orienta manejo, organização e comercialização. No semiárido, esse acompanhamento é parte central do desenho. O projeto prevê ainda 40 quintais com armazenamento de água e 120 sistemas agroecológicos voltados à produção de ovos caipiras.

Metas de renda e emprego exigem acompanhamento

O BNDES estabeleceu como referência elevar em 50% a renda média mensal por pessoa beneficiada. Também prevê 103 postos de trabalho durante a implantação, com 47 mantidos após a conclusão. São resultados esperados, não ganhos já realizados.

O semiárido baiano reúne 287 municípios e 53,1% da população do estado, segundo o banco. A agricultura familiar responde por 78,24% dos estabelecimentos rurais da região. Essa participação explica o peso social de políticas que chegam às cooperativas e às unidades locais de processamento.

Pintadas, Guajerú, Jacaraci, Ibiassucê, Presidente Jânio Quadros e Condeúba receberam prioridade no edital. O BNDES considerou a presença da agricultura familiar, as compras públicas e as tecnologias sociais de acesso à água. A seleção procura concentrar recursos onde esses elementos já oferecem base para execução.

A operação baiana é a sexta aprovada no Sertão + Produtivo. O programa mais amplo prevê até R$ 100 milhões em recursos não reembolsáveis, divididos igualmente entre BNDES e Petrobras. Esse limite cobre diferentes projetos do semiárido brasileiro e não deve ser confundido com o valor destinado à Bahia.

O que dizem BNDES e Petrobras: As instituições afirmam que o projeto apoia toda a cadeia, da produção à comercialização, com foco em renda e novos mercados. A diretora do BNDES Tereza Campello destacou o fortalecimento de cooperativas; a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, citou desenvolvimento socioambiental.

A execução pelos próximos 36 meses mostrará se as metas físicas se transformam em renda permanente. Os pontos centrais serão concluir as unidades, manter a assistência e abrir vendas institucionais. O apoio público e empresarial é relevante justamente por integrar etapas que isoladamente não sustentam a comercialização.

Como fizemos: Usamos os números do anúncio do BNDES publicado em 4/11/2026. Dividimos recursos, visitas e sistemas pelos 720 beneficiários e as 900 reuniões pelos 36 meses. Calculamos os percentuais de mulheres, jovens e quilombolas sem somar os grupos; as médias não indicam distribuição individual nem cronograma mensal uniforme.

Fontes