Agronegócio

Milho lidera alta semanal, mas ainda recupera perdas de outubro

Indicador do milho subiu 1,72% na semana, após queda mensal em outubro; boi avançou 0,72%, e soja recuou no Paraná e em Paranaguá.

Colheitadeira trabalha em lavoura de milho em Dourados, Mato Grosso do Sul
Colheitadeira em lavoura de milho em Dourados (MS), em imagem de arquivo de 2009.Foto: Valter Campanato / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

O Indicador do Milho Esalq/B3 subiu 1,72% entre 30 de outubro e 6 de novembro, para R$ 66,77 por saca. Foi a maior alta no comparativo semanal com boi gordo e soja, divulgado neste sábado a partir de dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A recuperação veio depois de uma queda mensal de 4,41% registrada em 30 de outubro. Portanto, os quatro dias úteis de novembro melhoraram o preço, mas ainda não apagam a pressão anterior. A diferença semanal foi de R$ 1,13 por saca.

Milho reage depois de queda mensal

Na terça-feira (3), pesquisadores do Cepea associaram a reação à valorização do dólar e aos preços maiores nos portos. A retração de parte dos vendedores também contribuiu. Mesmo assim, as negociações continuaram lentas, com compras de lotes pontuais.

O boi gordo avançou R$ 2,80 por arroba no mesmo período, alta de 0,72%. O indicador passou de R$ 389,90 para R$ 392,70. A arroba equivale a 15 quilos, enquanto as sacas de milho e soja têm 60 quilos. Por isso, a comparação adequada entre os produtos é percentual.

Milho se recupera, enquanto soja mantém perdas Fechamento e variações nominais dos indicadores Cepea

Indicador Preço em 6/11 Variação mensal em 30/10 Semana até 6/11
Milho, por saca R$ 66,77 -4,41% +1,72%
Boi gordo, por arroba R$ 392,70 +7,03% +0,72%
Soja no Paraná, por saca R$ 152,10 -1,74% -0,08%
Soja em Paranaguá, por saca R$ 158,52 -1,66% -0,23%

Fonte: Cepea. A coluna semanal compara 30/10 e 6/11/2026. Elaboração: redação.

A soja perdeu 12 centavos por saca no indicador do Paraná e 36 centavos no de Paranaguá durante a semana. As quedas foram pequenas, mas mantiveram os dois indicadores em terreno negativo. Os valores são referências regionais, não uma média de todos os negócios brasileiros.

Boi subiu mais que a carne no atacado em outubro

O boi gordo fechou sexta em recorde real, descontada a inflação pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI). Segundo o Cepea, a oferta limitada de animais prontos para abate e a demanda consistente ampliaram a disputa entre frigoríficos.

Em outubro, a média do boi foi de R$ 379,55 por arroba. O aumento real foi de 7,5% sobre setembro. No atacado da Grande São Paulo, a carcaça casada, referência de carne com osso, teve alta real de 5,72%, para R$ 25,69 o quilo.

O boi, portanto, subiu 1,78 ponto percentual mais que a carne no atacado nessa comparação mensal. O dado mostra uma pressão maior na ponta da pecuária. Não significa que todo reajuste tenha chegado ao consumidor, porque o atacado e o varejo têm dinâmicas diferentes.

O que diz o Cepea: Pesquisadores atribuem a força do boi à disponibilidade restrita de animais terminados e à demanda por carne. Para os próximos meses, veem o mercado dependendo da oferta, da capacidade de repasse e da sustentação das demandas interna e externa.

A semana fecha com movimentos distintos, não uma alta geral desses produtos. O milho tenta recuperar terreno, o boi desacelera o ritmo mensal sem reverter o recorde, e a soja recua nas duas referências paranaenses. Oferta, demanda e negociações definirão os próximos indicadores.

Como fizemos: Consultamos as séries do Cepea em 7/11/2026 e calculamos as diferenças em reais entre 30/10 e 6/11. As variações da tabela são nominais. As comparações de boi e carcaça em outubro são reais, deflacionadas pelo IGP-DI pelo Cepea. Não projetamos preços nem repasse ao varejo.

Fontes