Agronegócio

Soja e milho fecham em queda com dólar e Chicago

Soja cai 0,97% em Chicago e milho recua até 2,02% na B3; apesar da baixa, contratos brasileiros ainda preservam ganhos sobre sexta-feira.

Vista aérea de extensa lavoura de soja, estrada de terra e construções rurais em Querência
Lavoura de soja em Querência, Mato Grosso, fotografada em 18 de novembro de 2012.Foto: Luis Belo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A soja e o milho fecharam esta terça-feira (27) em queda em Chicago e na B3. Em Chicago, a soja de novembro perdeu 0,97%, para US$ 12,2925 por bushel. O milho de dezembro recuou 1,37%, para US$ 4,4875. O bushel é uma unidade de volume usada nos contratos americanos.

Na B3, todos os vencimentos de milho acompanhados pelo Notícias Agrícolas caíram. O recuo do dólar tirou parte do suporte dado aos preços em reais na véspera. Chicago também pressionou, com a entrada da safra americana e sinais distintos de demanda para cada grão.

Milho da B3 ainda preserva alta na semana

A queda de terça não apagou todo o ganho de segunda-feira. O contrato de novembro tinha subido 2,23% e agora recuou 0,96%, para R$ 66,35 por saca. Na comparação com sexta-feira, ainda acumula alta de aproximadamente 1,25%, cálculo da redação.

Março teve oscilação maior. O contrato avançou 2,65% na segunda e perdeu 2,02% nesta terça, fechando a R$ 75,78. Ainda assim, preserva alta de cerca de 0,58% sobre sexta. O cálculo acumula as duas variações, em vez de apenas somá-las.

Baixa de terça devolve parte dos ganhos da B3 Contratos de milho; variações diárias e acumulado desde 23/10/2026

Vencimento Segunda Terça Acumulado calculado
Novembro/2026 +2,23% -0,96% +1,25%
Março/2027 +2,65% -2,02% +0,58%

Fonte: Notícias Agrícolas. Acumulado: cálculo da redação com variações compostas.

Soja tem demanda forte, mas preço não sustenta alta

A soja de novembro abriu em recuperação e chegou a avançar 8,25 cents às 8h59. No fechamento, tinha perdido 12 cents. Desde sexta-feira, o contrato acumula queda de aproximadamente 2,17%.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que a colheita americana chegou a 79% da área até domingo (25). Foram 15 pontos percentuais de avanço em uma semana, acima da média de 77% dos últimos cinco anos.

A oferta maior costuma pressionar preços durante a colheita. Ao mesmo tempo, as inspeções para exportação somaram cerca de 2,48 milhões de toneladas na semana até 22 de outubro, alta de 19,7% sobre a anterior. A China respondeu por aproximadamente 1,65 milhão de toneladas.

Os números mostram demanda aquecida, mas ela não segurou a recuperação. A ADM Investor Services também apontou o real mais fraco como pressão sobre a soja americana. A desvalorização brasileira aumenta a concorrência do grão nacional no mercado externo.

Milho enfrenta colheita e embarques menores

No milho americano, a colheita atingiu 60% da área até domingo, avanço de 16 pontos percentuais em uma semana. O ritmo segue abaixo da média de 66% dos últimos cinco anos, mas amplia a disponibilidade no curto prazo.

As inspeções de exportação dos Estados Unidos caíram 9,68%, para 625.233 toneladas. O volume ficou cerca de 49,7% abaixo do mesmo período de 2025. Esses dados ajudam a explicar a pressão, sem determinar sozinhos o próximo pregão.

No Brasil, o mercado físico não repetiu uma queda generalizada. O levantamento do Notícias Agrícolas registrou recuos em Ubiratã e Sorriso, alta no Porto de Paranaguá e estabilidade em outras praças. Demanda local, frete e exportação mantêm diferenças regionais.

O que diz o USDA: O relatório Crop Progress, divulgado em 26 de outubro, registra 79% da soja e 60% do milho colhidos nos Estados Unidos até 25 de outubro. Os dados são do Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas do departamento.

Os próximos pregões continuarão ligados ao câmbio, à colheita americana e aos embarques. Para o produtor, a queda na bolsa não deve ser lida como preço único. A cotação disponível na praça e o custo de escoamento completam a conta.

Como fizemos: Usamos fechamentos publicados pelo Notícias Agrícolas e o relatório do USDA, consultados em 27/10/2026. Para o acumulado da B3, multiplicamos os fatores de segunda e terça: 1,0223 × 0,9904 e 1,0265 × 0,9798. Não convertemos bushels em sacas nem tratamos os contratos como preços físicos.

Fontes