Milho cai até 1,17% na B3, mas físico tem altas pontuais
Contratos recuaram também em Chicago na quinta; Pátria vê possível fundo em novembro, mas prevê oferta antecipada da safrinha em maio.

O milho fechou a quinta-feira (5) em queda na Bolsa de Chicago e na B3, a bolsa brasileira. O contrato março/27 liderou as perdas entre os principais vencimentos nacionais, com recuo de 1,17%, para R$ 75,30 por saca de 60 quilos.
O movimento não foi uniforme no mercado físico. Ubiratã e Marechal Cândido Rondon, no Paraná, tiveram alta de 1,96%. Sorriso, no Mato Grosso, caiu 0,47%. Paranaguá e Santos mantiveram estabilidade.
Futuros e físico contam partes da história
Em Chicago, o contrato dezembro/26 recuou 1,01%, para US$ 4,40 por bushel, medida usada no mercado americano. Na B3, todos os vencimentos acompanhados pelo Notícias Agrícolas terminaram em baixa.
Contratos futuros registram negociações para entrega ou liquidação em datas posteriores. Eles orientam expectativas, mas não são oferta firme de compra na fazenda. O preço físico inclui diferenças regionais, logística e disponibilidade imediata.
Março lidera queda nos futuros; praças físicas divergem Cotações de milho em 5 de novembro de 2026
| Mercado | Preço | Variação diária |
|---|---|---|
| Chicago, dezembro/26 | US$ 4,40 por bushel | -1,01% |
| B3, março/27 | R$ 75,30 por saca | -1,17% |
| Ubiratã, PR | R$ 52,00 por saca | +1,96% |
| Sorriso, MT | R$ 42,50 por saca | -0,47% |
| Paranaguá, PR | R$ 69,00 por saca | Estável |
Fonte: Notícias Agrícolas, Barchart e levantamentos de mercado físico. As praças têm condições comerciais diferentes.
A oferta americana continua pressionando. A StoneX projetou produção de 16,2 bilhões de bushels nos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou colheita de 74% da área até 1º de novembro.
Fundo é cenário, não promessa
Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, avalia que o milho disponível já incorporou forte pressão. Ele espera formação de um fundo em novembro e possível melhora a partir de dezembro. Essa é uma projeção do analista, não garantia de valorização.
A safrinha de 2027 traz um risco na direção contrária. A soja adiantada no Centro-Oeste pode permitir plantio precoce do milho. Segundo Palavro, a nova oferta poderia chegar ao mercado já em maio.
Esse calendário depende da colheita da soja e das chuvas. Uma janela favorável em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul não elimina perdas climáticas posteriores. No Paraná, o desenvolvimento mais lento de parte das lavouras muda o cenário.
Para o produtor, a decisão precisa separar o estoque atual da produção futura. Vender ou proteger preço exige comparar custo, necessidade de caixa e descontos da praça. Os R$ 75,25 do contrato setembro/27 não equivalem ao valor líquido na propriedade.
O que diz a Pátria Agronegócios: Palavro afirmou ao Notícias Agrícolas que vê o disponível encontrando fundo em novembro. Ele também alerta para uma janela excepcionalmente precoce de safrinha no Centro-Oeste e recomenda avaliar proteção comercial conforme os custos regionais.
A próxima referência virá da colheita americana, do câmbio e do avanço da soja brasileira. O contraste de quinta-feira mostra por que a manchete das bolsas não basta para decidir uma venda no interior.
Como fizemos: Comparamos futuros de Chicago e da B3 com cinco referências físicas publicadas em 5/11/2026. Selecionamos os maiores movimentos e praças de diferentes regiões, sem calcular média nacional. As estimativas de fundo e antecipação da oferta são cenários do analista consultado.
Fontes
- Milho fecha quinta-feira com quedas em Chicago e na B3 — Notícias Agrícolas (acesso em 06/11/2026)
- Plantação de milho em Palotina — Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0) (acesso em 06/11/2026)


