Agronegócio

Petrobras prevê importar 600 milhões de litros de diesel

Volume de novembro recua 7,7% ante outubro e recompõe estoques após paradas em refinarias; estatal espera não importar em dezembro.

Vista aérea das estruturas industriais da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco
Refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca (PE), fotografada em 2 de dezembro de 2025.Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Petrobras programou importar 600 milhões de litros de diesel em novembro para recompor estoques. O volume é 50 milhões menor que o de outubro, uma redução de 7,7%, mas segue acima do ritmo médio registrado neste ano.

A diretora de logística, comercialização e mercados, Angélica Laureano, atribuiu a compra às paradas programadas nas refinarias Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, e Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. As declarações foram dadas à Reuters nesta semana.

Compra equivale a 125 mil barris por dia

As encomendas representam cerca de 125 mil barris diários. No terceiro trimestre, a empresa importou 110 mil barris por dia, maior volume trimestral de 2026. A média dos nove primeiros meses foi 103 mil barris diários.

A previsão de novembro supera em 13,6% o ritmo do terceiro trimestre e em 21,4% a média dos nove meses. Os percentuais comparam taxas diárias, não o total de litros de períodos com durações diferentes.

O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, segundo a reportagem da Reuters. O combustível move colheitadeiras, caminhões e parte do transporte ferroviário. Por isso, o abastecimento interfere diretamente no plantio, no frete e no custo da produção.

Novembro reduz o volume, mas mantém ritmo diário elevado Importação de diesel pela Petrobras nos períodos informados

Período Volume ou ritmo Comparação
Novembro previsto 600 milhões de litros 125 mil barris/dia
Outubro 650 milhões de litros 50 milhões a mais
3º trimestre 110 mil barris/dia maior trimestre do ano
Média de janeiro a setembro 103 mil barris/dia 22 mil barris/dia abaixo de novembro

Fonte: Petrobras, em reportagem da Reuters. Elaboração: redação.

Refino opera perto do limite

O fator de utilização das refinarias mede quanto da capacidade está em operação. A Petrobras chegou a 99% no terceiro trimestre e recuou para 98% em outubro por causa das paradas programadas.

A importação prevista para novembro equivale a 1,56 vez a produção recorde da Rnest em abril. Naquele mês, a unidade fabricou 385 milhões de litros de diesel S-10, que tem menos enxofre e é exigido em veículos mais novos.

A comparação mostra a escala da compra, mas não significa que a refinaria deixou de produzir todo esse volume. A diretoria afirma que a importação complementa a produção nacional e cobre necessidades de estoque e contratos.

A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) avalia que há baixíssimo risco de falta de diesel em novembro. Segundo a entidade, a Petrobras responde por 48% dos contratos de importação já realizados para o mês.

A Abicom também reclama dos altos custos internacionais e da incerteza sobre a subvenção mensal ao diesel. A Petrobras respondeu que define as importações pela demanda, pela disponibilidade de refino, pela logística e pelas oportunidades de mercado.

O que diz a Petrobras: Em nota à Reuters, a estatal afirmou que importa derivados quando necessário para complementar a produção interna. A empresa declarou ainda que não deve importar diesel em dezembro, com a redução da demanda após o plantio de verão.

A perspectiva para dezembro reduz a necessidade prevista de compras externas. Já a colheita e outras atividades do agro devem elevar novamente a demanda no primeiro semestre. O comportamento do consumo e das refinarias definirá as próximas encomendas.

Como fizemos: Comparamos os números informados pela Petrobras à Reuters e recalculamos as variações percentuais. Dividimos 600 por 385 para comparar a importação prevista com a produção recorde mensal da Rnest. Os números são encomendas e projeções, não volumes já desembaraçados.

Fontes