Marinho: a Petrobras fica, mas a venda de ativos não está descartada
O coordenador da campanha disse que a estatal é estratégica, mas citou a venda de poços maduros; refinaria de Manaus já vende diesel ao dobro do preço.

O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), o senador Rogério Marinho (PL-RN), disse em 18 de agosto que não há plano para privatizar a Petrobras. Mas não descartou a venda de ativos da estatal. “A Petrobras é uma empresa importante e estratégica para o Brasil”, declarou, em Brasília, após evento com os presidenciáveis, segundo a CNN Brasil.
Venda de ativos, em palavras simples: a empresa não é vendida inteira. São vendidos pedaços — uma refinaria, um campo de petróleo, uma fatia de subsidiária. O dono continua o mesmo, mas a empresa encolhe. No caso da Petrobras, refinarias e campos de petróleo já passaram por esse caminho. Marinho citou o exemplo do governo do pai do candidato: poços maduros, campos já em fase de esgotamento, foram vendidos à iniciativa privada.
O senador prometeu ainda uma avaliação de todas as estatais. “Todas as outras empresas estatais vão passar por uma avaliação para verificar qual é a sua eficácia”, disse. E afirmou que um eventual governo Flávio retomaria as concessões do governo Jair Bolsonaro — contratos em que a iniciativa privada opera serviços públicos.
O precedente que o produtor pagou
O interior já viu esse filme — e pagou o ingresso. No governo Jair Bolsonaro, a Petrobras vendeu refinarias inteiras. A refinaria de Manaus, a Refinaria da Amazônia (REAM), foi privatizada em 2022. Segundo reportagem do Brasil de Fato, site de esquerda, o diesel saiu de lá a R$ 7,34 o litro. Nas refinarias que ficaram com a estatal, o preço foi de R$ 3,31. A BR Distribuidora, braço de postos da estatal, também foi vendida, em 2021, segundo a mesma reportagem.
O motivo é a chamada Paridade de Preço de Importação (PPI). É a regra que faz o combustível custar aqui quase o mesmo que custaria se fosse importado, acompanhando o dólar e o preço internacional. Segundo o levantamento citado, as refinarias privatizadas praticaram preços no nível da paridade ou acima dela. Em setembro, o Norte teve os maiores preços de revenda do país: R$ 7,37 pelo diesel S10 em média, chegando a R$ 8,31 no Acre. Quem leva a produção pela BR-364 e pela Transamazônica sente cada centavo.
Para Mahatma Ramos, diretor técnico do Ineep, instituto de estudos do setor de petróleo, as refinarias privatizadas mudam de rumo. Elas passam a se guiar “única e exclusivamente pelo lucro e retornos de curto prazo”, disse ele à reportagem. O diesel mais caro no Norte e no Nordeste, segundo o levantamento, amplia as diferenças regionais que o produtor já conhece.
O plano não cita a Petrobras
O plano de governo protocolado em 13 de agosto não cita a Petrobras, segundo o portal eixos. Mas retoma o Programa Nacional de Desestatização “avaliando caso a caso” e libera o fracking, técnica para extrair gás da rocha — gás que é matéria-prima de fertilizante. Sobre trazer a PPI de volta, nenhuma posição explícita do candidato foi encontrada no registro da campanha. O plano promete reduzir impostos sobre combustíveis, segundo a Forbes.
A campanha nega a privatização. Em 9 de outubro, Flávio chamou o assunto de “boataria”, segundo a InfoMoney. Na sexta (16), o Aos Fatos concluiu que, ao chamar a acusação de “terrorismo”, ele omitiu declarações próprias e de membros do comitê eleitoral. Outro assessor, o coordenador de energia Adriano Pires, já havia dito ao SBT News que uma capitalização da Petrobras “pode ser discutida” — venda de ações sem perder o controle.
O que diz Rogério Marinho: Em 18 de agosto, o coordenador da campanha afirmou que “não há nenhum plano no sentido de privatizar a Petrobras” e que a estatal é “importante e estratégica”, segundo a CNN Brasil. Ele não descartou a venda de ativos e citou, como exemplo, os poços maduros vendidos no governo Jair Bolsonaro.
O segundo turno será no domingo (25). Marinho diz que a empresa fica — e deixa a porta aberta para os pedaços. O produtor conhece o fim dessa conta: ele está no preço do frete de cada safra. E o frete pesa na conta final de cada saca de grãos. Entre a promessa de agosto e o exemplo de Manaus, o eleitor do campo tem até domingo para escolher em qual confiar mais.
Fontes
- Marinho diz que Petrobras é estratégica e não há plano de privatizá-la — CNN Brasil
- Refinarias privatizadas no governo Bolsonaro elevam preços e ampliam desigualdades regionais — Brasil de Fato
- Plano de Flávio Bolsonaro abraça espólio petista, incluindo agenda do gás ignorada por Lula — eixos
- Tesouraço: o plano econômico de Flávio Bolsonaro — Forbes
- Flávio Bolsonaro descarta privatização da Petrobras como “boataria” — InfoMoney
- Checamos a entrevista de Flávio Bolsonaro à TV Globo — Aos Fatos
- Aliado de Flávio defende debater capitalização da Petrobras — SBT News



