Agronegócio

Suspeita de Newcastle deve ser notificada; veja como agir

Mortalidade repentina e sinais neurológicos ou respiratórios exigem contato com o serviço veterinário oficial; caso sem sintomas reforça a vigilância.

Produtor entre fileiras de galinhas poedeiras alojadas em galpão
Produção de aves de postura em Santa Helena, Paraná, em 28 de junho de 2013; imagem de arquivo.Foto: Deyvid Aleksandr Raffo Setti / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O terceiro foco da doença de Newcastle em Santa Catarina foi detectado em uma granja cujas aves não apresentavam sintomas. A descoberta ocorreu durante a vigilância em Nova Erechim. O caso mostra que a ausência de sinais visíveis não elimina a necessidade de inspeção e controle.

A doença tem notificação obrigatória. Produtores, veterinários e qualquer pessoa podem comunicar suspeitas ao Serviço Veterinário Oficial (SVO). O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) também oferece o canal eletrônico e-SISBRAVET em sua página sobre a doença.

Sinais exigem investigação, não autodiagnóstico

Mortalidade repentina de aves é um dos critérios de notificação. O rastreamento também considera sintomas neurológicos, respiratórios ou digestivos. Em aves silvestres, a recomendação vale para mortalidade acima do normal e sem causa conhecida.

Esses sinais não confirmam Newcastle por conta própria. O serviço oficial avalia a suspeita e decide sobre coleta de amostras e diagnóstico laboratorial. O produtor não deve esperar um quadro completo nem tentar concluir a causa sozinho.

Notificação começa por sinais objetivos Orientações do programa oficial de vigilância

Situação Conduta recomendada
Mortalidade repentina de aves Comunicar imediatamente ao SVO
Sinais neurológicos, respiratórios ou digestivos Relatar a suspeita para avaliação oficial
Suspeita considerada provável Coleta oficial de amostras e investigação epidemiológica
Propriedade sob investigação provável Manter interdição até conclusão e laudo negativo

Fonte: Programa Nacional de Sanidade Avícola, na página do Mapa. Diagnóstico depende do serviço oficial.

Quando uma suspeita é caracterizada como provável, a propriedade permanece interditada até a conclusão da investigação e a emissão de laudo laboratorial negativo. A interdição não é opção do produtor. É parte do protocolo para conter uma possível disseminação.

Biosseguridade reduz a entrada do vírus

O Mapa informa que a principal forma de propagação ocorre por aerossóis de aves infectadas ou produtos contaminados. Aerossóis são pequenas partículas suspensas no ar. Roedores, insetos e artrópodes também podem contribuir para a disseminação.

Limitar o contato das aves domésticas com outras aves é a principal medida de mitigação indicada pelo ministério. A orientação vale para grandes granjas e pequenas criações. Controle de acesso, limpeza e manejo devem seguir os procedimentos oficiais da propriedade.

As quatro barreiras sanitárias instaladas em Santa Catarina fiscalizam e desinfetam veículos. A medida mostra por que circulação de pessoas e materiais importa. Áreas sob restrição exigem cumprimento das regras de movimentação definidas pelas autoridades.

Vigilância ativa e passiva se complementam

A vigilância passiva começa com a notificação de produtores, veterinários ou qualquer cidadão. A vigilância ativa reúne inspeções e coletas planejadas em estabelecimentos e populações de aves. O foco de Nova Erechim foi encontrado durante essa ação intensificada.

Entre 20 e 26 de outubro, a operação catarinense vistoriou 133 propriedades comerciais e 551 de subsistência. Foram 684 locais em sete dias. A maioria das visitas, cerca de 81%, ocorreu em criações de subsistência, o que reforça a necessidade de orientação fora da produção industrial.

O consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial continua seguro, segundo o Mapa. A doença não deve ser usada para espalhar alarme alimentar. O trabalho principal é sanitário: notificar cedo, permitir a investigação e cumprir as restrições.

O que diz o Mapa: O programa de vigilância determina atendimento imediato a notificações de mortalidade repentina e de sintomas compatíveis. O ministério mantém o e-SISBRAVET como canal eletrônico e orienta medidas de biosseguridade para limitar o contato entre aves.

O produtor deve guardar os canais da unidade veterinária local e consultar a página oficial do Mapa. Em Santa Catarina, a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola do estado coordena as ações com o governo federal. A rapidez na comunicação protege a própria criação e as propriedades vizinhas.

Como fizemos: Reunimos os procedimentos do Programa Nacional de Sanidade Avícola e as informações do novo foco, acessados em 28/10/2026. Somamos as propriedades vistoriadas e calculamos a participação das criações de subsistência. O texto oferece orientação geral e não substitui as determinações do SVO para cada propriedade.

Fontes