Agronegócio

Frango tem maior preço real em outubro desde dezembro

Consumo e exportações sustentaram as médias de outubro, mas atacado paulista recua cerca de 4,8% desde 16 de outubro, segundo o Cepea.

Trabalhador opera equipamento dentro de aviário com frangos em Campos Novos, Santa Catarina
Atividade em avicultura de Campos Novos (SC); imagem de arquivo publicada em abril de 2010.Foto: Deyvid Setti e Eloy Olindo Setti / Wikimedia Commons (domínio público)

A carne de frango registrou em outubro as maiores médias reais desde dezembro de 2025. O levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) atribui o resultado ao consumo das famílias e ao ritmo forte das exportações.

Preço real é o valor ajustado pela inflação para permitir comparação ao longo do tempo. O recorde da média mensal, porém, convive com uma queda recente no atacado. O frango congelado passou de R$ 8,49 por quilo em 16 de outubro para R$ 8,09 nesta sexta-feira (6).

Atacado recua 4,7% em três semanas

A diferença no congelado é de R$ 0,40 por quilo, queda de 4,7% desde 16 de outubro. O resfriado passou de R$ 8,51 para R$ 8,10 no mesmo intervalo, recuo de R$ 0,41, ou 4,8%.

As séries representam negócios no atacado da Grande São Paulo, de São José do Rio Preto e de Descalvado. Não são a média mensal que atingiu o recorde real nem o preço cobrado no varejo. Por isso, os dois movimentos não se contradizem.

Na sexta-feira, houve pequena reação diária. O congelado subiu 0,37%, e o resfriado, 0,25%. Mesmo assim, os valores continuam abaixo dos praticados em outubro.

A sequência diária ajuda a entender a volatilidade. O congelado estava a R$ 8,21 na quarta-feira (4), caiu para R$ 8,06 na quinta (5) e voltou a R$ 8,09 na sexta. Uma alta isolada não confirma reversão da tendência.

Preço diário perde força após a média recorde Frango inteiro no atacado paulista, em R$ por quilo

Produto 16/10/2026 06/11/2026 Variação
Congelado R$ 8,49 R$ 8,09 -4,7%
Resfriado R$ 8,51 R$ 8,10 -4,8%
Diferença absoluta — — R$ 0,40 e R$ 0,41

Fonte: Indicadores Cepea/Esalq-USP. As datas são pontos diários, não médias mensais. Elaboração: redação.

Demanda sustenta a cadeia inteira

O Cepea informa que as compras das famílias ficaram mais intensas durante outubro. As exportações também seguiram fortes. A procura pela carne aumentou a demanda da indústria pelo frango vivo.

No estado de São Paulo, o animal atingiu a maior cotação em um ano. O ganho no elo vivo beneficia o produtor, mas não mede sozinho sua margem. Ração, energia, sanidade e condições de cada contrato também pesam no resultado.

O movimento ocorreu mesmo com três casos da doença de Newcastle registrados em Santa Catarina durante outubro. Segundo o Cepea, o ritmo das negociações permaneceu inalterado. Isso não elimina a necessidade de vigilância sanitária nem os efeitos locais das restrições.

Para o consumidor, o recorde real da média mensal indica pressão sobre um alimento importante no orçamento. Para o avicultor, o frango vivo valorizado melhora a receita potencial. A queda diária no atacado em novembro mostra que nenhum dos efeitos deve ser projetado automaticamente.

O que diz o Cepea: Em análise publicada em 6/11/2026, o centro afirma que a demanda firme impulsionou toda a cadeia avícola em outubro. Os pesquisadores citam o consumo das famílias e as exportações como explicações para as maiores médias reais desde dezembro de 2025.

Os próximos indicadores mostrarão se a reação de sexta-feira ganha continuidade ou se o recuo de novembro prevalece. A leitura correta exige separar média mensal, preço diário, frango vivo e carne no atacado. O varejo exige outra série de dados.

Como fizemos: Comparamos os preços diários do Cepea de 16/10 e 06/11/2026 e recalculamos as variações. Não usamos esses pontos para recriar a média recorde de outubro. O indicador cobre três praças paulistas e não mostra preços ao consumidor nem margens dos avicultores.

Fontes