Agronegócio

Terceiro foco de Newcastle amplia vigilância em Santa Catarina

Granja com 9,6 mil aves de Nova Erechim registrou novo caso sem sintomas; operação já vistoriou 684 propriedades e ampliou o raio de monitoramento.

Avicultor trabalha em galpão com centenas de frangos e equipamentos de alimentação
Atividade de avicultor em Campos Novos, Santa Catarina, em 19 de fevereiro de 2007; imagem de arquivo.Foto: Deyvid Setti e Eloy Olindo Setti / Wikimedia Commons (domínio público)

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou na terça-feira (27) o terceiro foco da doença de Newcastle em Santa Catarina. O caso ocorreu em uma granja com 9.600 aves em Nova Erechim, no Oeste do estado. A detecção aconteceu durante a vigilância dentro da área de emergência sanitária.

Segundo a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), as aves não apresentavam sintomas. O raio de vigilância foi ampliado em aproximadamente 9,5 quilômetros. O Serviço Veterinário Oficial iniciou investigação, contenção e monitoramento.

Caso foi encontrado pela inspeção

A descoberta sem sinais clínicos mostra o papel da inspeção laboratorial na resposta. A doença é viral, pode atingir aves domésticas e silvestres e tem notificação obrigatória. Esperar apenas sintomas visíveis poderia atrasar a identificação de novos focos.

Entre 20 e 26 de outubro, as equipes vistoriaram 133 propriedades comerciais e 551 de subsistência, segundo a Cidasc. Ao todo, foram 684 locais. A maioria, cerca de 81%, corresponde a criações de subsistência, cálculo da redação.

Essa proporção ajuda a dimensionar o trabalho de campo. A resposta não se limita às grandes granjas que abastecem a indústria. Ela também precisa chegar a centenas de pequenos criadores, com orientação sobre circulação, limpeza e comunicação de suspeitas.

Os 684 endereços não representam o total de propriedades da região monitorada. O dado mede as visitas realizadas em sete dias. Por isso, não permite concluir quantas criações ainda serão vistoriadas nem quantas aves estão sob vigilância.

Três focos estão em etapas sanitárias diferentes Registros confirmados em Santa Catarina em outubro de 2026

Município Confirmação Situação informada
Nova Itaberaba 18/10 Medidas concluídas e vazio sanitário
Coronel Freitas 24/10 Despovoamento concluído; limpeza e desinfecção continuam
Nova Erechim 27/10 Investigação, vigilância e contenção iniciadas

Fontes: Mapa e Cidasc, via G1. Vazio sanitário é o período sem aves no local.

Vigilância alcança pequenas e grandes criações

A operação mantém quatro barreiras sanitárias ativas, com fiscalização e desinfecção de veículos. As medidas buscam reduzir o transporte do vírus entre propriedades. O controle de circulação atinge tanto granjas comerciais quanto pequenas criações familiares.

Nos dois focos anteriores, o andamento é diferente. Em Nova Itaberaba, todas as medidas foram concluídas e a propriedade está em vazio sanitário. Em Coronel Freitas, o despovoamento sanitário terminou, mas limpeza e desinfecção seguem em curso.

O Mapa informou que atua com os órgãos estaduais de defesa agropecuária. A investigação epidemiológica procura identificar possíveis ligações entre os focos e movimentações de animais, pessoas e materiais. As autoridades ainda não apresentaram uma conclusão pública sobre a origem.

Consumo inspecionado segue seguro

A doença não muda a orientação sobre alimentos inspecionados. O ministério afirma que carne de frango e outros produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanecem seguros. O G1 também registra que a transmissão a humanos ocorre por contato, não pelo consumo, e pode causar conjuntivite transitória.

A distinção é importante para evitar tanto o descuido sanitário quanto o alarme sem fundamento. O problema exige controle nas criações e cooperação dos produtores. Não há orientação oficial para rejeitar produtos que passaram pela inspeção.

O que diz o Mapa: Em nota atualizada nesta quarta-feira (28), o ministério informou que iniciou os protocolos de emergência em Nova Erechim. Também reafirmou que produtos avícolas com inspeção oficial são seguros e não têm contraindicação para consumo.

Os próximos boletins deverão informar o resultado das análises e das novas vistorias. Para o produtor, a rapidez na comunicação de suspeitas e o cumprimento das restrições continuam decisivos para limitar novos focos.

Como fizemos: Somamos as 133 propriedades comerciais e 551 de subsistência vistoriadas entre 20 e 26/10 e calculamos a participação de cada grupo. Comparamos as etapas sanitárias dos três focos em notas do Mapa e informações da Cidasc acessadas em 28/10/2026. Os dados não revelam a origem dos focos.

Fontes