Milho mais barato melhora troca dos ovos após três meses
Produtor paulista recupera poder de compra frente ao milho, mas relação com farelo de soja piora pelo quarto mês, segundo o Cepea.

O produtor de ovos de São Paulo recuperou em outubro seu poder de compra em relação ao milho. A melhora interrompeu três meses de queda, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
A relação de troca compara o valor recebido pela caixa de ovos com o preço do cereal usado na ração. O milho caiu mais que os ovos em outubro. Por isso, a receita do produtor passou a comprar mais milho, sem exigir aumento no preço dos ovos.
Um insumo melhora, outro piora
O resultado não se repete com o farelo de soja, outro ingrediente importante da alimentação das poedeiras. A relação de troca com esse derivado piorou pelo quarto mês consecutivo, devido à valorização do farelo.
Os dois indicadores mostram que a margem não pode ser lida por um único insumo. O cereal ficou mais acessível, enquanto a fonte proteica ficou mais cara. O efeito final depende da formulação da ração e dos demais custos da granja.
Relações de troca seguem direções opostas Poder de compra do produtor paulista de ovos, segundo o Cepea
| Comparação | Sequência anterior | Resultado de outubro |
|---|---|---|
| Ovos frente ao milho | 3 meses de queda | Melhora |
| Ovos frente ao farelo de soja | 3 meses de queda até setembro | 4º mês de piora |
| Leitura para a granja | Pressão nos dois insumos | Alívio parcial |
Fonte: Cepea/Esalq-USP, análise publicada em 6/11/2026. Elaboração: redação.
Milho voltou a subir em novembro
O Cepea atribui a queda do cereal em outubro à elevada disponibilidade. A retração das cotações internacionais e a desvalorização do dólar também reforçaram o recuo no mercado interno.
O indicador diário do milho fechou outubro a R$ 65,64 por saca de 60 quilos. Nesta sexta-feira (6), chegou a R$ 66,77, alta de 1,7% em quatro pregões. O movimento recente não apaga a queda mensal, mas pode reduzir o alívio se continuar.
Essa distinção temporal é importante. A relação de troca favorecida foi calculada para outubro. O preço diário de novembro ainda está em formação e não permite concluir que o ganho será mantido neste mês.
A data da compra da ração também muda o efeito prático. Quem formou estoque antes da queda não sente o alívio imediatamente. Já quem compra no mercado à vista percebe mais cedo a variação do cereal.
Para o produtor, o poder de compra é diferente do lucro. O indicador não inclui mão de obra, energia, embalagem, medicamentos, frete e financiamento. Também não informa quanto cada granja gastou ao formar seus estoques de ração.
Para o consumidor, a melhora na troca não significa ovo mais barato. Ela descreve a capacidade do avicultor de adquirir milho com sua própria receita. O preço no varejo depende de outras etapas da cadeia e da oferta de ovos.
O que diz o Cepea: Em análise de 6/11/2026, o centro informa que a queda do milho superou a dos ovos e favoreceu os avicultores paulistas. Os pesquisadores também registram piora na relação com o farelo de soja pelo quarto mês consecutivo.
Os próximos boletins mostrarão se a recuperação frente ao milho resiste à alta do início de novembro. A valorização do farelo permanece como contraponto. O cenário é de alívio parcial, não de margem garantida para o produtor.
Como fizemos: Comparamos a análise mensal do Cepea com o indicador diário do milho. Calculamos a alta de R$ 65,64 para R$ 66,77 entre 30/10 e 06/11. O centro não divulgou nessa nota os coeficientes absolutos das relações de troca, que por isso não foram estimados.
Fontes
- Ovos/Cepea: poder de compra frente ao milho volta a subir após três meses de queda (acesso em 07/11/2026)
- Indicador do milho — Cepea/Esalq-USP (acesso em 07/11/2026)
- Ovos em galinheiro — Wikimedia Commons (acesso em 07/11/2026)



