Agronegócio

Milho mais barato melhora troca dos ovos após três meses

Produtor paulista recupera poder de compra frente ao milho, mas relação com farelo de soja piora pelo quarto mês, segundo o Cepea.

Ovos reunidos em ninho dentro de galinheiro
Ovos em galinheiro, fotografados em março de 2011; imagem de arquivo.Foto: KoillokDoido / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O produtor de ovos de São Paulo recuperou em outubro seu poder de compra em relação ao milho. A melhora interrompeu três meses de queda, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A relação de troca compara o valor recebido pela caixa de ovos com o preço do cereal usado na ração. O milho caiu mais que os ovos em outubro. Por isso, a receita do produtor passou a comprar mais milho, sem exigir aumento no preço dos ovos.

Um insumo melhora, outro piora

O resultado não se repete com o farelo de soja, outro ingrediente importante da alimentação das poedeiras. A relação de troca com esse derivado piorou pelo quarto mês consecutivo, devido à valorização do farelo.

Os dois indicadores mostram que a margem não pode ser lida por um único insumo. O cereal ficou mais acessível, enquanto a fonte proteica ficou mais cara. O efeito final depende da formulação da ração e dos demais custos da granja.

Relações de troca seguem direções opostas Poder de compra do produtor paulista de ovos, segundo o Cepea

Comparação Sequência anterior Resultado de outubro
Ovos frente ao milho 3 meses de queda Melhora
Ovos frente ao farelo de soja 3 meses de queda até setembro 4º mês de piora
Leitura para a granja Pressão nos dois insumos Alívio parcial

Fonte: Cepea/Esalq-USP, análise publicada em 6/11/2026. Elaboração: redação.

Milho voltou a subir em novembro

O Cepea atribui a queda do cereal em outubro à elevada disponibilidade. A retração das cotações internacionais e a desvalorização do dólar também reforçaram o recuo no mercado interno.

O indicador diário do milho fechou outubro a R$ 65,64 por saca de 60 quilos. Nesta sexta-feira (6), chegou a R$ 66,77, alta de 1,7% em quatro pregões. O movimento recente não apaga a queda mensal, mas pode reduzir o alívio se continuar.

Essa distinção temporal é importante. A relação de troca favorecida foi calculada para outubro. O preço diário de novembro ainda está em formação e não permite concluir que o ganho será mantido neste mês.

A data da compra da ração também muda o efeito prático. Quem formou estoque antes da queda não sente o alívio imediatamente. Já quem compra no mercado à vista percebe mais cedo a variação do cereal.

Para o produtor, o poder de compra é diferente do lucro. O indicador não inclui mão de obra, energia, embalagem, medicamentos, frete e financiamento. Também não informa quanto cada granja gastou ao formar seus estoques de ração.

Para o consumidor, a melhora na troca não significa ovo mais barato. Ela descreve a capacidade do avicultor de adquirir milho com sua própria receita. O preço no varejo depende de outras etapas da cadeia e da oferta de ovos.

O que diz o Cepea: Em análise de 6/11/2026, o centro informa que a queda do milho superou a dos ovos e favoreceu os avicultores paulistas. Os pesquisadores também registram piora na relação com o farelo de soja pelo quarto mês consecutivo.

Os próximos boletins mostrarão se a recuperação frente ao milho resiste à alta do início de novembro. A valorização do farelo permanece como contraponto. O cenário é de alívio parcial, não de margem garantida para o produtor.

Como fizemos: Comparamos a análise mensal do Cepea com o indicador diário do milho. Calculamos a alta de R$ 65,64 para R$ 66,77 entre 30/10 e 06/11. O centro não divulgou nessa nota os coeficientes absolutos das relações de troca, que por isso não foram estimados.

Fontes