Agronegócio

CNPE põe agro no centro da transição com E32 e B15

Reunião do CNPE discutiu combustíveis renováveis, coprodutos do milho e o papel do campo na transição energética planejada pelo governo.

Participantes reunidos em torno da mesa do Conselho Nacional de Política Energética
Reunião extraordinária do CNPE discutiu misturas de combustíveis e planejamento energético.Foto: Caio Aquino / Mapa (reprodução institucional com crédito)

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) colocou o agronegócio no centro da transição energética nesta sexta-feira (6). A terceira reunião extraordinária do colegiado ocorreu em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin.

O ministro da Agricultura, André de Paula, defendeu que alimento e energia podem sair da mesma cadeia produtiva. A discussão interessa ao interior porque mistura de combustíveis altera custos, demanda por grãos e renda de usinas, cooperativas e transportadores.

Mistura maior, cadeia mais complexa

O governo lembrou que a gasolina passou a ter 32% de etanol anidro, mistura chamada E32, em 1º de agosto de 2026. O diesel passou a usar 15% de biodiesel, o B15, em 1º de agosto de 2025. Etanol anidro é o álcool sem água usado na gasolina. Biodiesel é o combustível produzido a partir de óleos e gorduras.

Cadeia Patamar citado na reunião Efeito econômico descrito pelo governo
Gasolina E32 Mais demanda por etanol anidro
Diesel B15 Mais demanda por biodiesel e matérias-primas
Milho 420 litros de etanol por tonelada Coprodução de combustível
Milho 300 quilos de DDG por tonelada Ração para animais

Segundo o Mapa, uma tonelada de milho pode gerar 420 litros de etanol e 300 quilos de grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla DDG. O coproduto é usado na alimentação animal. Essa conta aproxima a política de combustíveis da pecuária e da produção de grãos.

A cana-de-açúcar também entra pelo bagaço, que pode gerar bioeletricidade. Resíduos agrícolas podem produzir biogás, biometano e fertilizantes orgânicos. O aproveitamento reduz desperdícios, mas depende de investimento, conexão à rede e regras estáveis.

Planejamento público para a transição

O CNPE discutiu o Plante, Plano Nacional de Transição Energética. A proposta busca organizar uma transição planejada e justa. O colegiado também tratou da Estratégia de Dados de Energia para 2027 a 2031, de mobilidade elétrica e do uso energético de resíduos.

O ministro André de Paula resumiu a posição do governo: “O agro é parte da solução da transição energética, e alimento e energia se somam”. A frase coloca a política industrial ao lado da política agrícola. Também exige que o ganho de produtividade chegue aos trabalhadores e às pequenas unidades produtoras.

O debate ainda não define sozinho novos percentuais. O CNPE trabalha com a trajetória E27, E30 e E32 na gasolina, além da possibilidade de E35. No diesel, a sequência citada foi B10, B12, B14 e B15. Cada avanço depende de decisão regulatória, oferta e avaliação de abastecimento.

O que diz o CNPE: a reunião tratou de uma transição planejada, com biocombustíveis, dados, mobilidade elétrica e aproveitamento de resíduos. O governo apresenta o agro como fornecedor de energia e alimentos.

Como fizemos: usamos a nota do Ministério da Agricultura publicada em 6 de novembro de 2026. Mantivemos as proporções, datas e exemplos apresentados pelo governo, sem estimar impacto de preço no posto ou na propriedade.

Fontes