Agronegócio

Como funcionam os contratos futuros do agro na B3

Boi gordo, milho e café arábica têm contratos futuros na bolsa. Veja como o produtor usa esses papéis para travar preço e o que é margem.

Ilustração abstrata em tons de vermelho-brasa e dourado, com linhas de gráfico sobre faixas que lembram lavouras
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Cada contrato futuro de boi gordo da B3, a bolsa brasileira, equivale a 330 arrobas. Um contrato de milho vale 450 sacas de 60 quilos, ou 27 toneladas. Um de café arábica, 100 sacas. Esses são alguns dos produtos do agro negociados na bolsa, ao lado do café conilon e da soja.

O que é um contrato futuro

Contrato futuro é um compromisso de comprar ou vender um produto numa data futura, por um preço acertado hoje. Os contratos são padronizados. A bolsa define a quantidade, a qualidade, os meses de vencimento e a forma de acerto final.

No boi gordo e no milho, a liquidação é financeira. Ninguém entrega boi nem grão: as partes acertam só a diferença em dinheiro, com base num indicador de preço. No café arábica, a liquidação é física, com entrega do café no município de São Paulo.

A B3 fica no meio de todas as operações e garante que cada lado cumpra sua parte. Para operar, o produtor precisa de uma corretora autorizada.

Hedge: proteção contra a queda

Hedge é a proteção contra a variação de preço. Imagine um pecuarista que vai vender o gado daqui a seis meses. Ele teme que a arroba caia até lá. Então vende hoje contratos de boi gordo para aquele mês de vencimento.

Se o preço cair, ele recebe menos pelo boi, mas ganha no contrato futuro. Se o preço subir, recebe mais pelo boi, mas perde no contrato. Nos dois casos, o resultado fica perto do preço travado lá atrás. O hedge troca a chance de ganhar mais pela segurança de saber quanto vai receber.

O mesmo vale para quem compra. Uma granja que precisa de milho para a ração pode comprar contratos para se proteger de uma alta.

Especulação: quem assume o risco

Do outro lado, há o especulador. Ele não produz nem consome boi ou milho. Compra e vende contratos para lucrar com a variação dos preços. O especulador assume o risco que o produtor quer evitar. Também dá liquidez ao mercado, ou seja, facilita encontrar alguém para fechar negócio.

Margem e ajuste diário

Para abrir uma posição, a B3 exige uma margem de garantia. É um depósito que cobre possíveis perdas e é devolvido no fim, se tudo correr bem.

Todo dia, a bolsa compara o preço do contrato com o do dia anterior e faz o ajuste diário. Quem perdeu paga a diferença, e quem ganhou recebe. Por isso, o produtor em hedge precisa ter dinheiro em caixa. O ganho no boi ou no grão só vem na venda, mas o ajuste da perda sai antes.

Glossário

  • Vencimento: a data em que o contrato termina e é liquidado.
  • Posição vendida: quem vendeu contratos; ganha se o preço cair.
  • Posição comprada: quem comprou contratos; ganha se o preço subir.
  • Liquidez: a facilidade de comprar ou vender sem mexer muito no preço.
  • Base: a diferença entre o preço na sua região e o preço na bolsa. Ela muda com o tempo e pode reduzir a proteção.

O que diz a B3: Nas fichas técnicas publicadas em seu site, a B3 detalha o tamanho, a cotação, os vencimentos e a forma de liquidação de cada contrato. Para o café arábica, por exemplo, a bolsa informa liquidação física, com entrega no município de São Paulo.

O mercado futuro não elimina o risco, mas muda a forma dele. Antes de operar, vale entender o contrato, calcular a margem e manter caixa para os ajustes diários. Bem usado, ele ajuda a planejar a safra com mais previsibilidade.

Fontes