Agronegócio

Corrente comercial bate US$ 666,2 bi; saldo é US$ 84,4 bi

Recorde em 12 meses até setembro soma exportações de US$ 375,3 bi e importações de US$ 290,9 bi; corrente não é lucro do país.

Navio e contêineres no terminal portuário de Santos com guindastes ao fundo
Terminal de contêineres do Porto de Santos com o navio Aliança Europa, em fotografia de 1999.Foto: Claus Bunks / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

A corrente de comércio brasileira atingiu US$ 666,2 bilhões nos 12 meses terminados em setembro de 2026. O recorde representa alta de 5,8% sobre o ciclo anterior. O dado vem das séries do Comex Stat, sistema de estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Corrente de comércio é a soma das exportações com as importações. Não é o saldo nem dinheiro disponível ao governo. O país vendeu US$ 375,3 bilhões e comprou US$ 290,9 bilhões no período.

Saldo é calculado por subtração

A diferença entre vendas e compras resultou em superávit de US$ 84,4 bilhões. Superávit significa exportações maiores que importações. O saldo cresceu quase um quinto sobre o período anterior.

As exportações aumentaram 7% na comparação anual. Elas representaram 56,3% da corrente recorde, enquanto as importações ficaram com 43,7%. Essa divisão mede o fluxo comercial, não a participação de cada setor.

Recorde soma dois fluxos; superávit fica com a diferença Comércio exterior brasileiro nos 12 meses até setembro de 2026, em US$ bilhões

Indicador Valor Como é calculado
Exportações 375,3 Vendas ao exterior
Importações 290,9 Compras do exterior
Corrente de comércio 666,2 Exportações + importações
Superávit comercial 84,4 Exportações - importações

Fonte: Comex Stat/MDIC. Participações de 56,3% e 43,7% calculadas pela redação.

Entre janeiro e setembro, a corrente chegou a US$ 504,2 bilhões. Foi a primeira passagem de meio trilhão de dólares em nove meses. O superávit acumulado no ano chegou a US$ 66,3 bilhões.

Campo aparece nos dois lados

Petróleo, soja, carnes, café e celulose impulsionaram as vendas entre janeiro e setembro. Assim, produtos ligados ao campo participaram do recorde ao lado de bens minerais e industriais.

Na outra ponta, fertilizantes aparecem entre as compras relevantes. O mesmo país que exporta alimentos importa insumos necessários à produção. Máquinas industriais e componentes eletrônicos também pressionaram as aquisições externas.

O recorde não informa quanto cada produtor recebeu. Os valores juntam preço e quantidade embarcada. Também não mostram custos de produção, frete, financiamento ou distribuição da renda entre regiões.

Para ler a participação do agro, é preciso consultar os produtos separadamente no Comex Stat. A comparação deve considerar valor, peso e destino. Uma receita maior pode resultar de mais toneladas, preços melhores ou dos dois fatores.

O saldo positivo favorece a entrada líquida de moeda estrangeira pelo comércio de bens. Não elimina outras contas externas nem garante câmbio estável. Juros, investimentos e serviços também influenciam a disponibilidade de dólares.

O que diz o MDIC: O Comex Stat reúne consultas gratuitas de exportações e importações brasileiras. O ministério separa corrente, saldo, produtos e parceiros comerciais, permitindo verificar os dados além do valor agregado.

O próximo passo para o leitor é observar quais cadeias sustentam o crescimento. O total recorde é relevante, mas a composição mostra dependências e oportunidades. Para o agro, fertilizantes e mercados de destino merecem acompanhamento junto com as vendas.

Como fizemos: Usamos os dados de 12 meses até setembro de 2026 divulgados a partir do Comex Stat. Conferimos a corrente somando exportações e importações e o superávit subtraindo esses valores. Calculamos as participações de 56,3% e 43,7%. Não estimamos a fatia do agro sem a consulta por produto.

Fontes