Agronegócio

Arábica cai em Nova York, e robusta sobe em Londres

Contratos tinham sinais opostos na tarde de quinta; em outubro, queda de 2,1% em dólar virou alta de 6,5% em reais para o arábica.

Trabalhadores colhem café manualmente em plantação paulista, em fotografia histórica
Colheita de café em São Paulo registrada em publicação de 1923, creditada a Brown Bros.Foto: Brown Bros. / The Encyclopedia of Food / Wikimedia Commons (domínio público)

O café arábica recuava 0,64% em Nova York às 13h29 de quinta-feira (5), enquanto o robusta subia 0,62% em Londres. O contrato dezembro/26 do arábica estava a 277,95 centavos de dólar por libra-peso, unidade usada na cotação.

O janeiro/27 do robusta era negociado a US$ 3.248 por tonelada. Os números são uma fotografia da tarde, não o fechamento. As duas bolsas já haviam apresentado preços maiores durante a sessão.

Câmbio muda o resultado em reais

A Hedgepoint Global Markets analisou o período de 23 a 26 de outubro. Nesse recorte, o primeiro contrato do arábica caiu 2,1% em dólares por saca de 60 quilos. Convertido para reais, porém, subiu 6,5%.

A diferença ocorreu porque a desvalorização do real compensou a queda externa. Para o exportador, a cotação brasileira resulta da combinação entre preço internacional e câmbio. Olhar apenas Nova York esconde esse efeito.

Bolsas divergem, e câmbio inverte sinal em outubro Indicadores de preço do café em 2026

Indicador Variação Referência
Arábica em Nova York, 5/11 às 13h29 -0,64% Dezembro/26
Robusta em Londres, 5/11 às 13h29 +0,62% Janeiro/27
Arábica em dólares, 23 a 26/10 -2,1% Primeiro contrato
Arábica convertido em reais, 23 a 26/10 +6,5% Primeiro contrato

Fonte: Notícias Agrícolas e Hedgepoint Global Markets. Os períodos e unidades são diferentes e não devem ser somados.

A consultoria afirma que o ganho em reais estimulou vendas brasileiras. Dados preliminares do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé) até 30 de outubro indicavam mais de 5 milhões de sacas certificadas. Aproximadamente 4,9 milhões já estavam embarcadas.

Oferta e clima pressionam expectativas

Chuvas acima da média em setembro e outubro favoreceram o pegamento das floradas. Esse termo descreve a retenção dos frutos após a floração. O cenário vale para áreas de arábica e de conilon, robusta produzido no Brasil.

A expansão da área nos últimos três anos também pode sustentar a oferta. A Hedgepoint espera menos arábica pelo ciclo bienal, alternância de anos mais e menos produtivos. O conilon poderia crescer.

Há forças contrárias. Os estoques certificados de arábica em Nova York seguem historicamente baixos. O El Niño mantém risco para a produção mundial, especialmente no primeiro trimestre de 2027.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) registra forte oscilação durante outubro. Chuvas e embarques pressionaram em alguns momentos. Preocupações climáticas, menor produção colombiana e estoques baixos impulsionaram em outros. No fechamento mensal, o arábica doméstico ficou quase estável.

O que diz a Hedgepoint: Laleska Moda afirmou que a desvalorização do real compensou parte da queda em dólares, mas os fundamentos amplos seguem pressionando os preços. A consultoria vê produção elevada em 2027/28 se o clima continuar colaborando.

Para o produtor, a decisão exige acompanhar bolsa, câmbio e embarques no mesmo painel. A diferença entre arábica e robusta também impede tratar o café como preço único. Os dados definitivos de exportação e o desenvolvimento das floradas orientarão as próximas sessões.

Como fizemos: Comparamos cotações registradas às 13h29 de 5/11/2026 e variações calculadas pela Hedgepoint para 23 a 26/10. Separamos espécies, vencimentos, unidades e moedas. Usamos o balanço mensal do Cepea para evitar que a oscilação de uma tarde represente todo outubro.

Fontes