Arábica cai em Nova York, e robusta sobe em Londres
Contratos tinham sinais opostos na tarde de quinta; em outubro, queda de 2,1% em dólar virou alta de 6,5% em reais para o arábica.

O café arábica recuava 0,64% em Nova York às 13h29 de quinta-feira (5), enquanto o robusta subia 0,62% em Londres. O contrato dezembro/26 do arábica estava a 277,95 centavos de dólar por libra-peso, unidade usada na cotação.
O janeiro/27 do robusta era negociado a US$ 3.248 por tonelada. Os números são uma fotografia da tarde, não o fechamento. As duas bolsas já haviam apresentado preços maiores durante a sessão.
Câmbio muda o resultado em reais
A Hedgepoint Global Markets analisou o período de 23 a 26 de outubro. Nesse recorte, o primeiro contrato do arábica caiu 2,1% em dólares por saca de 60 quilos. Convertido para reais, porém, subiu 6,5%.
A diferença ocorreu porque a desvalorização do real compensou a queda externa. Para o exportador, a cotação brasileira resulta da combinação entre preço internacional e câmbio. Olhar apenas Nova York esconde esse efeito.
Bolsas divergem, e câmbio inverte sinal em outubro Indicadores de preço do café em 2026
| Indicador | Variação | Referência |
|---|---|---|
| Arábica em Nova York, 5/11 às 13h29 | -0,64% | Dezembro/26 |
| Robusta em Londres, 5/11 às 13h29 | +0,62% | Janeiro/27 |
| Arábica em dólares, 23 a 26/10 | -2,1% | Primeiro contrato |
| Arábica convertido em reais, 23 a 26/10 | +6,5% | Primeiro contrato |
Fonte: Notícias Agrícolas e Hedgepoint Global Markets. Os períodos e unidades são diferentes e não devem ser somados.
A consultoria afirma que o ganho em reais estimulou vendas brasileiras. Dados preliminares do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé) até 30 de outubro indicavam mais de 5 milhões de sacas certificadas. Aproximadamente 4,9 milhões já estavam embarcadas.
Oferta e clima pressionam expectativas
Chuvas acima da média em setembro e outubro favoreceram o pegamento das floradas. Esse termo descreve a retenção dos frutos após a floração. O cenário vale para áreas de arábica e de conilon, robusta produzido no Brasil.
A expansão da área nos últimos três anos também pode sustentar a oferta. A Hedgepoint espera menos arábica pelo ciclo bienal, alternância de anos mais e menos produtivos. O conilon poderia crescer.
Há forças contrárias. Os estoques certificados de arábica em Nova York seguem historicamente baixos. O El Niño mantém risco para a produção mundial, especialmente no primeiro trimestre de 2027.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) registra forte oscilação durante outubro. Chuvas e embarques pressionaram em alguns momentos. Preocupações climáticas, menor produção colombiana e estoques baixos impulsionaram em outros. No fechamento mensal, o arábica doméstico ficou quase estável.
O que diz a Hedgepoint: Laleska Moda afirmou que a desvalorização do real compensou parte da queda em dólares, mas os fundamentos amplos seguem pressionando os preços. A consultoria vê produção elevada em 2027/28 se o clima continuar colaborando.
Para o produtor, a decisão exige acompanhar bolsa, câmbio e embarques no mesmo painel. A diferença entre arábica e robusta também impede tratar o café como preço único. Os dados definitivos de exportação e o desenvolvimento das floradas orientarão as próximas sessões.
Como fizemos: Comparamos cotações registradas às 13h29 de 5/11/2026 e variações calculadas pela Hedgepoint para 23 a 26/10. Separamos espécies, vencimentos, unidades e moedas. Usamos o balanço mensal do Cepea para evitar que a oscilação de uma tarde represente todo outubro.
Fontes
- Arábica cai em Nova York e robusta sobe em Londres — Notícias Agrícolas (acesso em 06/11/2026)
- Preços internos e externos do arábica oscilam com força — Cepea (acesso em 06/11/2026)
- Colheita de café em São Paulo — Wikimedia Commons (domínio público) (acesso em 06/11/2026)



