Agronegócio

China retoma liderança da carne bovina, mas compra 77,6% menos

Embarques chineses quase quadruplicaram desde setembro, porém seguem abaixo de 2025; outros mercados bateram recorde, sem repor toda a perda.

Rebanho de gado branco em pastagem brasileira sob céu nublado
Gado Nelore em pastagem no Brasil; imagem de arquivo.Foto: Carlos Ebert / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A China voltou a ser o principal destino da carne bovina brasileira em outubro. Comprou 41,9 mil toneladas, quase quatro vezes o volume de setembro, mas ainda 77,6% abaixo de outubro de 2025.

Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), reunidos pela Terra Investimentos, mostram uma recuperação mensal que ainda não representa normalização. O Brasil embarcou 195,4 mil toneladas de carne bovina in natura e faturou US$ 1,24 bilhão no mês.

O preço amorteceu a queda

Na comparação anual, o volume total caiu 39% e a receita recuou 30%. O preço médio subiu 14,9%, para US$ 6.364 por tonelada, recorde para outubro na série apresentada.

Esse contraste explica por que a receita caiu menos que o volume. O produto vendido valeu mais, mas a quantidade embarcada foi menor. Para frigoríficos e pecuaristas, preço externo e número de animais disponíveis influenciam a formação da arroba em ritmos diferentes.

A China recebeu 21,4% de todo o volume brasileiro em outubro. Um ano antes, havia comprado 187,2 mil toneladas. A participação chinesa caiu de aproximadamente 58% para 21%, mesmo com a liderança retomada.

China voltou ao primeiro lugar, mas ainda está distante de 2025

Indicador Outubro de 2026 Comparação
Compras da China 41,9 mil t 10,9 mil t em setembro
Queda anual da China — 77,6%
Total brasileiro 195,4 mil t 39% abaixo de outubro de 2025
Preço médio US$ 6.364/t 14,9% acima de 2025

Fonte: Terra Investimentos com dados Secex/MDIC, levantamento publicado em 6/11/2026.

Diversificar ajuda, mas não substitui

Os demais destinos compraram 153,5 mil toneladas, alta de 15,2% sobre outubro de 2025. Foi o maior volume para esse mês fora da China, segundo o levantamento.

Os Estados Unidos receberam 32,6 mil toneladas, avanço de 201,5%. A comparação foi influenciada pela sobretaxa de 40% que havia reduzido a base de outubro de 2025. Chile e Arábia Saudita também registraram alta.

Ainda assim, a conta da diversificação não fecha sozinha. Os 66 destinos que aumentaram as compras acrescentaram 46,1 mil toneladas. Esse ganho cobriu apenas 32% da redução das vendas para a China.

A retomada também precisa ser lida com cuidado porque parte dos embarques foi direcionada à cota chinesa de 2027. Embarcar para formar estoque ou cumprir a cota futura não significa que o fluxo mensal já voltou ao padrão anterior.

O governo brasileiro acompanha o regime de salvaguardas da China, que criou uma cota anual e sobretaxa para o excedente. A medida alcança fornecedores de vários países e continua sendo um limite para a previsibilidade do comércio.

O que diz a Terra Investimentos: O levantamento aponta que a China recuperou a liderança, enquanto os demais mercados tiveram o melhor outubro da série. A análise ressalta que a diversificação sustenta parte dos embarques, mas ainda não compensa o recuo chinês.

Para o campo, o sinal é misto. A porta chinesa voltou a abrir mais que em setembro, mas continua menor que há um ano. O próximo teste será saber se os embarques para a cota de 2027 se repetem e se os outros compradores mantêm o ritmo.

Como fizemos: Usamos o levantamento da Terra Investimentos com dados Secex/MDIC publicado em 6/11/2026. Calculamos a diferença entre 153,5 mil toneladas fora da China e o ganho de 46,1 mil toneladas dos destinos que cresceram. O texto não trata embarque para cota como consumo efetivo no destino.

Fontes